Com presença do presidente Lula, a cerimônia também reuniu anúncios para financiamento da cirurgia robótica no SUS, ampliação do tratamento oncológico, conectividade em saúde, transporte sanitário e modernização da radioterapia.
O Hospital de Amor apresentou nesta sexta-feira, dia 15 de maio, em Barretos (SP), o projeto do novo Centro de Pesquisa Clínica e Cirurgia Robótica, uma estrutura planejada para ampliar a capacidade da instituição em integrar assistência oncológica, inovação médica, produção científica, formação profissional e acesso a tratamentos de alta complexidade.
O empreendimento representa uma nova etapa na trajetória do HA, que há mais de seis décadas atua no cuidado oncológico 100% gratuito, aliando tecnologia, humanização e compromisso social. Com a nova estrutura, a instituição pretende acelerar o acesso de pacientes a terapias inovadoras, ampliar a realização de procedimentos cirúrgicos de alta precisão e fortalecer a produção de conhecimento científico aplicada à realidade do Sistema Único de Saúde.

Projeto do novo Centro de Pesquisa Clínica e Cirurgia Robótica do Hospital de Amor.
A cerimônia de lançamento da pedra fundamental contou com a presença do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, da senhora Janja Lula da Silva, do vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, da senhora Lu Alckmin, do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, do ministro das Comunicações, Frederico de Siqueira Filho, do prefeito de Barretos, Odair Silva, da senhora Roselaine Guimarães e do vice-prefeito de Barretos, Mussa Calil Neto, além de parceiros institucionais, lideranças médicas nacionais e internacionais, profissionais da saúde e convidados ligados ao desenvolvimento da cirurgia robótica, da telecirurgia, da telementoria e da pesquisa clínica.

Medidas anunciadas durante a cerimônia são consideradas a maior entrega já realizada pelo SUS na área oncológica.
Durante a agenda, também foram anunciadas medidas voltadas ao fortalecimento da oncologia e da infraestrutura de saúde pública no país, incluindo o envio para pactuação na Comissão Intergestores Tripartite (CIT) da nova tabela de custeio do programa Agora Tem Especialistas para o tratamento do câncer; a criação de financiamento permanente da cirurgia robótica para câncer de próstata no SUS, com investimento de R$ 50 milhões; a assinatura de portaria de parcela suplementar de R$ 129 milhões ao Hospital de Amor; a assinatura do TED entre o Ministério da Saúde e o Ministério das Comunicações para criação da Rede de Conectividade Saúde Brasil de Alta Performance e Segurança; e a assinatura do edital de compra de novos aceleradores lineares.
Os anúncios integram um pacote de investimentos de R$ 2,2 bilhões do Governo Federal para ampliar o acesso a tratamentos contra o câncer no SUS, incluindo a oferta de 23 medicamentos oncológicos de alto custo, a ampliação da radioterapia e outras frentes estratégicas para qualificar o atendimento oncológico na rede pública.
Para Henrique Prata, presidente do Hospital de Amor, a presença do presidente Lula, do vice-presidente Geraldo Alckmin, dos ministros e das demais autoridades em Barretos representa o reconhecimento de uma construção coletiva em favor dos pacientes do SUS.

