Por ano, em média, 300 crianças são diagnosticadas com câncer apenas no Hospital de Amor Infantojuvenil, em Barretos (SP) – centro de referência em tratamento oncológico na América Latina. De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o câncer infantojuvenil já representa a primeira causa de morte (8% do total) por doença entre crianças e adolescentes de 1 a 19 anos. Porém, o câncer também pode ser desenvolvido na fase inicial da vida. Nestes casos, há dois cenários: tumores em bebês intraúteros e tumores em bebês lactentes. Os intraúteros ocorrem quando a mulher está gravida e o bebê está com um tumor; já os lactentes acontecem quando o câncer se desenvolve em crianças recém-nascidas, sendo a leucemia o tipo mais comum nesses casos.
Quando se pensa em câncer, logo se pensa em prevenção também, mas em casos de câncer infantojuvenil, este é um assunto delicado. Em relação aos tumores intraúteros e em lactentes, existem fatores de risco que podem estar associados à exposição da mãe ou do pai a agentes cancerígenos, ou a alimentos ingeridos na gravidez que estejam associados à carcinogênese. Há também tumores que derivam de alterações que acontecem durante a embriogênese e não estão relacionados às exposições parentais, como por exemplo, os tumores de células germinativas – frequentes em intraúteros na região sacral ou de cabeça e pescoço.
De acordo com o diretor médico da unidade infantojuvenil do HA, Dr. Luiz Fernando Lopes, as células germinativas primordiais na quarta semana da gravidez devem migrar do cérebro até às gônadas, mas, por mecanismos ainda não totalmente identificados, podem parar sua migração e sofrer alteração genética, dando origem aos tumores de células germinativas que acontecem intraútero, na infância ou na adolescência.
De acordo com o Journal SAGE, os teratomas sacrococcígeos são os tumores de células germinativas mais comum em neonatos (crianças recém-nascidas), ocorrendo em, aproximadamente, 1 em 27.000 nascidos vivos, com prevalência no sexo feminino. Ao nascer, a grande maioria dos teratomas são benignos, porém, ele é capaz de manifestar degeneração maligna (e isso pode ocorrer em crianças com idade avançada também).
No caso das leucemias, mais comum entre os lactentes, o exame de sangue em recém-nascidos ou até 18 meses pode identificar facilmente as alterações; e o exame do mielograma irá confirmar se trata-se de um caso de leucemia de lactente.
No caso dos teratomas, o tratamento é cirúrgico. Importante destacar a necessidade do procedimento ser realizado por um cirurgião oncológico especialista, já que a retirada total do tumor e acompanhamento do paciente são essenciais. Isso porque poucos teratomas possuem componentes malignos, mas se os profissionais não conseguirem removê-lo completamente, há uma grande probabilidade de o tumor voltar maligno após um tempo.
Desfilar na passarela, atrair muitos olhares, brilhar e ser protagonista dos holofotes faz parte do sonho de muitas jovens. Com a Ingrid Assis não é diferente! Natural do Amapá (AP), a adolescente de 15 anos parece ser uma jovem comum, mas apenas parece, pois tem algo de realeza nesta história de superação. Cheia de sonhos, desenvolta e muito vaidosa, ela precisou se mudar para Barretos (SP) para dar início ao seu tratamento de osteossarcoma na tíbia direita, em março de 2022.
Elenita de Oliveira Silva, mãe da Ingrid e técnica em enfermagem, revela que a filha começou a apresentar dores no joelho. Após perceber que havia algo de errado com a jovem, ela então a levou para fazer exames e investigar o caso, foi quando receberam o diagnóstico de um tumor. Ao não ter recursos para um bom tratamento na sua cidade de origem e após receber o apoio de um parente que atua como médico ortopedista em Sorocaba (SP), e que conhece o HA, ele a ajudou nos tramites; foi quando a família da jovem decidiu se mudar para o interior de São Paulo.
“Eu conheci o HA por meio de um primo que me falou que o Hospital de Amor é um ótimo hospital e que tem um dos melhores tratamentos do Brasil. Vim para o estado de São Paulo ano passado e, na época, eu ainda não tinha certeza de que eu estava com câncer”, conta a jovem. Inicialmente, a esperança da família da garota é de que o tumor fosse benigno, mas infelizmente, a biópsia resultou em algo oposto ao desejo deles.“Na minha cabeça, era vir a Barretos, tirar o tumor e voltar para casa, achei que seria algo rápido, nada que mudasse a minha vida”, revela a adolescente. No entanto, após os exames foi constatado que o tumor era maligno e deste modo, a garota precisou passar pelo tratamento durante 31 semanas.
Ingrid explica que precisou fazer quimioterapia e que sofreu com a queda de cabelo e com tudo que os procedimentos oncológicos trazem aos pacientes. No meio desta jornada, a jovem precisou realizar uma operação na unidade infantojuvenil do HA. Ela fez a cirurgia, porém, devido à uma infecção, houve a necessidade da amputação da perna dela. “As pessoas aqui do hospital são muito acolhedoras e os médicos são atenciosos. No dia da minha amputação, meu pai me disse que o meu cirurgião quase chorou pela minha situação. Me sinto muito abraçada no Hospital de Amor”, relata a macapaense, sempre com um belo sorriso no rosto.
“Hoje ela é uma vencedora, graças a Deus e a este hospital. Eu estou muito feliz de ver como ela está e com a reabilitação dela. A fisioterapia aqui é maravilhosa. São processos e fases que ela tem vivido. Participar do concurso do rodeio trouxe mais ânimo e alegria para ela. Eu só tenho que agradecer a este local que nos acolheu tão bem”, conta Elenita ao ver a evolução de ver sua filha com a prótese.
Recomeço de uma nova história
Em abril deste ano, a jovem iniciou seu processo de reabilitação no HA, foi quando ela recebeu sua primeira prótese para poder voltar andar normalmente. A paciente conta com o apoio de uma equipe multiprofissional e da ‘Tia Deise’, como é carinhosamente conhecida a fisioterapeuta do HA, Deiseane Bonatelli. “A gente procura oferecer todo suporte necessário para que ela tenha uma maior independência na vida dela, para que ela possa fazer todas as necessidades possíveis”, conta Deise.
A profissional também revela a alegria de poder ajudar a garota a participar de um grande desafio. “Eu me sinto muito feliz de ver ela rainha do Rodeio pela Vida. Quando ela disse que iria entrar no concurso, eu combinei com ela para voltar aqui e treinar para andar bem bonito no dia da competição. Ela voltou, nós treinamos e ela venceu. Eu me sinto muito feliz por ela”, explica com os olhos marejados a ‘Tia’ que é muito querida por todos os pacientes, desde crianças, adultos e idosos.
