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3 de setembro | 2026

Câncer de pulmão: prevenção e diagnóstico precoce podem salvar vidas

Rastreamento com tomografia de baixa dose é uma estratégia para identificar alterações em fases iniciais.

O câncer de pulmão está entre os principais tipos de câncer no Brasil.

O câncer de pulmão está entre os principais tipos de câncer no Brasil e representa um importante desafio para a saúde pública, especialmente por sua forte relação com o tabagismo e por poder evoluir de forma silenciosa, sem apresentar sintomas aparentes nos estágios iniciais.

Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), a estimativa para o triênio 2026–2028 é de aproximadamente 781 mil novos casos de câncer por ano no Brasil. Entre os tipos mais incidentes está o câncer de traqueia, brônquios e pulmão. Para cada ano do triênio, são estimados 35.380 novos casos no país, sendo 18.730 entre homens e 16.650 entre mulheres. A doença corresponde a 7,3% dos casos de câncer entre os homens e a 6,4% entre as mulheres, ocupando a terceira e a quarta posições entre os tipos mais incidentes, respectivamente.

Os números também chamam a atenção para a mortalidade. De acordo com dados do INCA, em 2023 foram registrados 31.237 óbitos por câncer de traqueia, brônquios e pulmão no país, sendo 16.758 entre homens e 14.479 entre mulheres.

Tabagismo: principal fator de risco
O tabagismo é o principal fator de risco para o desenvolvimento do câncer de pulmão. Segundo o INCA, cerca de 85% dos casos estão relacionados ao consumo de produtos derivados do tabaco.

De acordo com a médica pneumologista do Hospital de Amor Amazônia, Dra. Ana Carolina Terra Cruz, embora o cigarro seja o principal fator de risco, outras formas de exposição também precisam ser consideradas. “O tabagismo é um importante fator de risco para o câncer de pulmão e está relacionado a 85% dos casos. Os outros 15% estão relacionados a fatores como histórico de tabagismo passivo, uso de fogão a lenha, silicose, asbestose e até mesmo poluição ambiental”, explica a médica.

Além do cigarro, a exposição crônica à fumaça, ao carvão e à sílica também pode provocar agressões ao sistema respiratório e aumentar o risco de desenvolvimento da doença. “Geralmente, o cigarro apresenta um risco maior entre os fatores de risco. Porém, a exposição crônica ao tabaco, carvão, silicose e fumaça também agride o pulmão”, alerta a médica.

O INCA também aponta o tabagismo como o principal fator de risco evitável para o câncer de pulmão. Por isso, prevenir o início do hábito de fumar e buscar ajuda para interromper o consumo de produtos derivados do tabaco são medidas fundamentais para reduzir o risco da doença.

O HA Amazônia realiza uma campanha voltada à conscientização da população e ao rastreamento do câncer de pulmão.

Prevenção e atenção aos sintomas
O câncer de pulmão costuma ser diagnosticado em estágios mais avançados. Isso ocorre, em parte, porque a doença pode evoluir sem apresentar sintomas ou porque os sinais iniciais podem ser confundidos com outras doenças respiratórias e até mesmo com manifestações atribuídas ao próprio tabagismo.

“Inicialmente, o paciente pode não apresentar sintomas respiratórios ou sinais de alarme, como perda de peso e tosse com sangue. Sintomas como falta de ar e tosse crônica podem passar despercebidos, principalmente em pacientes fumantes ou ex-fumantes”, explica Dra. Ana Carolina.

Entre os sinais que devem ser investigados estão:
Tosse persistente;
Rouquidão;
Falta de ar;
Dor no peito;
Presença de sangue no escarro;
Cansaço;
Perda de peso sem causa aparente.

A presença desses sintomas não significa necessariamente que exista câncer, mas é importante buscar avaliação médica, principalmente quando há histórico de tabagismo ou exposição a outros fatores de risco.

Hospital de Amor Amazônia realiza rastreamento
De acordo com dados do INCA, a estimativa para a região Norte, em 2026, é de 1.640 novos casos de câncer de traqueia, brônquios e pulmão, considerando as taxas brutas e ajustadas de incidência por 100 mil habitantes, segundo sexo e localização primária.

Diante desse cenário, pelo segundo ano consecutivo, o Hospital de Amor Amazônia, em Porto Velho (RO), realiza uma campanha voltada à conscientização da população e ao rastreamento do câncer de pulmão.

A iniciativa tem como público-alvo pessoas entre 50 e 80 anos, fumantes ou ex-fumantes, com histórico de tabagismo intenso. A partir de critérios médicos de risco, a equipe avalia quais participantes apresentam indicação para realizar a tomografia computadorizada de baixa dose de radiação (TCBD).

O exame é capaz de identificar nódulos e outras alterações pulmonares em estágios iniciais, muitas vezes antes mesmo do surgimento dos primeiros sintomas, o que pode contribuir para o diagnóstico precoce e aumentar as possibilidades de tratamento.

Dados da campanha de 2025
216 pessoas se inscreveram para participar do rastreamento;
194 tomografias computadorizadas de baixa dose de radiação (TCBD) foram realizadas nas unidades de Porto Velho (RO) e Ji-Paraná (RO);
10 pacientes permanecem em acompanhamento regular devido a alterações identificadas nos exames;
2 pacientes foram diagnosticados com câncer em estágio avançado.

“O câncer de pulmão é o câncer que mais mata no mundo. Sabemos que o rastreio é a principal arma para diagnóstico precoce e a melhor chance de salvar vidas. Por isso, o Hospital de Amor Amazônia iniciou uma campanha contra o câncer de pulmão, realizando triagem e exames gratuitos para a população de risco”, destaca o médico e chefe da Cirurgia Torácica do Hospital de Amor Amazônia, Dr. Nilton Sebastião.

Em 2026, a campanha também foi realizada e, somente no mês de agosto, cerca de, 270 pessoas se inscreveram para participar da triagem, demonstrando a importância da conscientização e das ações de prevenção e diagnóstico precoce desenvolvidas pela instituição.

Pioneirismo no rastreio de câncer de pulmão
O Sistema Único de Saúde (SUS), ainda não oferece rastreamento ativo para o câncer de pulmão. Em 2019, o Hospital de Amor, em Barretos (SP), se tornou a primeira e uma das únicas instituições brasileira a oferecer, de forma gratuita e estruturada, um programa contínuo de detecção precoce da doença, se tornando referência para outras unidades da instituição e, para outros serviços de saúde.

 Em 2019, o HA se tornou a primeira e uma das únicas instituições brasileira a oferecer, de forma gratuita, um programa contínuo de detecção precoce da doença.