
O aumento e o envelhecimento populacional têm contribuído para a ampliação dos casos de câncer. Segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA), estima-se cerca de 704 mil novos casos de câncer por ano no Brasil no triênio 2023-2025. A Organização Mundial de Saúde (OMS) projeta um aumento de casos da doença no país até 2025, podendo ultrapassar 1 milhão.
“Doutor, esse tumor é câncer?”
Certamente esta pergunta está entre as mais frequentes nos consultórios médicos, especialmente nas especialidades que lidam com diagnósticos geralmente complexos, como a neurocirurgia oncológica. O temor associado à palavra câncer é compreensível e estigmatizante, alimentado por medo, ansiedade e sensação de terminalidade. Mas a medicina reforça um ponto essencial: nem todo tumor é câncer!
Segundo o coordenador do Departamento de Neurocirurgia Oncológica do Hospital de Amor, em Barretos (SP), Dr. Ismael Lombardi, tumor e câncer não são sinônimos, não são a mesma coisa. “Para nós, médicos, tumor é um termo que descreve um renascimento anormal de células, formando uma massa ou lesão”, explica o profissional.
Esse crescimento pode ocorrer em diferentes partes do corpo, inclusive no cérebro e na coluna. No entanto, a simples presença de um tumor não define malignidade e nem mesmo se tratar de doença oncológica. Um exemplo simples seria um hematoma no braço, causado por um acidente, trauma ou pancada, onde se formam os famosos ‘roxos na pele’. Esses ‘roxos’ nada mais são do que sangue que se extravasaram de vasos que se romperam no trauma e se acumulou abaixo da pele, formando uma coleção de sangue, segundo Dr. Lombardi.
Essa coleção, localizada agora onde não deveria existir, pode ser considerada uma tumoração e nada tem de relação com oncologia. Outro fator de grande confusão são os conceitos de tumores benignos e malignos. O médico explica que os tumores podem ser classificados, de maneira geral, em benignos e malignos.
Tumor maligno x tumor benigno
Os tumores malignos são aqueles que podemos chamar de câncer. Estas lesões apresentam características específicas de agressividade, conhecidas como marcas do câncer (câncer hall-marks). Entre elas, estão o crescimento descontrolado, a capacidade de escapar dos mecanismos de defesa do organismo e, principalmente, a invasão dos tecidos vizinhos e disseminação de células doentes que se implantam em outros órgãos, chamadas de metástases.
A própria origem do nome ajuda a entender esse comportamento. A palavra câncer vem do latim cancer, que significa caranguejo. A metáfora ilustra bem a doença: o corpo do caranguejo representa o tumor principal, enquanto as patas simbolizam as células que se infiltram nos tecidos adjacentes, tornando o tratamento mais complexo.
Quando o câncer apresenta comportamentos mais agressivos e se espalha por diferentes órgãos e sistemas, por meio das metástases, pode tornar o tratamento mais complexo e muitas vezes limitado. Daí a grande importância de bons hábitos de vida saudáveis, tratamento preventivo e rastreamento precoce de doença conforme os protocolos disponíveis. Claro que, infelizmente, nem todos os tipos de câncer podem ser prevenidos ou diagnosticados precocemente, mas as boas práticas em saúde podem contribuir na prevenção e rastreio precoce de muitos tipos de câncer comuns.
Já os tumores benignos apresentam crescimento mais lento, são geralmente bem delimitados e não invadem os tecidos ao redor. Eles não formam metástases e, em muitos casos, podem ser apenas acompanhados ou tratados com cirurgia ou tratamentos menos invasivos. “Na neurocirurgia, exemplos incluem meningiomas de baixo grau, schwannomas e outras lesões que não são câncer. Fora do sistema nervoso, exemplos comuns são lipomas, miomas uterinos e cistos simples, que sequer fazem parte da oncologia.
“E os tumores benignos podem virar câncer?”
Essa é outra dúvida muito comum no nosso dia a dia médico. Na maioria das vezes, tumores benignos não se transformam em malignos. Eles mantêm seu comportamento benigno ao longo do tempo. No entanto, existem situações específicas e raras em que certas lesões podem apresentar transformação maligna, especialmente quando há fatores genéticos, crescimento atípico ou alterações celulares progressivas. Por isso, o acompanhamento médico é fundamental e indispensável.