Quando perguntada sobre o processo de aprendizado de voltar a andar, Ingrid, de imediato responde com um lindo sorriso no rosto: “Não tem limite. O seu limite é você mesmo, mas a prótese não te limita. Eu conheço um homem, pela internet, que escala com prótese”.
Mas engana-se quem pensa que Ingrid não tinha pisado em solo barretense antes de seu tratamento. “Eu vim a Barretos em 2019, para participar de um evento da igreja no qual congrego e nunca imaginei que eu voltaria para cá por outro motivo. É difícil, mas quando a gente entrega tudo nas mãos de Deus, tudo fica mais leve. Eu não sei até hoje porque eu perdi a minha perna, mas eu confio em Deus e sei que tudo tem um propósito”.
A competição e seu reinado
No início do ano, o HA abriu as inscrições para a 3ª edição do Rodeio Pela Vida 2023 – evento que acontece em Barretos (SP) e é organizado pela instituição, com renda 100% em prol do Hospital de Amor. Incentivada pela ‘Tia Lili’, uma das organizadoras do evento ‘Fadas Madrinhas’, Ingrid tomou coragem e fez sua inscrição.
Inicialmente, ela disse acreditar que no máximo ficaria no 3º lugar, pois o páreo parecia duro. Ao ser revelado seu nome como a rainha do rodeio, ela não escondeu a surpresa e ficou em êxtase. “Estou muito feliz de ter sido eleita a rainha, se puder, eu quero muito conhecer o padre Fábio de Mello e dar um abraço nele”, explica a garota entusiasmada.
Ao lado de Ingrid, o concurso elegeu a princesa, Jamily Yasmin Peres do Nascimento, e a madrinha Raquel Galvão de Oliveira. A 3ª edição do “Rodeio Pela Vida” teve início no dia 7 de junho e termina no dia 11 de junho, no Recinto Paulo de Lima Correa. Quando questionada sobre um conselho que a rainha daria para pessoas que estão passando pelo mesmo enfrentamento que recentemente ela concluiu, ela não titubeia e logo responde: “Se você está passando por um problema, confie em Deus que vai dar tudo certo.”
Você já ouviu falar sobre o câncer de endométrio? Saiba que sua incidência está aumentando em todo o mundo! Nos Estados Unidos, a doença já ultrapassou a do câncer de colo uterino e no Brasil os números também crescem. De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), a estimativa para novos casos no país, é de quase 8 mil por ano.
Segundo especialistas, o aumento dos casos está ligado a alguns fatores de riscos, principalmente a obesidade, que vem aumentando nas últimas décadas. São eles:
Diagnóstico
O sintoma mais comum de câncer de endométrio é o sangramento anormal entre os ciclos menstruais ou os sangramentos após a menopausa. Felizmente, os sintomas se manifestam em estágios iniciais e 90% dos casos são diagnosticados rapidamente, aumentando os índices de cura. Quando ocorre um sangramento anormal, é importante buscar ajuda médica. De acordo com o cirurgião ginecologista oncológico do Hospital de Amor, Dr. Ricardo dos Reis, o profissional deverá solicitar um exame de imagem (ultrassonografia transvaginal ou ressonância magnética pélvica), que avaliará a camada interna do endométrio e se ele está espessado ou irregular. “A espessura normal, em uma paciente após menopausa, na presença de sangramento uterino anormal, é de até quatro milímetros, a partir de cinco milímetros, há suspeitas de lesões e é necessário realizar uma biópsia”, explica.
A biópsia do endométrio pode ser realizada a nível de consultório com dispositivos específicos ou com uma curetagem (raspagem) sob sedação. Também pode ser realizado uma histeroscopia, endoscopia do útero (teste ouro para o diagnóstico), exame realizado para observar a cavidade uterina e o endométrio.
Tratamento
Na maioria das vezes, em estágios iniciais, o tratamento é realizado por meio de cirurgia. Ela pode ser aberta (com corte) ou minimamente invasiva, sendo robótica ou laparoscópica. Com o resultado anatomopatológico, são avaliados alguns critérios, como: tamanho da lesão, histologia, tipo e grau do tumor, se há invasão do músculo do útero ou do colo uterino e se há células tumorais comprometendo os gânglios linfáticos. Portanto, com os resultados, é possível avaliar se a paciente vai fazer tratamentos adjuvantes, como radioterapia e/ou quimioterapia.
O Hospital de Amor prioriza pela operação minimamente invasiva e respeita um protocolo ouro. Esse diferencial contribui para cirurgias em pacientes obesas, idosas e com comorbidades. “O HA se diferencia por oferecer cirurgia minimamente invasiva e robótica, e, desde outubro de 2020, se diferencia também em oferecer avaliação molecular para o câncer de endométrio, sendo uma das únicas instituições a disponibilizar esse serviço no Brasil pelo Sistema Único de Saúde (SUS)”, destaca Dr. Ricardo.
Diagnóstico Molecular
O diagnóstico molecular é um conjunto de métodos genéticos, visando a investigação de alvos de interesse a partir da análise do material genético, o DNA e o RNA, para identificar mutações genéticas que, neste caso, podem estar associadas ao desenvolvimento de diversos tipos de câncer.
Com o diagnóstico molecular, os médicos podem identificar as mutações específicas que estão presentes no câncer de um paciente, ajudar no seu diagnóstico mais preciso e escolher o tratamento mais eficaz com base nos resultados. Isso pode incluir terapias direcionadas, que atacam diretamente as células cancerígenas com essas mutações específicas.
Estudos recentes descobriram uma nova classificação molecular do câncer de endométrio e desde 2020, o Laboratório de Diagnóstico Molecular do Hospital de Amor realiza essa avaliação molecular em todas as pacientes da instituição com tumor de endométrio.
Por meio da avaliação molecular do gene POLE, TP53 e análise da instabilidade de microssatélite (MSI) é possível classificar os tumores de endométrio em quatro grupos. É importante enfatizar que os estudos identificaram, até hoje, que esses quatro grupos moleculares trazem, principalmente, uma avaliação e uma caracterização clara do prognóstico das pacientes. Então, esse conhecimento permite uma tomada de decisão mais informada e precoce, pois avalia de forma mais adequada o prognóstico e, com isso, é possível proceder com um seguimento após tratamento de forma individualizada.