Presidente do Hospital de Amor, Henrique Prata, aproveitou para fazer um histórico dos avanços realizados pela instituição nas últimas décadas.
“A presença do presidente Lula, do vice-presidente Geraldo Alckmin, dos ministros e de todas as autoridades aqui em Barretos tem um significado muito grande para o Hospital de Amor e, principalmente, para os pacientes que dependem do SUS. Muitos avanços que conquistamos até aqui só foram possíveis porque encontramos apoio, escuta e compromisso com a saúde pública. E os anúncios assinados hoje abrem um novo caminho para que possamos fazer ainda mais: ampliar o acesso à cirurgia robótica oncológica, fortalecer a pesquisa, melhorar a estrutura e levar mais esperança a quem precisa. O Hospital de Amor sempre acreditou que o paciente do SUS merece ter acesso ao que há de melhor. A inovação só faz sentido quando chega ao paciente com dignidade, segurança e amor”, afirma Henrique Prata.
Durante a cerimônia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou a importância do Hospital de Amor no fortalecimento do Sistema Único de Saúde e da ampliação do acesso da população a tratamentos de alta complexidade.
“O SUS está provando que aquilo que é público, quando é feito com respeito, dignidade e justiça, aquilo que é público é muito melhor”, afirmou o presidente Lula.
Pesquisa clínica: acesso a novas possibilidades de tratamento
Na frente da pesquisa clínica, o Hospital de Amor já se consolidou como um dos principais polos do país. Em 2025, a instituição realizou mais de 9.500 atendimentos na área, manteve 233 protocolos ativos e acompanhou quase 800 pacientes em tratamento por meio de estudos clínicos.
Esses números refletem a relevância da instituição na condução de pesquisas de alta complexidade, muitas delas realizadas em parceria com patrocinadores nacionais e internacionais. Também evidenciam o papel da pesquisa clínica como caminho para ampliar o acesso ético e seguro de pacientes a terapias inovadoras, especialmente em oncologia.
Com o novo Centro de Pesquisa Clínica e Cirurgia Robótica, o HA busca ampliar sua capacidade operacional, qualificar fluxos, fortalecer parcerias estratégicas com a indústria farmacêutica e instituições de pesquisa, além de aumentar a participação em estudos que possam gerar impacto direto na vida dos pacientes.
Segundo Mariana Fabro Mengatto, gerente de Pesquisa Clínica do Hospital de Amor, a ampliação da estrutura representa um avanço importante tanto para os pacientes quanto para a ciência produzida no Brasil.
“A pesquisa clínica é uma ponte entre o conhecimento científico e o cuidado real com o paciente. Ao ampliar essa estrutura, o Hospital de Amor fortalece sua capacidade de participar de estudos relevantes, oferecer acesso a terapias inovadoras e contribuir para respostas que podem impactar a oncologia no Brasil e no mundo”, destaca Mariana.
No contexto do Hospital de Amor, essa atuação ganha ainda mais relevância por estar integrada a uma rede de atendimento 100% gratuito. A pesquisa clínica, nesse cenário, não se limita à produção científica, ela também amplia possibilidades terapêuticas para pacientes que, muitas vezes, enfrentam doenças complexas e necessitam de alternativas mais avançadas de tratamento.
Cirurgia robótica: precisão, segurança e melhores desfechos
A cirurgia robótica também ocupa lugar central no novo projeto. O Hospital de Amor está entre as instituições filantrópicas pioneiras na adoção dessa tecnologia no Brasil, com a incorporação do primeiro sistema robótico em 2014.
Desde então, a instituição já realizou milhares de procedimento robóticos em especialidades como cirurgia colorretal, aparelho digestivo, urologia, ginecologia, cirurgia torácica e cabeça e pescoço. O anúncio do financiamento permanente da cirurgia robótica para câncer de próstata no SUS, realizado durante a cerimônia, reforça a importância dessa tecnologia para ampliar o acesso de pacientes da rede pública a procedimentos de alta complexidade. Para o Hospital de Amor, que já atua nessa frente há mais de uma década, a medida fortalece o debate sobre escala, formação profissional, sustentabilidade e incorporação responsável de tecnologias avançadas na oncologia pública.
De acordo com o Dr. Luis Gustavo Capochin Romagnolo, médico cirurgião, diretor científico do IRCAD e diretor de Inovação do Hospital de Amor, a robótica deve ser compreendida como uma ferramenta a serviço do paciente, não apenas como uma inovação tecnológica isolada.

Autoridades conheceram de perto o parque tecnológico do IRCAD, em Barretos (SP).
“A transformação da saúde não acontece apenas pela chegada de novas tecnologias, mas pela forma como elas são incorporadas, avaliadas e colocadas em prática. A robótica precisa estar ligada à ética, à evidência, à responsabilidade institucional e ao propósito de ampliar o acesso a um cuidado mais preciso, seguro e humano”, afirma.
Além da aplicação cirúrgica, a robótica também tem sido incorporada no HA em frentes como a reabilitação, auxiliando pacientes na recuperação funcional de forma mais estruturada, segura e progressiva. Essa integração permite que a tecnologia esteja presente em diferentes etapas da jornada de cuidado, do tratamento à retomada da qualidade de vida.
Incorporação responsável da tecnologia
A adoção da robótica em saúde exige planejamento estratégico, avaliação de impacto, capacitação rigorosa das equipes e integração entre diferentes áreas da instituição. No Brasil e na América Latina, os sistemas robóticos ainda envolvem custos elevados de aquisição, manutenção, insumos, garantias e suporte técnico, o que torna sua incorporação um desafio especialmente relevante para instituições filantrópicas e hospitais que atendem pelo SUS.
No Hospital de Amor, a decisão de incorporar novas tecnologias parte de um princípio central: avaliar o benefício real para o paciente e a possibilidade de transformar inovação em acesso. Isso envolve análise de viabilidade, organização de fluxos, formação de equipes, acompanhamento de indicadores e construção de parcerias que tornem o modelo sustentável ao longo do tempo.
Para Dr. Romagnolo, o sucesso da robótica depende tanto da tecnologia quanto da maturidade institucional para utilizá-la com responsabilidade.
“A robótica não pode ser tratada apenas como a aquisição de um equipamento. Ela exige equipe preparada, protocolos bem definidos, engenharia clínica atuante, integração entre médicos, enfermagem, gestão e áreas técnicas, além de acompanhamento permanente dos resultados. Quando bem estruturada, contribui para mais segurança, eficiência e qualidade assistencial”, explica.
A capacitação dos cirurgiões segue etapas formais e criteriosas, incluindo aulas teóricas, treinamento em simuladores, observação de casos, participação como auxiliar em procedimentos robóticos e cirurgias supervisionadas por profissionais experientes. A parceria com o IRCAD América Latina fortalece esse processo, oferecendo ambiente de treinamento, simulação e atualização contínua em cirurgia minimamente invasiva e robótica.
Conectividade para telecirurgia robótica
Entre as medidas recém anunciadas, a criação da Rede de Conectividade Saúde Brasil de Alta Performance e Segurança também representa um passo importante para o avanço da saúde digital e da inovação assistencial no SUS.
A iniciativa deve conectar as unidades do Hospital de Amor em Barretos (SP) e em Porto Velho (RO), com o objetivo de viabilizar as primeiras telecirurgias robóticas do SUS. Com investimento preliminar de R$ 2 milhões, a previsão é que os primeiros procedimentos sejam realizados a partir de julho de 2026.

