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18 de setembro | 2026

Diagnosticada com câncer na gravidez, ela criou o filho e viu a doença regredir

Fabiana chegou ao Hospital de Amor aos seis meses de gestação e em tratamento paliativo; anos depois, a doença está em remissão.

Aos 41 anos, casada e mãe de dois filhos, Fabiana esperava o terceiro herdeiro quando foi diagnosticada com câncer de mama.

Normalmente, quando uma mulher descobre que está grávida, ela já começa a imaginar como será o rostinho do bebê que está em formação dentro do seu ventre. Com a mineira Fabiana Pereira, de 46 anos, não era diferente, mas o roteiro que a vida estava escrevendo para sua família trouxe muitas surpresas.

Anthony tem 4 anos e não faz ideia de que nasceu no meio de um tratamento oncológico. A mãe dele, Fabiana, carrega consigo um exame recente que ela guarda como quem protege uma pedra preciosa. O motivo? As lesões do câncer de mama estão em remissão total.

Mas para entender esta história de superação, antes, é necessário compreender como tudo começou. Fabi, como é carinhosamente chamada pelos amigos e familiares, estava com seis meses de gravidez quando ouviu, em oração, a frase que passou a repetir para todo mundo em São Gotardo, no interior de Minas Gerais: “A sua cura está em Barretos (SP).”

Aos 41 anos, casada com Odirley e mãe de dois filhos, Fabiana esperava o terceiro herdeiro que posteriormente seria batizado como Anthony. A gravidez não estava nos planos do casal, mas a notícia foi recebida com muita felicidade por todos. Enquanto cuidava de sua casa e de sua família, a mineira trabalhava realizando vendas pela internet. De repente as coisas saíram do trilho, quando no dia 20 de agosto de 2021, no que era para ser um exame de rotina, veio o diagnóstico inesperado: câncer de mama.

Neste período, o mundo inteiro enfrentava a pandemia da COVID-19, e não bastasse isso, Fabi tinha um diagnóstico desafiador em suas mãos, foi quando não mediu esforços para ser tratada no Hospital de Amor.

Faltavam poucas semanas para o parto, e a cidade mineira se mobilizava por uma vaga em meio à pandemia para que ela pudesse se tratar no HA em Barretos, e ninguém imaginava que o câncer de mama traria notícias mais difíceis para ela.

O que ela lembra do primeiro dia é a sequência de perguntas que não tinham respostas. “E agora? Eu vou morrer? E a minha família? Havia dois filhos em casa e um terceiro a caminho. O que vai acontecer comigo”. Perguntas totalmente aceitáveis para quem estava aguardando a chegada de um bebê e recebe a notícia de que está com a saúde debilitada.

Fabi deu início ao seu tratamento no dia 10 de setembro de 2021 no HA, em Barretos (SP).

Chegar ao Hospital de Amor mudou tudo
Fabi deu início ao seu tratamento no dia 10 de setembro de 2021 no HA. Ela diz que foi recebida com prioridade por causa da gestação e que, já na primeira consulta, fez amizade com enfermeiras e com uma estagiária no qual tem amizade até os dias atuais. “Durante a gravidez, a equipe manteve exames periódicos e fez o que era possível dentro daquela condição: havia um bebê se desenvolvendo e que precisava ser protegido, além disso, também tinha uma doença para ser tratada, tudo isso ao mesmo tempo”, conta a paciente.

Após todo cuidado com os procedimentos, o pequeno Anthony nasceu em Barretos, em 20 de outubro de 2021, com 34 semanas. Ele precisou passar alguns dias na incubadora para amadurecer os pulmões e ganhar peso. Foi depois do parto que Fabiana soube da extensão real da doença.

O câncer de mama havia atingido cerebelo, pescoço, pulmão, fígado, ossos e pelve. A partir dali, o tratamento deixou de ter a cura como objetivo declarado. O termo usado nas consultas foi paliativo: o cuidado que busca controlar a doença, aliviar sintomas e sustentar a qualidade de vida quando a remissão não é a expectativa clínica. “Quando se vive um tratamento oncológico e paliativo, você não tem um plano B. Nós, pacientes, temos o hoje. O agora”, explica Fabiana com uma calma já conhecido os mineiros.

Veio a radioterapia, depois uma radiocirurgia para frear o avanço das lesões. Em seguida, as quimioterapias injetáveis, ela explica que foram necessárias cerca de dezenove sessões, pelas contas dela. O corpo respondeu de forma irregular: algumas metástases diminuíram, outras cresceram. Houve queda de cabelo, inchaço, uma lista de efeitos colaterais que ela hoje revela sem drama, como quem lê uma lista de compras do mercado. A força é explícita em cada frase que sai da boca dela contando sua história.