Para o cirurgião, o impacto principal no manejo clínico, nesse momento, é caracterizar essas pacientes em grupos de risco de recidiva da doença. “Com o diagnóstico molecular, eu sei se é uma paciente ‘de melhor prognóstico’ e com isso ter um acompanhamento mais individualizado e em algumas vezes sem a necessidade de pedir exames radiológicos para seguimento, e o oposto, onde terei que ficar mais vigilante e atento no seguimento. Então, realmente, eu acho que eu personalizo o seguimento oncológico após tratamento e acho que isso é importante. Também, num futuro próximo, poderemos individualizar a indicação de tratamentos adjuvantes com radioterapia e/ou quimioterapia baseado na avaliação molecular”, ressalta.
Além dos impactos no tratamento do paciente, há também um impacto econômico. Neste momento, o objetivo das pesquisas mundiais sobre o tema é ter, em breve, uma individualização para o tratamento adjuvante, ou seja, algumas pacientes, de algum grupo, talvez não precisem receber radioterapia e hoje, o Hospital de Amor realiza em todas. Então, no futuro, os profissionais poderão dividir, conforme o diagnóstico molecular, algumas pacientes não vão precisarão fazer tratamentos adjuvante. “A preocupação econômica também está presente na evolução do teste, que vai passar a ser realizada em um único ensaio de sequenciamento de última geração, tornando-o mais barato, além de mais rápido”, revela o coordenador científico do Laboratório de Diagnóstico Molecular do HA, Dr. Rui Manuel Reis,
Em média, 85 novos casos de câncer de endométrio chegam no Hospital de Amor anualmente. Até o momento, a instituição conta com mais de 220 pacientes no banco de dados, com avaliação molecular.
Oferecer tratamento de qualidade e de maneira humanizada é rotina no Hospital de Amor, principalmente, porque é comum haver o aumento de ansiedade antes e durante qualquer procedimento realizado pelos pacientes, sobretudo quando esses pacientes são crianças e adolescentes. Segundo o médico cirurgião pediátrico do HA, Dr. Wilson Oliveira Junior, no Brasil, são mais de 12 mil casos por ano de crianças e adolescentes, de 0 a 19 anos, que passarão por procedimentos invasivos, como coletas de sangue, quimioterapias e cirurgias, apenas no tratamento oncológica.
Com o objetivo de poder oferecer mais conforto para esses pacientes da unidade infantojuvenil, em Barretos (SP), onde são diagnosticados cerca de 300 novos casos por ano, os profissionais do HA, em parceria com o estúdio Goblin e sob liderança do Dr. Wilson, desenvolveram o projeto ‘O chamado do Herói’, que, com o uso da realidade virtual, permite que o paciente esteja em outro ‘universo’ durante a realização do procedimento, possibilitando, assim, que ele sinta a sensação no mundo real, mas com um significado também no jogo.
O desenvolvedor de jogos e um dos fundadores da Goblin, Chris Silva, revela que o projeto ainda passa por adaptação e melhorias, mas o game que foi criado do zero especialmente para as crianças que tratam no HA já traz muitos benefícios. Além da felicidade que vem trazendo aos pequenos, ‘O chamado do Herói’ ficou em 2º lugar no programa Centelha, iniciativa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI).
Segundo o especialista do HA, nenhum outro hospital brasileiro (seja da rede particular ou SUS) oferece serviço semelhante ou equivalente às crianças com câncer. “A possibilidade de redução de dor e ansiedade das crianças e seus familiares traz efeitos benéficos a curto, médio e longo prazo, o que além de suavizar o tratamento e melhorar a dignidade dos indivíduos, traz redução de custos hospitalares, por exemplo, menos medicações para anestesia ou redução da dor, além do impacto extremamente positivo na vida social destes pacientes após o término do tratamento”, explica o médico. Ele conta, ainda, que todas as crianças acima de 3 anos, em tratamento para o câncer, podem ser beneficiadas com esta solução apresentada pelo programa.
“Até o momento, a aplicação foi oferecida a oito crianças que necessitaram de anestesia para realização de procedimento de quimioterapia intra-tecal”, conta o Dr. Wilson. O médico explica que a utilização dos óculos reduziu de forma expressiva a ansiedade da criança (e de seus pais) desde antes da entrada no Centro Cirúrgico, se mantendo e facilitando todo o processo”. Ao final, todas as crianças convidadas para participar da experiência relataram que o procedimento foi divertido e que em uma próxima vez que necessitassem de anestesia, elas iriam com muito mais tranquilidade ao Centro Cirúrgico do HA.
O enfrentamento da doença
O médico detalha que a trajetória da criança com câncer, de um modo geral, desde o diagnóstico até a cura (ou a paliação com dignidade) é um longo caminho, uma jornada hercúlea, digna de grandes heróis míticos. “O nosso projeto vem suavizar esta jornada. Esse programa nasceu por meio da observação do sofrimento diário das crianças com câncer diante dos inúmeros procedimentos que são submetidas todos os dias”, conta Wilson.
De acordo com o cirurgião, crianças com câncer, por realizarem inúmeros procedimentos invasivos que necessitam de anestesia, tendem a apresentar quadros ansiosos potencialmente exacerbados. Este quadro pode trazer inúmeros prejuízos para os pacientes, prejudicando a adesão e o tratamento em si. Desta forma, buscar métodos de redução de ansiedade é um desafio para a equipe envolvida no cuidado da criança, dentre estes métodos, aqueles que promovem distração antes e durante os procedimentos, especialmente, por meio de métodos audiovisuais, possuem um bom resultado.
Oliveira explica que o produto, ainda em desenvolvimento e validação, faz parte do projeto de Mestrado Profissional de Inovação em Saúde do HA da médica anestesiologista pediátrica do Hospital de Amor infantojuvenil, Dra. Leticia Bachette, e além de ser inovador por usar tecnologia de realidade virtual imersiva, será o pioneiro na sua aplicação em crianças oncológicas.
Em busca de uma solução para o alívio da dor e da ansiedade que a criança e seus familiares sofrem, sabe-se que atividades lúdicas são formas de ajudar as crianças a entender todo o procedimento que será submetida, ajudando-as a processar emoções, sentimentos e preocupações de uma forma mais fácil e menos ameaçadora. O médico comenta que dentro desse contexto, o uso da gamificação, que se utiliza da interação associada a um design de jogo num contexto que não seja de jogo, transforma procedimentos traumáticos, como uma punção venosa, por exemplo, em uma experiencia prazerosa e divertida. Para facilitar este processo, o uso de tecnologias imersas como a Realidade Virtual (RV) estende o ambiente sensorial da criança simulando a realidade física através da tecnologia.