Também não é incomum observarmos pacientes que deixam de manter seguimento médico por deduzirem que, se seu tumor é benigno, não há necessidade de seguimento. E por isso podem se prejudicar e dificultar o tratamento mais a frente. Tumores benignos oncológicos, não dispensam o seguimento oncológico especializado por seu potencial de crescimento ou impacto funcional”, afirma Dr. Ismael.
O profissional esclarece que, explicadas essas características, obviamente o tratamento dos tumores é diferente entre benignos e malignos. O tratamento depende do tipo de lesão, localização, sintomas e comportamento biológico. “Lesões benignas podem ser apenas acompanhadas com exames periódicos ou tratadas com cirurgia quando causam sintomas, crescimento progressivo ou compressão de estruturas importantes, como no cérebro. Já as lesões malignas (câncer), geralmente exigem tratamento multimodal, que pode incluir cirurgia, radioterapia, quimioterapia ou terapias-alvo, dependendo do caso. O objetivo do tratamento também deve considerar as condições do paciente como um todo, o quanto o paciente suporta determinado tratamento e principalmente tentar oferecer melhora ao longo do tempo. Na neurocirurgia oncológica, o objetivo é sempre equilibrar controle da doença com preservação da função neurológica e qualidade de vida. O tratamento e os resultados esperados devem sempre ser claramente explicados ao paciente e este, uma vez ciente, concordar com as alternativas propostas”, declara.
Em geral, tratamentos que resultam em uma pior qualidade de vida para o paciente devem ser evitados. Ou seja, segundo Dr. Lombardi, entender que tumor não é sinônimo de câncer ajuda a reduzir a ansiedade e permite decisões mais conscientes sobre diagnóstico e tratamento. “A avaliação especializada é essencial para definir o comportamento da lesão e indicar a melhor abordagem, seja acompanhamento, cirurgia ou tratamento oncológico completo”, finaliza o coordenador do HA.

O aumento e o envelhecimento populacional têm contribuído para a ampliação dos casos de câncer. Segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA), estima-se cerca de 704 mil novos casos de câncer por ano no Brasil no triênio 2023-2025. A Organização Mundial de Saúde (OMS) projeta um aumento de casos da doença no país até 2025, podendo ultrapassar 1 milhão.
“Doutor, esse tumor é câncer?”
Certamente esta pergunta está entre as mais frequentes nos consultórios médicos, especialmente nas especialidades que lidam com diagnósticos geralmente complexos, como a neurocirurgia oncológica. O temor associado à palavra câncer é compreensível e estigmatizante, alimentado por medo, ansiedade e sensação de terminalidade. Mas a medicina reforça um ponto essencial: nem todo tumor é câncer!
Segundo o coordenador do Departamento de Neurocirurgia Oncológica do Hospital de Amor, em Barretos (SP), Dr. Ismael Lombardi, tumor e câncer não são sinônimos, não são a mesma coisa. “Para nós, médicos, tumor é um termo que descreve um renascimento anormal de células, formando uma massa ou lesão”, explica o profissional.
Esse crescimento pode ocorrer em diferentes partes do corpo, inclusive no cérebro e na coluna. No entanto, a simples presença de um tumor não define malignidade e nem mesmo se tratar de doença oncológica. Um exemplo simples seria um hematoma no braço, causado por um acidente, trauma ou pancada, onde se formam os famosos ‘roxos na pele’. Esses ‘roxos’ nada mais são do que sangue que se extravasaram de vasos que se romperam no trauma e se acumulou abaixo da pele, formando uma coleção de sangue, segundo Dr. Lombardi.
Essa coleção, localizada agora onde não deveria existir, pode ser considerada uma tumoração e nada tem de relação com oncologia. Outro fator de grande confusão são os conceitos de tumores benignos e malignos. O médico explica que os tumores podem ser classificados, de maneira geral, em benignos e malignos.
