Com estimativa de 781 mil novos casos por ano entre 2026 e 2028, cenário reforça a importância do rastreamento, do diagnóstico precoce, da inovação e do cuidado integral no enfrentamento da doença.
O câncer se consolida como um dos maiores desafios de saúde pública do Brasil. De acordo com a última estimativa do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o país deve registrar cerca de 781 mil novos casos da doença por ano no triênio 2026-2028. Quando excluídos os tumores de pele não melanoma, são aproximadamente 518 mil novos casos anuais. O próprio Instituto alerta que a doença se aproxima das cardiovasculares como uma das principais causas de morte no país, reforçando a necessidade de ampliar estratégias de prevenção, diagnóstico precoce e acesso ao tratamento especializado.
Entre os homens, os tipos mais incidentes, sem considerar o câncer de pele não melanoma, são próstata, cólon e reto, pulmão, estômago e cavidade oral. Entre as mulheres, aparecem mama, cólon e reto, colo do útero, pulmão e tireoide. Mais do que apresentar números, as estimativas ajudam a orientar o planejamento em saúde e mostram que o enfrentamento ao câncer exige ações contínuas, organizadas e capazes de alcançar diferentes realidades do país.
Neste cenário, três caminhos se tornam cada vez mais fundamentais: prevenção, acesso e tecnologia. Eles não atuam de forma isolada. Ao contrário, precisam caminhar juntos para que mais pessoas tenham a chance de descobrir a doença em fases iniciais, iniciar o tratamento no tempo adequado e receber cuidado integral durante toda a jornada.
Em geral, quando o câncer é identificado em fases iniciais, há mais possibilidades terapêuticas, maior chance de controle da doença e, em muitos casos, tratamentos menos complexos. Por isso, rastreamento e diagnóstico precoce não são apenas etapas técnicas: são oportunidades concretas de mudar a trajetória do paciente.
Prevenir é chegar antes
A prevenção é uma das frentes mais importantes para mudar o curso do câncer no Brasil. Em muitos casos, a realização de exames de rastreamento permite identificar alterações antes mesmo do surgimento de sintomas, aumentando as chances de diagnóstico precoce e de tratamentos menos agressivos.
No Hospital de Amor, essa atuação faz parte da história da instituição há décadas. O Departamento de Prevenção teve início, oficialmente, em 1994, com exames voltados ao diagnóstico do câncer do colo do útero. Com o passar dos anos, a área se expandiu e passou a realizar diferentes tipos de exames preventivos, consolidando um programa robusto de rastreamento, com unidades fixas, unidades móveis, campanhas, ações de campo e parcerias que contribuem para reduzir barreiras de acesso.
Esse trabalho se torna ainda mais relevante diante de um país com dimensões continentais e desigualdades regionais importantes. Para muitas pessoas, o desafio não está apenas em compreender a importância da prevenção, mas em conseguir chegar até ela. Por isso, levar exames, informação e orientação para diferentes territórios é também uma forma de enfrentamento da doença.
Em um país de grandes distâncias, o enfrentamento do câncer também passa pela redução das desigualdades regionais. Para muitos pacientes, o desafio começa antes do diagnóstico: envolve distância, transporte, falta de serviços especializados próximos e dificuldade de acesso a exames preventivos. Por isso, estratégias que levam prevenção e cuidado para diferentes territórios são fundamentais para que o diagnóstico precoce não seja privilégio de quem vive perto dos grandes centros.
“As estimativas mostram que o câncer precisa ser enfrentado com planejamento, rastreamento organizado e acesso oportuno ao diagnóstico. Quando conseguimos levar a prevenção para mais perto das pessoas, especialmente por meio das unidades móveis, ampliamos a chance de identificar alterações antes dos sintomas ou em fases iniciais. Isso pode mudar o curso do tratamento e reduzir impactos para o paciente e sua família”, afirma Dr. Raphael Haikel Jr., diretor executivo do Hospital de Amor e um dos principais responsáveis pela expansão da frente de prevenção da instituição.
Só em 2025, segundo dados institucionais atualizados, foram realizados mais de 500 mil exames de rastreamento para os cânceres de mama, colo do útero, pele, boca, próstata e cólon e reto.