Segundo o cirurgião, no “O Chamado do Herói”, a intenção é que a criança seja a protagonista da própria aventura. Quando for submetida a algum procedimento que envolva algo desconfortável, ela será transportada a um mundo de fantasia 3D, através do uso dos óculos VR, unindo as duas realidades, por meio da distração e da sensação tátil, visando transformar o que é sentido fisicamente em uma aventura no mundo virtual, a fim de combater os altos níveis de ansiedade e estresse relacionados a doença e seu tratamento. Por consequência também auxilia o círculo familiar mais próximo durante o processo.
Para o médico, a utilização de ferramentas de inovação tecnológica buscando transportar a criança em tratamento oncológico, no momento de seu sofrimento a um mundo de fantasia, fundindo animação em RV, com sensação tátil do tratamento, traz uma nova perspectiva de cuidado humanizado para a ‘Oncologia Pediátrica’, em todas as suas vertentes de cuidado. “De acordo com a filosofia do Hospital de Amor, a unidade infantojuvenil é o lugar ideal para esta ideia germinar e se desenvolver”, finaliza Dr. Wilson.
A importância do Harena Inovação
Para o Dr. Wilson, a participação do time do Harena (Centro de Inovação do HA), é essencial para a aceleração do projeto. “Com o auxílio gestor do Harena Inovação, Centro de Inovação Aberta do Hospital de Amor que seleciona, acelera e conecta startups inovadoras das áreas da saúde (atualmente com mais de 65 startups em seu portfólio), foi criado um Grupo de Trabalho em Realidade Virtual (RV) e o cuidado da criança com câncer, composto por médicos, desenvolvedores de games e pesquisadores, contribuem para a validação científica e uma comercialização posterior da ferramenta para diversos hospitais do país.
Segundo estimativas para o triênio 2023-2025, do Instituto Nacional de Câncer (INCA), cerca de 32 mil casos de câncer de pulmão devem ser diagnosticados por ano no Brasil, o que coloca a doença como a quinta mais incidente entre todos os tipos de tumores malignos. No Hospital de Amor, de acordo com dados do departamento de Registro de Câncer, são aproximadamente 500 novos casos por ano, que muitas vezes chegam em estágios avançados, em decorrência da dificuldade no diagnóstico precoce, já que a doença, normalmente, não possui sintomas no estágio inicial. É o que reforça um levantamento do Instituto Oncoguia, que mostra que 86% dos pacientes recebem o diagnóstico tardiamente, quando a doença já não possui mais possibilidade de cura.
Apesar dos diversos fatores que favorecem a ocorrência do câncer de pulmão, como exposição a agentes cancerígenos químicos ou físicos, infecções pulmonares de repetição, doença pulmonar obstrutiva crônica (enfisema pulmonar e bronquite crônica) e fatores genéticos, o tabagismo ainda é o principal fator de risco para o desenvolvimento da doença, com até 85% dos casos diagnosticados associados ao consumo e exposição passiva aos derivados do tabaco.
“Nem todo indivíduo que fuma ou fumou desenvolverá câncer de pulmão, e isso ainda é realmente difícil de se prever, mas sabe-se que a chance de seu desenvolvimento está diretamente relacionada à carga de tabaco com a qual que se teve contato”, explica o médico radiologista do Hospital de Amor, Dr. Rodrigo Sampaio Chiarantano. Sabe-se também que a mortalidade em decorrência da doença entre os fumantes é cerca de 15 vezes maior do que entre pessoas que nunca fumaram, já entre os ex-fumantes essa taxa chega a ser quatro vezes maior.
Especialistas explicam que o início do diagnóstico pode ser feito com um exame simples de raio-X de tórax. Mas, caso seja constato a presença de lesão pulmonar, é necessário a realização de exames complementares, como tomografia computadorizada, ressonância magnética, broncoscopia e posteriormente, a biópsia da lesão. O oncologista clínico do HA, Dr. Carlos Eduardo Baston Silva, conta que as principais modalidades de tratamento são: cirurgia nos estádios iniciais, quimioterapia, radioterapia, terapia-alvo e imunoterapia, isolados ou em combinação.
Visando colaborar com a mudança do histórico da doença no país, o HA possui diversas iniciativas voltadas para o diagnóstico precoce, tratamento, ensino e a pesquisa em câncer de pulmão. Conheça melhor:
Pioneirismo no diagnóstico precoce
Há 4 anos, com o intuito de reduzir as taxas de diagnóstico tardio, o HA lançou um programa de rastreamento ativo de câncer de pulmão, como parte de uma iniciativa mais ampla da instituição, que se destaca por incluir também atividades de prevenção primária e pesquisa científica de ponta com marcadores biomoleculares.
Em um formato pioneiro na América Latina, uma unidade móvel foi equipada com um tomógrafo computadorizado de baixa dose e direcionada a fazer o acompanhamento da população de risco. O programa é o único no Brasil que integra dados de diversas esferas da área da saúde e oferece gratuitamente esse exame aos usuários do Sistema Único de Saúde. Inicialmente, o projeto atendeu com exclusividade os encaminhamentos dos participantes dos grupos de cessação de tabagismo, mas, atualmente, o rastreamento está disponível para todos os indivíduos que fazem parte do grupo de risco e que residem em um dos 18 municípios que compõem Departamento Regional de Saúde de Barretos (DRS-V).
O diferencial desta unidade móvel é o laudo, que foi elaborado para o programa, pensando em tornar a informação mais acessível ao paciente. O documento é composto por texto em linguagem mais simples e direta, acompanhado de um reforço visual que ilustra o significado dos achados. No laudo, são descritos os achados do exame potencialmente relacionados ao tabagismo e explicados os passos seguintes a partir dali. Ele foi desenvolvido pensando no melhor entendimento do indivíduo participante, estimulando o autocuidado e a vigilância de saúde. Os pacientes têm retornado com grande satisfação. Alguns deles relataram, inclusive, que o processo de rastreamento como um todo auxiliou na decisão de parar de fumar.
De acordo com Chiarantano, o projeto permanece como o único envolvendo esforços combinados de prevenção primária nos municípios (secretarias municipais de saúde) e rastreamento, sendo integralmente gratuito e utilizando uma unidade móvel. Até o momento 520 pessoas já passaram pela unidade, mas a meta é acelerar as atividades que ficaram estagnadas durante a pandemia de covid-19 e checar a 3 mil atendimentos até o final de 2024. Desde o início do projeto, cinco pacientes foram diagnosticados com a doença ainda no início.