Autoridades conhecem o projeto do novo Centro de Pesquisa Clínica e Cirurgia Robótica do Hospital de Amor.
Ao destacar a iniciativa, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, ressaltou que a nova rede deve garantir a segurança necessária para procedimentos de alta complexidade realizados à distância.
“Com essa nova rede que estamos criando com o Ministério das Comunicações, criando uma rede própria de alta performance que era utilizada somente pela Defesa e agora vai ser usada pela Saúde, garantindo essa conexão permanente para dar segurança, permitindo que o hospital daqui faça cirurgia em Porto Velho”, disse o ministro.
A conectividade de alta performance é considerada essencial para garantir segurança, estabilidade e precisão em procedimentos realizados ou orientados à distância. A medida também fortalece possibilidades de telementoria, capacitação de equipes e ampliação do suporte especializado a diferentes regiões do país.
Inovação com escala assistencial e compromisso social
O novo Centro de Pesquisa Clínica e Cirurgia Robótica nasce em um momento em que o setor de saúde enfrenta o desafio de conciliar inovação, produtividade assistencial e sustentabilidade econômica. No Hospital de Amor, essa equação ganha contornos ainda mais complexos, já que a instituição mantém um modelo de atendimento 100% gratuito, voltado a pacientes do SUS de todo o país.
Para Henrique Moraes Prata, diretor de Desenvolvimento Institucional e Parcerias Estratégicas do HA, o projeto reforça a importância da articulação entre assistência, ciência, tecnologia, parceiros e compromisso social.
“Um projeto dessa dimensão só se torna possível quando diferentes forças se unem em torno de um propósito comum. O Hospital de Amor tem uma história construída com parceiros, doadores, profissionais e instituições que acreditam que inovação também é uma forma de ampliar acesso. Este centro nasce com essa visão: transformar conhecimento, tecnologia e colaboração em cuidado concreto para o paciente”, afirma.
A nova estrutura também deverá contribuir para ampliar a formação de profissionais, fortalecer a disseminação de conhecimento técnico e impulsionar novas possibilidades em áreas como telecirurgia, telementoria, cirurgia minimamente invasiva, pesquisa aplicada e inovação em oncologia.
A telementoria e a telecirurgia, por exemplo, despontam como caminhos promissores para ampliar o suporte técnico a equipes médicas, permitindo que especialistas acompanhem, orientem ou auxiliem procedimentos à distância. Na prática, esses recursos podem favorecer a disseminação de conhecimento, aumentar a segurança em procedimentos complexos e contribuir para a formação de profissionais em diferentes regiões.
IRCAD: 15 anos de formação cirúrgica no Brasil
A cerimônia também marcou o início da celebração dos 15 anos do IRCAD no Brasil. Instalado em Barretos desde 2011, o centro integra o ecossistema do Hospital de Amor e se consolidou como uma das principais referências em treinamento de cirurgia minimamente invasiva da América Latina.
Ao longo de sua trajetória no país, o IRCAD contribuiu para a capacitação de mais de 20 mil profissionais, disseminando conhecimento técnico, protocolos cirúrgicos e padrões de excelência para médicos do Brasil e do exterior.
A presença do IRCAD no ambiente do HA fortalece uma das principais características da instituição: a integração entre assistência, ensino, pesquisa e inovação. Essa conexão permite que o conhecimento produzido e compartilhado no centro de treinamento dialogue diretamente com a prática clínica, beneficiando profissionais, equipes de saúde e pacientes.
Um novo capítulo para a oncologia no Brasil

Presidente do Hospital de Amor, Henrique Prata, apresenta os próximos passos da instituição no avanço tecnológico e científico.
Ao reunir pesquisa clínica, cirurgia robótica, formação médica e inovação em uma mesma estrutura, o novo centro reforça o posicionamento do Hospital de Amor como uma instituição voltada não apenas ao tratamento do câncer, mas também à construção de soluções para o futuro da oncologia.
Os anúncios realizados durante a cerimônia ampliam esse contexto ao fortalecer frentes estruturantes para a saúde pública, como o custeio do tratamento oncológico, o financiamento da cirurgia robótica, a conectividade segura em saúde, o transporte sanitário e a expansão da radioterapia.
Mais do que ampliar espaços físicos ou incorporar equipamentos, o projeto busca fortalecer um modelo em que tecnologia e ciência estejam a serviço de uma assistência mais precisa, segura, humana e acessível.