Mamografia a partir dos 40 anos: ampliar o acesso também é prevenir
No rastreamento do câncer de mama, um ponto importante é a ampliação do acesso à mamografia no SUS para mulheres de 40 a 49 anos, mesmo sem sinais ou sintomas, desde que haja orientação profissional e decisão compartilhada. A medida dialoga com um dado relevante: essa faixa etária concentra cerca de 23% dos casos da doença. O rastreamento populacional organizado, por sua vez, passou a considerar mulheres de 50 a 74 anos, a cada dois anos, ampliando a idade limite anteriormente recomendada.
No Hospital de Amor, a mamografia a partir dos 40 anos já faz parte há anos do protocolo de rastreamento. Essa prática reforça a importância de olhar para o câncer de mama com atenção ao tempo certo do cuidado, especialmente porque a detecção precoce pode ampliar as possibilidades terapêuticas e melhorar os desfechos para muitas pacientes.
Em 2025, o Hospital de Amor realizou 308.643 mamografias. Ao considerar mamografias e complementos de mamografia, esse total chega a 323.612 exames, dentro de uma linha de cuidado voltada à prevenção, ao diagnóstico e ao acompanhamento das pacientes.
FIT: um exame simples, uma estratégia importante
Entre as estratégias de rastreamento que ganham destaque no Brasil e no mundo está o FIT – Teste Imunoquímico Fecal, exame utilizado para detectar sangue oculto nas fezes. Simples, não invasivo e feito a partir de uma amostra coletada pelo próprio indivíduo, o teste pode indicar a presença de alterações que exigem investigação complementar com colonoscopia, como pólipos, lesões precursoras ou câncer colorretal em fase inicial.
Em maio de 2026, o SUS passou a adotar o FIT como exame de referência para o rastreamento do câncer de intestino em pessoas assintomáticas de 50 a 75 anos. De acordo com o INCA, o teste não exige preparo intestinal, não requer dieta restritiva antes da coleta, pode ser feito com apenas uma amostra e tende a favorecer maior adesão da população.
No Hospital de Amor, o FIT já é utilizado há pelo menos 10 anos como parte do protocolo de rastreamento do câncer colorretal. Em 2025, a instituição realizou 1.243 testes FIT, dentro da linha de prevenção do câncer de cólon e reto.
A adoção desse exame em larga escala reforça uma premissa essencial: prevenir também é tornar o cuidado mais acessível. Quando uma estratégia de rastreamento pode chegar a mais pessoas, com menos barreiras e maior adesão, o sistema de saúde ganha uma oportunidade concreta de identificar alterações antes que a doença avance.
Acesso: o cuidado precisa chegar à ponta
Em oncologia, acesso não significa apenas ter um hospital de referência. Significa conseguir fazer o exame, receber o diagnóstico, iniciar o tratamento, manter o acompanhamento e contar com suporte durante as diferentes fases da jornada.
Essa é uma das grandes questões do câncer no Brasil. A doença atinge pessoas em todos os territórios, mas o acesso à prevenção, ao diagnóstico e ao tratamento especializado ainda não acontece da mesma forma para todos. Por isso, fortalecer redes de cuidado, ampliar a presença em regiões distantes dos grandes centros e reduzir o tempo entre suspeita, confirmação e tratamento são medidas fundamentais.
O Hospital de Amor atua nesse cenário com uma rede nacional de cuidado oncológico gratuito. De janeiro a dezembro de 2025, a instituição realizou 2.080.932 atendimentos, entre consultas, procedimentos e exames, em suas unidades de prevenção, tratamento e reabilitação. No mesmo período, foram atendidas 613.178 pessoas, vindas de 2.711 municípios brasileiros, o que representa pacientes de quase metade das cidades do país. Todos os atendimentos foram realizados de forma 100% gratuita.
A instituição possui unidades de tratamento, unidades fixas de prevenção e mais de 50 unidades móveis, que ajudam a levar exames e orientação para diferentes regiões do Brasil. Mais do que estrutura, essa presença representa uma escolha institucional: fazer com que o cuidado chegue antes, chegue mais longe e chegue de forma humanizada.