Podem participar homens e mulheres, fumantes ou ex-fumantes de alto risco. Para verificar a situação de alto risco, basta acessar a calculadora online desenvolvida pela equipe e preencher os dados, que o aplicativo determina o risco e define a indicação ou não de se fazer o exame. Sendo de alto risco, basta entrar em contato pelo telefone 3321-6600, ramais 7010 ou 7080 e agendar o exame.
Avanços científicos
Consequência da seriedade e qualidade do programa de prevenção e rastreamento de câncer de pulmão, o Hospital de Amor foi aceito como colaborador em um grande consórcio de pesquisa internacional, o International Lung Cancer Consortium (ILCCO), que possibilitará melhorar o entendimento da genética relacionada ao câncer de pulmão, a melhor caracterização de grupos de risco e de fatores de decisão em relação aos achados de exame. “Trata-se de pesquisa de ponta e de qualidade, com grande potencial de contribuição para a ciência e para a redução da mortalidade por câncer de pulmão. Com base em informações obtidas sob consentimento em amostras biológicas dos indivíduos participantes, diversas características genéticas e biomoleculares estão sendo investigadas, traçando um perfil particular da nossa população, que se somam aos dados já obtidos de outras populações ao redor do mundo”, ressalta o radiologista.
Além disso, o Instituto de Ensino e Pesquisa do HA possui, desde 2018, o Grupo Translacional de Oncologia Pulmonar, cadastrado e certificado pelo CNPq, com o objetivo de fortalecer a investigação a pesquisa translacional em câncer de pulmão, desde o paciente, passando pela patogênese molecular até a aplicação na prática clínica empregando tecnologias de ponta. “O nosso grupo tem um caráter totalmente multidisciplinar e essa multidisciplinaridade alavanca as pesquisas sobre o câncer de pulmão, tendo sempre como nosso foco principal o paciente. Atualmente, atuamos no desenvolvimento de novos painéis moleculares e na investigação de biomarcadores para auxiliar a equipe médica no manejo do paciente”, explica a pesquisadora Letícia Ferro Leal.
Avanços tecnológicos – cirurgias torácicas robóticas
Desde agosto de 2022, o Hospital de Amor realiza cirurgias torácicas com auxílio de robôs aos seus pacientes, gratuitamente. De acordo com o médico cirurgião do hospital, Dr. Luís Gustavo Romagnolo, esse tipo de procedimento é uma melhor opção para o paciente e os que realizam tratamento de neoplasia no pulmão são os principais beneficiados com o procedimento. “Com essa tecnologia, conseguimos contribuir com um melhor resultado estético, uma maior precisão, menos dor e desconforto durante o pós-operatório, menos riscos de infecções na ferida operatória e menos chances de hérnias incisionais a curto e médio prazo”, afirmou.
A iniciativa foi idealizada pelo grupo de cirurgiões do departamento de cirurgia torácica oncológica do HA, formado pelos médicos Dr. Wilson Chubassi de Aveiro, Dr. Maurício Cusmanich, Dr. Rachid Eduardo Noleto da Nóbrega Oliveira e o chefe do departamento, Dr. José Elias Abrão Miziara.
Avanços tecnológicos – alta tecnologia em radioterapia
O Hospital de Amor é uma das poucas instituições do Sistema Único de Saúde a oferecer radioterapia estereotáxica corporal (SBRT), uma técnica avançada e de alta tecnologia, não custeada pelo poder público. Em outubro de 2022, a revista científica The Lancet Regional Health – Americas publicou um artigo escrito por médicos e pesquisadores do HA, em parceria com profissionais da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo e da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, que teve como objetivo avaliar se a SBRT é uma estratégia mais custo-efetiva do que a radioterapia fracionada convencional. O trabalho, teve como base pacientes com câncer de pulmão de células não pequenas em estágio I inelegíveis cirurgicamente. O estudo traz resultados que provam que o uso da modalidade SBRT resulta em mais anos de vida para os pacientes.
“Hoje, o tratamento padrão curativo é a lobectomia — a remoção de um lobo pulmonar por meio cirúrgico. O problema é que boa parte dos que descobrem o tumor no estágio inicial é quem fuma, o idoso e quem tem o coração fraco ou outras doenças derivadas do cigarro, da vida e da idade”, explica um dos coordenadores do estudo, o radio-oncologista Alexandre Arthur Jacinto.
A SBRT age somente no nódulo e protege qualquer tecido ao redor, através de uma técnica com base em tomografias 4D. “Enquanto respiramos e falamos, o pulmão se movimenta e o nódulo também. Como faço um tratamento preciso numa região que se movimenta o tempo inteiro? A estereotaxia trata esse tumor rastreando seu movimento. Eu vejo o movimento do nódulo e consigo dar uma dose gigante de radioterapia com a possibilidade de controle desse nódulo de 90%, que é o mesmo que a cirurgia oferece”, destaca o especialista.
Educação – Projeto Inspirar
O Núcleo de Educação em Câncer do Hospital de Amor criou, em 2020, o Projeto Inspirar, mediante a necessidade de proporcionar aos adolescentes a reflexão e a conscientização dos malefícios do tabaco, tendo em vista que é durante o período entre o ensino médio e superior, que o número de usuários de tabaco cresce, tornando-se importante fator de risco para o desenvolvimento de doenças na idade adulta, como o câncer de pulmão. Nesse contexto, o intuito é estimular os adolescentes a se conscientizarem sobre os malefícios do tabagismo, antes que possam se tornar usuários, além de incentivá-los a realizarem a divulgação científica sobre essa temática, junto à comunidade.
O projeto é iniciado por meio de uma capacitação proporcionada aos educadores da comunidade escolar, a fim de que estes conheçam de forma mais aprofundada as consequências do tabagismo, além de receberem orientações sobre como o projeto deverá ser desenvolvido com os alunos. Posteriormente, as inscrições para participar do projeto são abertas. Cada escola pode inscrever grupos de no máximo cinco estudantes do 9º ano acompanhados de um professor orientador, que devem cumprir as seguintes provas, dentro da plataforma virtual do projeto: 1 – Quiz de perguntas e respostas; 2 – Campanha nas Mídias Sociais Antitabagismo; 3 – InspirAção e Ciência (abrangendo a elaboração de apresentações criativas de divulgação científica sobre a temática do projeto). Todas as provas proporcionam uma quantidade de pontos para as equipes, que são indicadas por uma Comissão Avaliadora composta por profissionais do Hospital de Amor e das Secretarias Municipais de Educação.
Como culminância, o projeto finaliza-se por meio da apresentação das 10 equipes destaques na terceira prova em um evento. Após as apresentações, são divulgadas as colocações de cada grupo finalista que recebem junto de seu professor orientador e de sua escola os respectivos prêmios.
