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11 de setembro | 2026

“Setembro em Flor”: campanha amplia a conscientização sobre prevenção, diagnóstico precoce e cuidados relacionados aos cânceres ginecológicos

Hospital de Amor participa da campanha e orienta sobre prevenção, sinais de alerta e cuidado integral em tumores do colo do útero, endométrio, ovário, vulva e vagina.

Dra. Ana Carla Ubinha é ginecologista do Hospital de Amor.

Falar sobre sangramento vaginal, alterações na região íntima ou dificuldades relacionadas à sexualidade ainda pode causar constrangimento. Mas essas questões fazem parte da saúde e precisam encontrar espaço nas consultas. O Hospital de Amor reforça a importância de conhecer os cânceres ginecológicos, esclarecer dúvidas e procurar atendimento diante de alterações, mantendo os cuidados de prevenção mesmo quando não há sintomas.

Os cinco principais cânceres ginecológicos são os do colo do útero, endométrio, ovário, vulva e vagina. Cada um tem características próprias, que influenciam a prevenção, a investigação e a escolha do tratamento.

A dimensão dessas doenças no Brasil
O Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima, para cada ano do triênio 2026–2028, 19.310 novos casos de câncer do colo do útero, 9.650 de corpo do útero e 8.020 de ovário. Somadas, essas três localizações representam 36.980 novos casos anuais. O total não inclui os cânceres de vulva e vagina, e a categoria corpo do útero abrange o endométrio e outros tumores dessa região.

O impacto também aparece na mortalidade: em 2023, o Brasil registrou 7.209 mortes por câncer do colo do útero, segundo o INCA. Esse dado reforça a importância de ampliar o acesso à vacinação, ao rastreamento e ao acompanhamento das alterações encontradas nos exames. “A mulher não deve normalizar um sangramento diferente, uma dor persistente, um aumento inexplicado do abdome ou uma alteração na vulva. E, ao mesmo tempo, não deve esperar ter sintomas para cuidar da saúde: vacinação, prevenção e acompanhamento adequado precisam fazer parte de todas as fases da vida”, orienta a ginecologista do Hospital de Amor, Dra. Ana Carla Ubinha.

Em 2026, o Hospital de Amor participa oficialmente, pela primeira vez, da campanha “Setembro em Flor” – idealizada pelo Grupo Brasileiro de Tumores Ginecológicos (Grupo EVA). A iniciativa busca ampliar a conscientização sobre prevenção, diagnóstico precoce e cuidado relacionado aos cânceres ginecológicos. Ao integrar esse movimento nacional de informação e conscientização, o HA reforça a importância de manter o tema presente durante todo o ano.

Prevenção e rastreamento não são iguais para todos os tumores
O câncer do colo do útero está relacionado, na grande maioria dos casos, à infecção persistente por tipos de HPV capazes de causar câncer. A vacinação contra o vírus é uma das principais formas de prevenção, mas não substitui o rastreamento quando ele é indicado.

Rastreamento é a realização de exames em pessoas sem sintomas, dentro dos critérios recomendados. No Brasil, o teste de DNA-HPV está sendo incorporado como método primário para o rastreamento do colo do útero. O Papanicolaou continua sendo utilizado onde o novo teste ainda não está disponível. O exame indicado e o intervalo entre as coletas devem seguir a orientação do serviço de saúde e o histórico de cada pessoa.

Esses exames têm finalidades específicas e não rastreiam todos os cânceres ginecológicos. Para os tumores de endométrio, ovário, vulva e vagina, não há recomendação de rastreamento populacional em mulheres sem sintomas e de risco habitual. Isso reforça a importância de investigar queixas e avaliar individualmente quem apresenta fatores de risco, incluindo histórico familiar sugestivo de predisposição hereditária.

Conheça os sinais de cada tipo de câncer
• Colo do útero: pode não causar sintomas nas fases iniciais. Sangramento após a relação sexual, fora do período menstrual ou após a menopausa, corrimento persistente e dor pélvica precisam de investigação.