Tumor maligno x tumor benigno
Os tumores malignos são aqueles que podemos chamar de câncer. Estas lesões apresentam características específicas de agressividade, conhecidas como marcas do câncer (câncer hall-marks). Entre elas, estão o crescimento descontrolado, a capacidade de escapar dos mecanismos de defesa do organismo e, principalmente, a invasão dos tecidos vizinhos e disseminação de células doentes que se implantam em outros órgãos, chamadas de metástases.
A própria origem do nome ajuda a entender esse comportamento. A palavra câncer vem do latim cancer, que significa caranguejo. A metáfora ilustra bem a doença: o corpo do caranguejo representa o tumor principal, enquanto as patas simbolizam as células que se infiltram nos tecidos adjacentes, tornando o tratamento mais complexo.
Quando o câncer apresenta comportamentos mais agressivos e se espalha por diferentes órgãos e sistemas, por meio das metástases, pode tornar o tratamento mais complexo e muitas vezes limitado. Daí a grande importância de bons hábitos de vida saudáveis, tratamento preventivo e rastreamento precoce de doença conforme os protocolos disponíveis. Claro que, infelizmente, nem todos os tipos de câncer podem ser prevenidos ou diagnosticados precocemente, mas as boas práticas em saúde podem contribuir na prevenção e rastreio precoce de muitos tipos de câncer comuns.
Já os tumores benignos apresentam crescimento mais lento, são geralmente bem delimitados e não invadem os tecidos ao redor. Eles não formam metástases e, em muitos casos, podem ser apenas acompanhados ou tratados com cirurgia ou tratamentos menos invasivos. “Na neurocirurgia, exemplos incluem meningiomas de baixo grau, schwannomas e outras lesões que não são câncer. Fora do sistema nervoso, exemplos comuns são lipomas, miomas uterinos e cistos simples, que sequer fazem parte da oncologia.
“E os tumores benignos podem virar câncer?”
Essa é outra dúvida muito comum no nosso dia a dia médico. Na maioria das vezes, tumores benignos não se transformam em malignos. Eles mantêm seu comportamento benigno ao longo do tempo. No entanto, existem situações específicas e raras em que certas lesões podem apresentar transformação maligna, especialmente quando há fatores genéticos, crescimento atípico ou alterações celulares progressivas. Por isso, o acompanhamento médico é fundamental e indispensável.
Também não é incomum observarmos pacientes que deixam de manter seguimento médico por deduzirem que, se seu tumor é benigno, não há necessidade de seguimento. E por isso podem se prejudicar e dificultar o tratamento mais a frente. Tumores benignos oncológicos, não dispensam o seguimento oncológico especializado por seu potencial de crescimento ou impacto funcional”, afirma Dr. Ismael.
O profissional esclarece que, explicadas essas características, obviamente o tratamento dos tumores é diferente entre benignos e malignos. O tratamento depende do tipo de lesão, localização, sintomas e comportamento biológico. “Lesões benignas podem ser apenas acompanhadas com exames periódicos ou tratadas com cirurgia quando causam sintomas, crescimento progressivo ou compressão de estruturas importantes, como no cérebro. Já as lesões malignas (câncer), geralmente exigem tratamento multimodal, que pode incluir cirurgia, radioterapia, quimioterapia ou terapias-alvo, dependendo do caso. O objetivo do tratamento também deve considerar as condições do paciente como um todo, o quanto o paciente suporta determinado tratamento e principalmente tentar oferecer melhora ao longo do tempo. Na neurocirurgia oncológica, o objetivo é sempre equilibrar controle da doença com preservação da função neurológica e qualidade de vida. O tratamento e os resultados esperados devem sempre ser claramente explicados ao paciente e este, uma vez ciente, concordar com as alternativas propostas”, declara.
Em geral, tratamentos que resultam em uma pior qualidade de vida para o paciente devem ser evitados. Ou seja, segundo Dr. Lombardi, entender que tumor não é sinônimo de câncer ajuda a reduzir a ansiedade e permite decisões mais conscientes sobre diagnóstico e tratamento. “A avaliação especializada é essencial para definir o comportamento da lesão e indicar a melhor abordagem, seja acompanhamento, cirurgia ou tratamento oncológico completo”, finaliza o coordenador do HA.