Referência em tratamento oncológico gratuito na América Latina e mais de 60 anos de história, o Hospital de Amor busca constantemente, por meio de suas estruturas tecnológicas e procedimentos avançados, pela melhor assistência ao paciente. Diante deste cenário, inúmeras são as conquistas da instituição! Uma delas é a realização, há mais de dez anos, de cirurgias cerebrais e vertebrais utilizando a neuronavegação – dispositivo que tem funcionamento semelhante ao GPS (Sistema de Posicionamento Global), responsável por mostrar ao cirurgião, através dos exames do paciente, a localização exata de onde um determinado instrumento encontra-se, em tempo real, no momento da cirurgia.
Este, por si só, já pode ser considerado um grande progresso cirúrgico, mas a novidade é ainda maior! No mês de fevereiro, o HA recebeu o robô CIRQ (desenvolvido pela empresa alemã BrainLab) e pôde realizar, junto a sua equipe composta por neurocirurgiões, anestesiologista, enfermeiros e engenheiros, duas cirurgias inéditas no Sistema Único de Saúde (SUS) e no estado de São Paulo.
De acordo com o neurocirurgião do Hospital de Amor, Dr. Ismael Lombardi, trata-se de um braço robótico que consegue determinar, no intra-operatório, a trajetória para que a agulha ou os parafusos alcancem os alvos marcados pelo cirurgião de maneira extremamente precisa. “Uma vez que o robô adquire as informações geradas pelo neuronavegador, de forma automatizada, é gerada a trajetória mais precisa para a inserção de implantes ou instrumentos. Todo processo tem a supervisão intra-operatória do cirurgião, aumentando ainda mais a segurança.
Sem a presença do robô, esta etapa do procedimento seria realizada de forma exclusivamente manual”, afirmou.
Atuando de forma integrada com o neuronavegador, o CIRQ pode ser utilizado em cirurgias que necessitam da implantação de parafusos na coluna vertebral, biópsias da coluna vertebral e biópsias de lesões cerebrais, independentemente do tipo de tumor. Cirurgias para doenças degenerativas da coluna vertebral também podem se beneficiar desta tecnologia, além de outros tipos de cirurgias não-oncológicas, como drenagem de hematomas e abscessos cerebrais, ou mesmo a colocação de estimuladores cerebrais que necessitem de alta precisão cirúrgica.
“Graças a parceria com a BrainLab, conseguimos manter o robô 10 dias na instituição e realizar três procedimentos de alta precisão e exatidão: uma cerebral e duas cirurgias para coluna vertebral. A neuronavegação faz parte da nossa rotina, mas contar com o auxílio do robô, foi pioneiro e extremamente gratificante”, explicou Lombardi.
Inúmeros benefícios
Não são apenas os profissionais do HA que ‘ganharam’ ao utilizar esta tecnologia durante as cirurgias. Os pacientes da instituição, com certeza, foram os maiores beneficiados! Segundo o neurocirurgião, a introdução da robótica nos procedimentos cirúrgicos possíveis, trouxe mais precisão e segurança aos cirurgiões, e muito menos complicações aos pacientes. “O nosso bom resultado é o bom resultado dos nossos pacientes. Com a introdução da navegação e robótica, pudemos ter redução no tempo cirúrgico e de internação, além de menor exposição da equipe e dos pacientes ao Raio-X, muito utilizados nestes procedimentos realizados de forma convencional”, declarou.
Os pacientes do Hospital de Amor que foram submetidos (gratuitamente, como todos os atendimentos realizados pela instituição) aos procedimentos cirúrgicos com o CIRQ, receberam alta em apenas dois dias de internação e tiveram evolução satisfatória, sem intercorrências ou contratempos.
Mais um motivo que marcou a história do HA e encheu seus profissionais e pacientes de orgulho!
Câncer colorretal: segundo tipo de tumor mais comum em homens e mulheres (quando não consideramos o câncer de pele não melanoma) e o terceiro que mais mata no Brasil, com estimativa de 41 mil novos casos por ano no país, de acordo com dados recentes do Instituto Nacional de Câncer (INCA). Com números tão alarmantes e um mês especialmente dedicado à prevenção e detecção precoce deste tipo de câncer – o “Março Marinho” – é preciso falar mais sobre o assunto.
A neoplasia que acomete o trato digestivo (intestino grosso e reto), principalmente em pessoas com idade entre 60 e 70 anos, é tratável e, na maioria dos casos, curável ao ser diagnosticado precocemente. Sintomas como sangue oculto nas fezes e dor na barriga (geralmente cólica), seguido de alteração intestinal (como intestino preso), são comuns deste tipo de câncer. Além disso, podem ser vistos também anemia, fraqueza e perda de peso, mas, geralmente, esses sinais já indicam a doença em fase avançada.
Segundo o médico coordenador do departamento de endoscopia do Hospital de Amor, Dr. Claúdio Hashimoto, dentre os fatores de riscos relacionados ao desenvolvimento do câncer no intestino, estão o sedentarismo, sobrepeso, alimentação pobre em fibras e rica em carnes vermelhas e processadas, exposição à radiação, tabagismo e alcoolismo. “Na presença de qualquer um dos sintomas é muito importante procurar o médico especialista para iniciar a investigação. É fundamental e necessário manter hábitos de vida saudáveis para se evitar a doença”, afirma.
Sabe o que é mais importante? A prevenção do câncer colorretal, assim como em vários outros tipos da doença, salva vidas! E existem vários métodos eficientes para o diagnóstico precoce do tumor, como:
• Pesquisa de sangue oculto nas fezes – indicado para quem não apresenta sintomas, mas está na faixa etária (homens e mulheres que tenham entre 50 e 65 anos);
• Colonoscopia – para quem já possui sintomas.
Teste FIT
Você sabia que é possível detectar o câncer colorretal sem que haja sintomas aparentes? Sim! Por meio do teste de imunoquímica fecal, também conhecido como teste FIT ou exame de sangue oculto nas fezes, é possível identificar o sangramento presente nas fezes, na maioria das vezes não perceptível a olho nu, e uma análise qualitativa.
Indicado para homens e mulheres que tenham entre 50 e 65 anos, que não tenham feito nenhum exame de colonoscopia ou de retossigmoidoscopia nos últimos cinco anos, não tenham nenhum histórico de doença inflamatória intestinal e de pólipos colorretais, o FIT é utilizado como um exame de pré-triagem e gratuitamente disponibilizado pelo Hospital de Amor, através do programa de rastreamento do Instituto de Prevenção – o único do país oferecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Por se tratar de um procedimento não invasivo, sem necessidade de preparo e indolor, possui uma excelente aceitação pelos pacientes. “Se o paciente se enquadrar em todos os critérios, ele recebe o kit para coleta das fezes. Não é necessário fazer nenhuma dieta e ele pode realizar o exame quando preferir”, explica Hashimoto.