Tecnologia a serviço da vida
Diante do avanço dos casos de câncer, a tecnologia também se torna uma aliada indispensável. Mas, em saúde, inovação só cumpre seu papel quando se traduz em benefício real para o paciente: mais precisão no diagnóstico, mais segurança no tratamento, mais agilidade nos processos e mais qualidade de vida.
Nos últimos anos, diferentes iniciativas nacionais têm reforçado a importância de ampliar o acesso a medicamentos, radioterapia, cirurgia robótica, telessaúde e outras tecnologias no cuidado oncológico. Em maio de 2026, o Ministério da Saúde anunciou medidas voltadas ao tratamento do câncer no SUS, incluindo a oferta de novos medicamentos oncológicos, ampliação da radioterapia e financiamento de cirurgias robóticas oncológicas.
No Hospital de Amor, tecnologia e humanização caminham juntas. A instituição conta com o IRCAD América Latina, filial do maior centro de treinamento em cirurgia minimamente invasiva do mundo, além de um Instituto de Ensino e Pesquisa focado em oncologia, Centro de Pesquisa em Oncologia Molecular, biobanco, iniciativas em saúde digital, inteligência artificial e inovação aplicada à saúde pública.
O Relatório de Sustentabilidade do HA também destaca o uso de inteligência artificial na análise de mamografias, a atuação do Harena – Centro de Inovação do Hospital de Amor – e soluções digitais aplicadas a programas de rastreamento e diagnóstico de câncer de pulmão, mama e pele.
A telessaúde é outro exemplo importante. Em 2025, o serviço realizou 83.510 teleatendimentos, síncronos e assíncronos, para 33.044 pacientes, em 1.587 municípios dos 27 estados brasileiros. Em um país de grandes distâncias, encurtar caminhos também é cuidar.
Cuidado integral: antes, durante e depois do tratamento
O enfrentamento do câncer não pode ser pensado apenas a partir do tratamento da doença. A jornada do paciente envolve medo, dúvidas, deslocamentos, impactos emocionais, mudanças na rotina, necessidade de apoio familiar, reabilitação e, muitas vezes, cuidados prolongados.
Por isso, o cuidado integral é uma das respostas mais importantes diante do cenário apontado pelas novas estimativas. Ele começa na prevenção, passa pelo diagnóstico, pelo tratamento, pela reabilitação e pelo acompanhamento contínuo. Também envolve comunicação clara, acolhimento, segurança, escuta e respeito à dignidade de cada pessoa.
Reabilitar a saúde física, mental, intelectual, auditiva e visual, promover qualidade de vida e autonomia são os principais objetivos das unidades de Reabilitação do Hospital de Amor. O sucesso do resultado da reabilitação é devido à utilização da tecnologia, mas principalmente à expertise e humanização dos profissionais.
Só em 2025, foram 134.925 atendimentos realizados, somando os atendimentos médicos de neuropediatra, oftalmologista, fisiatra, pediatra, entre outras especialidades, com os da equipe multidisciplinar (fisioterapeuta, terapeuta ocupacional, nutrição, entre outras), nas três unidades de Reabilitação da instituição: em Araguaína (TO), Barretos (SP) e Porto Velho (RO).
Um desafio que exige continuidade
As estimativas do INCA apontam para um futuro que exige preparo, investimento e compromisso permanente. O avanço do câncer no Brasil não será enfrentado por uma única frente, nem por ações pontuais. Será necessário fortalecer a prevenção, ampliar o rastreamento, garantir diagnóstico oportuno, reduzir desigualdades de acesso, incorporar tecnologias com responsabilidade e cuidar das pessoas em todas as etapas da jornada.
Enfrentar o avanço do câncer no Brasil exige mais do que estrutura. Exige continuidade, compromisso e uma rede capaz de transformar dados em ação, tecnologia em acesso e ciência em cuidado. No Hospital de Amor, essa missão se renova todos os dias: chegar antes quando é possível prevenir, chegar junto quando é preciso tratar e permanecer perto quando o paciente precisa reconstruir caminhos.
Porque, diante de um desafio tão grande, cada exame realizado, cada diagnóstico antecipado, cada tratamento iniciado no tempo certo e cada paciente acolhido representam mais do que números. Representam vidas. E cuidar delas, com ciência, acesso, tecnologia e amor, é um compromisso que precisa continuar.