• Endométrio: surge na camada interna do útero e é mais frequente após a menopausa. O principal sinal de alerta é o sangramento vaginal depois que a mulher já entrou na menopausa. Mesmo em pequena quantidade ou em um único episódio, ele deve ser avaliado. Obesidade e algumas condições hereditárias, como a síndrome de Lynch, estão entre os fatores associados ao risco da doença.

• Ovário: os sintomas podem ser pouco específicos, como estufamento, aumento persistente do volume abdominal, sensação de saciedade ao comer pouco, dor abdominal ou pélvica e alterações urinárias. Quando essas mudanças surgem e persistem, é importante procurar atendimento. Uma parcela dos casos tem relação com predisposição hereditária, por isso o histórico familiar também deve ser compartilhado na consulta.

• Vulva: atinge a região genital externa. Coceira persistente, feridas que não cicatrizam, nódulos, áreas endurecidas, sangramento e alterações na cor ou na textura da pele merecem avaliação. A doença pode estar relacionada ao HPV ou a alterações inflamatórias crônicas da região.

• Vagina: é um tumor raro, que pode provocar sangramento, especialmente após a relação sexual ou a menopausa, corrimento anormal, dor ou uma lesão vaginal. Parte dos casos está associada à infecção persistente pelo HPV.

Ter um desses sinais não significa necessariamente ter câncer. Diferentes condições podem provocar sintomas semelhantes, e a avaliação médica é o caminho para esclarecer a causa. Diante dessas alterações, procure um serviço de saúde, sem esperar a próxima consulta de rotina.

Como é definido o tratamento
A escolha do tratamento considera o órgão afetado, as características do tumor, a extensão da doença e as condições de saúde da paciente. Cirurgia, radioterapia e quimioterapia estão entre as possibilidades. Em casos selecionados, podem ser indicadas hormonioterapia, terapias-alvo ou outros tratamentos sistêmicos.

Diagnosticar a doença em fases iniciais pode ampliar as opções terapêuticas e as chances de cura. Mesmo quando o câncer é identificado em estágio avançado, a avaliação especializada é essencial para definir o tratamento e os cuidados mais adequados.

A prevenção no Hospital de Amor
O trabalho de prevenção do HA começou em 1994, com ações voltadas ao câncer do colo do útero. Ao longo dessa trajetória, a instituição ampliou sua atuação com unidades fixas e móveis que aproximam os exames da população, inclusive em localidades com dificuldades de acesso aos serviços de saúde.

Em 2025, o Hospital de Amor realizou 207.974 exames de Papanicolaou e 14.373 colposcopias na prevenção do câncer do colo do útero, conforme seu Relatório Anual. A colposcopia auxilia na investigação de alterações, permitindo observar o colo do útero com ampliação. Os números correspondem a exames realizados, e não necessariamente a mulheres diferentes.

Acolhimento também faz parte do cuidado
O diagnóstico e o tratamento de um câncer ginecológico podem trazer dúvidas e mudanças relacionadas à fertilidade, à sexualidade, à imagem corporal, à vida familiar e à saúde emocional. Essas necessidades também devem ser ouvidas e consideradas no acompanhamento.

No Hospital de Amor, a paciente conta com uma equipe multidisciplinar nas diferentes etapas do cuidado, desde a investigação e o diagnóstico até o tratamento e o acompanhamento após o câncer. A instituição também amplia o acesso ao rastreamento do câncer do colo do útero por meio de suas unidades de prevenção.

“Além da excelência técnica, acolher significa permitir que a paciente compreenda sua doença, participe das decisões sobre seu tratamento e tenha suporte para atravessar esse período com segurança e dignidade”, afirma a Dra. Ana Carla.

Levar dúvidas à equipe, conversar sobre sintomas e relatar os efeitos do tratamento são atitudes que ajudam a construir um cuidado adequado às necessidades de cada paciente. A saúde ginecológica merece atenção contínua, com informação acessível, escuta e acompanhamento em todas as fases da vida.