Como fazer o exame?
Para a efetividade do exame, são necessárias três amostras de fezes consecutivas. Dessa forma, ao defecar, o paciente utiliza o “coletor” (que recebe com o kit) e perfura as fezes em três locais diferentes. Em seguida, insere o coletor com a amostra no recipiente do exame, fecha-o adequadamente e armazena-o por até três dias em temperatura ambiente.
Depois, encaminha-o ao departamento de análise do HA e aguarda o resultado. “Caso o resultado seja positivo para sangue oculto nas fezes, não significa que o paciente esteja com câncer. É necessário prosseguir a investigação com o exame de colonoscopia”, afirma o médico.
Quando realizar a Colonoscopia?
A colonoscopia – exame de vídeo utilizado para visualizar o interior do intestino grosso e a parte final do intestino delgado – permite avaliar, tirar fotos e biópsias destas regiões por meio de um endoscópio (colonoscópio). É um procedimento indicado a pacientes que já possuem sintomas, que possuem casos de câncer colorretal ou pólipos na família e que estejam dentro da faixa etária permitida.
“É importante esclarecer que em alguns casos, neste tipo de câncer, principalmente quando detectado em fases iniciais, vários pólipos intestinais podem ser retirados e curados por meio da própria colonoscopia, sem a necessidade de se realizar as cirurgias convencionais”, finalizou Hashimoto.
Previna-se!
Se você tem entre 50 e 65 anos de idade, faça a prevenção do câncer colorretal mesmo não apresentando sinais, por meio do teste FIT. Em casos de sintomas, consulte seu médico de confiança ou vá até uma unidade básica de saúde para receber orientações. E lembre-se: a prevenção salva vidas e deve ser realizada o ano todo!
Saiba mais em: ha.com.vc/marcomarinho.
Quando começou a sentir dores na região das costas, José Benedito Costa, de 61 anos, não imaginava que o destino lhe proporcionaria uma viagem de cerca de 4 mil quilômetros de distância de sua casa. Atravessar o Brasil não estava em seus planos quando as coisas começaram a sair da rotina.
O roraimense de Boa Vista (RO) viu sua vida mudar completamente ao receber o diagnóstico de câncer em sua cidade de origem. Não bastasse o medo e a ansiedade natural que a doença lhe trazia, também era preciso largar tudo e ir para o interior de São Paulo, para dar início ao seu tratamento. Mas, até chegar ao diagnóstico final, foi uma longa jornada que ele trilhou ao lado de sua esposa, Eliani Amorim, 46 anos, que no mesmo período enfrentava os desafios de um aneurisma que tinha sido detectado em seu cérebro.
O início de uma nova vida
José conta que sentia muita dor no quadril (MarziniClinic), especificamente no cóccix, além de sentir dores ao urinar. “O médico disse que eu tinha uma fistula que precisava operar. Ele já havia realizado mais de 1.200 cirurgias, mas algo como o que eu tinha, ele nunca havia visto”. Durante o procedimento da fistula, o profissional constatou que a situação era mais difícil do que ele pensava.
Ao ficar muito tempo sentado enquanto trabalhava, o ex-técnico em finanças sentia muitas dores. “Descobri que tinha uma fistula que era ocasionada pelo câncer, e foi aí que eu ouvi pela primeira vez a palavra ‘cordoma’. Era necessário fazer uma biopsia para saber qual tipo era”, afirmou. Em abril de 2017, José recebeu o diagnóstico de cordoma (lesão maligna da medula espinhal), em Boa Vista. Seu novo desafio era começar o tratamento contra o câncer.
Por meio da ajuda de uma amiga, foi possível a transferência para o Hospital de Amor, em Barretos (SP). “Vim de voo com o auxílio de um jatinho, direto para o CIA (Centro de Intercorrência Ambulatorial)”, lembra. Após refazer os exames no HA, foi constatado que o ‘cordoma’, na verdade, já estava em metástase.
Após 20 meses, nove ciclos de quimioterapia e uma semana de radioterapia (feitos para conter o crescimento da neoplasia), José realizou a cirurgia para retirar o tumor, em abril de 2019. “Cheguei a ficar dez meses deitado, pois eu já não andava mais, algo que os médicos disseram que nunca mais iria acontecer após o procedimento. Quando cheguei em Barretos, o tumor que inicialmente tinha 5 cm, estava com 10,73 cm”, conta.
De acordo com a sua esposa, o oncologista disse que, após operar, o paciente ficaria um mês no hospital para aprender seu novo estilo de vida, já que ele não iria andar novamente. Ela conta, porém, que de forma surpreendente ele ficou apenas um dia na UTI e, depois de três dias, já estava em casa andando com ajuda do andador.
José revela que os médicos ficaram admirados ao vê-lo caminhar. “Acabei surpreendendo a medicina, porque eles também disseram que eu iria usar a bolsinha de colostomia, além de não caminhar. Eu pedi a Deus para me ajudar e ele me ouviu. Cheguei a criar calo nos joelhos de tanto orar e pedir essa graça”. Após sair do hospital, o paciente precisou usar o andador e em seguida a bengala, mas saiu andando, o que era uma grande conquista para ele, mesmo diante das dores.
“Eu perguntei por que eles não colocaram alguma prótese, pois eles tinham removido meu cóccix todo”, relata José ao lembrar como foi seu diálogo com a equipe médica. Os médicos explicaram que não foi feito este procedimento, pois não era esperado que ele voltasse a andar. Com esse cenário, as dores ao dar seus passos não eram esperadas também.
Posteriormente, a equipe de fisiatras do Centro de Reabilitação do HA identificou que em relação à dor não se podia fazer mais pelo paciente, foi quando entrou em cena a Dra. Margareth Lucca, médica anestesiologista, especializada em dor e em medicina tradicional chinesa, que atua no Hospital de Amor há cinco anos. Nascia assim a esperança de aliviar as sequelas deixadas pela cirurgia.
Arte milenar que combate à dor
A terapia milenar chinesa que consiste na aplicação de agulhas em pontos específicos do corpo do paciente, a fim de tratar enfermidades e promover bem-estar e melhorar a qualidade de vida, é conhecida como acupuntura. Este procedimento é realizado pela médica que diariamente atende, em média, 18 pacientes, dentre eles, adultos e crianças, no centro de reabilitação do HA. “As pessoas chegam irritadas, desanimadas, tristes, sem esperança e com dor. Ao oferecer um trabalho com muito amor e carinho, algo acontece”, revela a Dra. Margareth.