Em 2023, o esquema do tratamento mudou para uma medicação oral, acompanhada em ciclos de 21 dias, com exames e consultas a cada retorno. Houve oscilações, porém todas bem monitoradas pela equipe multidisciplinar.

Fabi participou do concurso de cartas “Próximo Destino: a Vitória”, do Instituto Sociocultural do Hospital de Amor, e ficou em 2º lugar.

E quem pensa que Fabi já tinha muito desafio em sua vida, neste período, o câncer não foi a única doença a ser tratada. No meio do percurso do tratamento oncológico e criança recém-nascida, Fabiana foi diagnosticada com epilepsia de alto risco, ou seja, ela passou a ter convulsões. Foi quando passou a ser acompanhada pela equipe de Cabeça e Pescoço do HA. Ela explica que a mesma equipe é responsável por monitorar a metástase em seu cerebelo (uma região do sistema nervoso central localizada na parte posterior da cabeça, abaixo do cérebro e responsável pelo equilíbrio). Em 2023, outro exame de rotina encontrou um segundo tumor, desta vez em seus ovários. Fabi foi operada e segue em acompanhamento com a equipe do departamento de Ginecologia. Com um sorriso no rosto, ela conta que na última tomografia realizada, não havia mais sinal da doença.

A paciente revela que atualmente as lesões do câncer de mama estão em remissão total. Um tratamento que começou classificado como paliativo acabou lhe dando controle da doença, longevidade e mais qualidade de vida. É um desfecho incomum, e Fabiana sabe disso. “Eu sempre fazia as minhas orações pedindo a Deus pelo meu milagre”, conta.

Sobre o seu estado atual de saúde, ela dá todo o crédito a Deus e à equipe que a atende no HA, nessa ordem, e repete nas consultas a frase que disse para os médicos quando as notícias eram ditas nos consultórios: “se vocês decidiram assim, eu faço, porque Jesus estará com vocês naquela sala”.

Anthony tem 4 anos, é saudável e não faz ideia de nada disso que sua mãe precisou enfrentar para tê-lo. Sua mãe o chama de presente e bênção de Deus, não porque os outros não sejam, explica, mas porque ele chegou no momento mais delicado da vida dela.

Entre uma coisa e outra, Fabiana virou também uma espécie de ponto de apoio na cidade onde vive. Com um sorriso no rosto, ela revela que criou o grupo ‘Gratos e Gratas pela Vida’, que acolhe pacientes oncológicos, compartilha informação e tira dúvidas nos dias difíceis. Ela administra ainda o ‘Princesas Guerreiras de Jesus’, grupo de evangelização que ela faz questão de descrever como aberto. “Sou católica, mas ali não se pergunta a religião de ninguém”. Como a espiritualidade foi fundamental para ela passar esta tempestade, ela acredita que este suporte também possa ajudar outras pessoas.

Próximo destino: a vitória
Se a vida costuma trazer desafios, ela também nos lembra que depois uma forte chuva e ventanias assustadoras, o arco-íris sempre vai surgir no céu, trazendo brilho e esperança. Com ela não foi diferente. Em 2022, Fabi participou do concurso de cartas “Próximo Destino: a Vitória”, do Instituto Sociocultural do Hospital de Amor e ficou em 2º lugar. Sendo premiada com uma viagem para Maceió (AL) com tudo pago pela Azul Linhas Aéreas.

Perguntada sobre o maior sonho, ela não escolhe nada para si. Quer que a doença desapareça da face da Terra, que quem vive com câncer e quem cuida dessas pessoas tenha mais apoio, que as famílias entendam os piores momentos de um tratamento. E diz que o resto é o que o hospital repete no corredor: “a cura não está só no tratamento, mas também no amor”.
A parte mais dura, conta, é quando alguém do grupo não resiste. Por isso ela avisa a quem encontra pela primeira vez que essa não é uma doença para se subestimar.

E é por isso também que, quando alguém chega ao hospital com o exame na mão e o chão sumindo, ela repete sempre a mesma coisa: “Calma. Respira. Câncer não é sentença de morte. É uma doença que hoje tem grandes possibilidades de tratamento e de cura, porque a medicina avançou muito. Haverá dias em que o corpo vai reclamar. Haverá momentos em que a mente vai dizer que não vale a pena continuar. Mas existe esperança”.