Notícias

23 de maio | 2026

Toxina Botulínica na reabilitação de pacientes oncológicos: muito além da estética

No Hospital de Amor, a substância é uma aliada para o controle de dores crônicas e recuperação de funções vitais em pacientes que enfrentam sequelas do tratamento contra o câncer.

Quando se fala em toxina botulínica, as pessoas associam a utilização para fins estéticos, para melhorar o aspecto da pele do rosto ou para minimizar aquela ruga indesejada, mas, a substância vai muito além da estética. Nas unidades de Reabilitação do Hospital de Amor, a toxina botulínica tem sido utilizada para aliviar dores, reduzir espasticidade muscular e melhorar funções importantes como fala, mastigação, deglutição e mobilidade em pacientes que enfrentam sequelas do tratamento contra o câncer.

Na reabilitação oncológica, a toxina botulínica pode ser utilizada em diferentes situações clínicas como em casos.

A toxina botulínica é uma neurotoxina produzida pela bactéria Clostridium botulinum, que, quando injetada em pequenas quantidades, bloqueia temporariamente as terminações neurológicas mais periféricas do corpo, como explica Dr. Henrique Buosi, médico fisiatra e coordenador médico do Centro Especializado em Reabilitação do Hospital de Amor, em Barretos (SP). “A toxina botulínica atua bloqueando temporariamente terminações neurológicas mais periféricas do corpo, portanto pode diminuir os impulsos nervosos que causam dor ou podem relaxar a musculatura, sendo um excelente aliado no controle da dor tanto muscular como neuropática.”

Além da estética
Na reabilitação oncológica, a toxina botulínica pode ser utilizada em diferentes situações clínicas como em casos de espasticidade, distonias, espasmos musculares dolorosos, trismo, dor miofascial, excesso de salivação (sialorreia) e sequelas motoras provocadas por cirurgias, radioterapia ou lesões neurológicas associadas ao câncer. Além disso, também pode ser usada para simetrização facial nas paralisias faciais, auxiliando na fonação (fala) e na mastigação e deglutição.

Em casos de dores crônicas, a toxina botulínica vem se mostrando um importante recurso terapêutico, não limitando-se apenas no relaxamento muscular localizado, como destaca a Dra. Margareth Kath Lucca, médica anestesiologista e especialista em medicina tradicional chinesa do Hospital de Amor. “Além do efeito muscular, estudos mais recentes demonstram ação analgésica direta sobre neurotransmissores envolvidos na dor, como substância P, glutamato e CGRP, reduzindo sensibilização periférica e central. Esse mecanismo explica sua utilização crescente no tratamento de dores neuropáticas, miofasciais e dores relacionadas ao câncer. Revisões sistemáticas e metanálises demonstram eficácia significativa da toxina botulínica em dor neuropática periférica e síndromes dolorosas musculares, configurando evidência nível A”, comenta a médica.

Aplicação segura e contraindicações
A toxina botulínica é uma intervenção médica e a sua aplicação exige critérios de elegibilidade, além de uma avaliação médica minuciosa do estado geral do paciente, especialmente se ele estiver em tratamento oncológico ativo. “A literatura médica e a prática clínica demonstram que quando a toxina é usada na dose correta e com a indicação adequada, é um medicamento seguro. Entretanto, precisa ser aplicado por um médico experiente na área, pois sua dose, objetivos e modo de aplicação precisa ser cuidadosamente avaliado para evitar efeitos colaterais potencialmente graves”, destaca o Dr. Henrique.

Entre as principais contraindicações estão infecção ativa no local da aplicação, doenças neuromusculares, como Miastenia Gravis (doença autoimune que afeta a comunicação entre os nervos e os músculos), além de situações específicas de gestação e lactação, como explica Dra. Margareth. “Embora seja considerada segura quando aplicada por profissionais habilitados, existem contraindicações relativas e absolutas”, reforça.

Intervenção multidisciplinar
Um ponto importante a ser destacado é que a toxina botulínica não realiza o trabalho de forma isolada. O medicamento abre uma “janela de oportunidade” terapêutica ao relaxar a musculatura e mitigar a dor crônica, ele possibilita ao paciente a ter maior capacidade física necessária para responder melhor às terapias de reabilitação, como destaca o médico fisiatra. “A toxina botulínica é um dos braços de um tratamento complexo formado por vários profissionais de diferentes áreas. Ela não é um tratamento isolado e soberano. Precisa ser associado com terapias físicas como fisioterapia e terapia ocupacional, com outros medicamentos, uso de órteses ou outros dispositivos para potencializar os resultados”, explica.

Essa visão reforça que o sucesso da reabilitação oncológica depende fundamentalmente de um olhar integral ao paciente, além de expandir as possibilidades de tratamento para proporcionar uma qualidade de vida e autonomia.

Sobre as unidades de Reabilitação do HA
Reabilitar a saúde física, mental, intelectual, auditiva e visual, promover qualidade de vida e autonomia são os principais objetivos das unidades de Reabilitação do Hospital de Amor. O sucesso do resultado da reabilitação é devido à utilização da tecnologia, mas principalmente à expertise, o amor e o carinho que os profissionais têm com os pacientes.

Só em 2025, foram 134.925 atendimentos realizados, somando os atendimentos médicos de neuropediatra, oftalmologista, fisiatra, pediatra, entre outras especialidades, com os da equipe multidisciplinar (fisioterapeuta, terapeuta ocupacional, nutrição, entre outras), nas três unidades de Reabilitação do Hospital de Amor: em Araguaína (TO), Barretos (SP) e Porto Velho (RO).

Além dos atendimentos médicos e com a equipe multidisciplinar, foram confeccionados e dispensados pelas oficinas ortopédicas 3.521 dispositivos (órteses e próteses), somando os números nas três unidades: 1.022 dispensados pela unidade de Araguaína (TO), 1.771 dispositivos dispensados pela unidade de Barretos (SP) e 728 dispensados pela unidade de Porto Velho (RO).