A especialista que iniciou o projeto ‘FADA’ no ambiente de trabalho, explica o nome da ação: Fazendo o Acolhimento da Dor com Aromaterapia – uma outra prática integrativa já reconhecida pelo SUS. Ou seja, por meio de um spray perfumado, ela consegue aromatizar o local, oferecendo bem-estar aos pacientes assim que chegam ao centro. “Como o cheirinho chega até o sistema nervoso central, em um lugar chamado límbico, modifica a reação do corpo, traz um relaxamento, alivia a tensão, a pessoa se sente mais bem acolhida e já muda”, disse a profissional, que também aplica cromoterapia no ambiente, oferendo um tratamento holístico a todos os pacientes que são atendidos por ela.
Ao falar sobre os atendimentos que realiza em José, a médica fica emocionada: “Só de ver o tamanho da cicatriz e conhecer toda história dele, é claro que existe um sofrimento intenso, um bloqueio de ficar restrito pela dor, mas me alegro ao saber que ele jamais perdeu a esperança”.
A terapeuta explica que já realizou infiltrações no paciente em pontos específicos que geram o gatilho da dor. Em seguida, é feito o procedimento da acupuntura. “Este serviço é oferecido via SUS em outros hospitais, mas a maneira com que o Hospital de Amor conduz é única, não somente pelo uso da tecnologia e aparelhos maravilhosos que há no Centro de Reabilitação, mas também pelo carinho e acolhimento que todos os colaboradores oferecem aos pacientes. Isso faz toda a diferença”, afirma a especialista, que tem sua fala validada por José.
“Deus colocou pessoas escolhidas por Ele no meu caminho, no tempo certo e durante todo meu tratamento. Eu costumo dizer que este é o melhor hospital de América Latina. Já fui em vários lugares do Brasil, mas não existe outro igual. Aqui, as pessoas respeitam o paciente e nos tratam com muita dignidade. Somos todos seres humanos e se eu preciso ser bem tratado, eu devo tratar todos bem, e no Hospital de Amor eu recebo o melhor”, conta o paciente que revela não ter medo das agulhas que recebe uma vez por mês, durantes os 25 minutos de sessão.
Com quase dois anos de tratamento terapêutico de acupuntura, José não precisa mais do auxílio do andador e da bengala para caminhar. Aliado à acupuntura e atividades físicas prescritas pelo time do Centro de Reabilitação, ele decidiu se mudar para Barretos, onde pode receber um tratamento de qualidade, gratuitamente, o que não ocorre em seu estado de origem. Ao lado de sua fiel companheira, sua esposa Eliani, ele vive com seus oito filhos.
Picadas de Amor
“Costumo dizer que ganhar um beijo é melhor do que ganhar uma picada, porém, eu já tive crianças de 5 anos que pediram acupuntura e já tive idosos que tem um maior estresse, então é uma coisa muito pessoal. Tem pessoas que trazem medos, porque nós ocidentais, muitas vezes, achamos que a agulha significa punição e sofrimento, mas neste caso não, são agulhas do bem que trazem bem-estar”, conclui a Dra. Margareth.
Assim como no relato acima, existem diversas comprovações de que a acupuntura de fato funciona. Contudo, no Brasil essa terapia só dever ser utilizada de maneira complementar ao tratamento clínico orientado pelo médico, contribuindo para a qualidade de vida do paciente. É claro que também não pode faltar carinho, amor e empatia!
O câncer é, há muito tempo, um dos principais problemas de saúde pública no mundo. A situação fica ainda mais preocupante quando as estimativas apontam que, nos próximos anos, os números de casos da doença irão aumentar. É isso mesmo! De acordo com o INCA (Instituto Nacional de Câncer), entre 2023 e 2025 são esperados 705 mil novos casos de câncer no Brasil por ano, ou seja, muitas pessoas serão diagnosticadas, principalmente as que estão localizadas nas regiões Sul e Sudeste, onde estão concentradas 70% da incidência.
E agora? Por que haverá o aumento desses números? Com o propósito de incentivar a conscientização da sociedade sobre a importância da prevenção, do diagnóstico e da ampliação de políticas públicas associadas ao combate à doença, foi criado o “Dia Mundial do Câncer” (World Cancer Day) – mobilização internacional celebrada em 4 de fevereiro. Por conta dessas e outras questões, o cirurgião oncológico do Hospital de Amor, Dr. Ricardo Gama, esclareceu: isto se deve pelo envelhecimento da população. “As pessoas estão vivendo mais e, consequentemente, envelhecendo mais. Por isso, a gente acaba vendo um maior número de casos de câncer nas pessoas acima de 50 a 60 anos, que é a faixa etária mais comumente atingida pelas neoplasias malignas. Além disso, o fácil acesso ao diagnóstico das doenças, tanto no sistema público de saúde, quanto no privado, faz com que se tenha um aumento nos números de tumores”, contou.
Tipos de câncer mais comuns
Segundo o médico, o tipo de câncer mais comum atualmente, ainda é o de pele não melanoma. Nas mulheres, o mais incidente é o de mama; nos homens, o de próstata. Para o próximo triênio, as estimativas apontam o câncer de intestino, ou seja, o colorretal, como sendo o segundo mais frequente. Em porcentagens, a incidência seria:
1 – câncer de pele não melanoma (31,3%)
2 – câncer de mama (10,5%)
3 – câncer de próstata (10,2%)
4 – câncer colorretal (6,5%)
5 – câncer de pulmão (4,6%)
6 – câncer de estômago (3,1%)
Além desses tipos, aparecem também:
*o câncer de fígado – mais incidente na região Norte por conta das infecções e doenças hepáticas crônicas;
*o câncer de pâncreas – mais incidente na região Sul, sendo seus principais fatores de risco a obesidade e o tabagismo.
“Os dados do INCA nos mostram que os aumentos de casos de câncer acontecerão, principalmente, nas regiões Sul e Sudeste. Mas, é importante lembrarmos que mais de 50% da população brasileira reside nestas localidades, ou seja, com a alta densidade demográfica, é natural que os números da doença sejam maiores mesmo”, esclareceu Gama.
A importância da prevenção
Agora você deve estar se perguntando: e o que devemos fazer para melhorar essa realidade? A resposta é uma só: a prevenção é essencial! Para o Dr. Ricardo Gama, é impossível pensar em combate ao câncer, sem antes pensar na eliminação dos fatores de risco que são comuns na maioria dos casos, independente da região. “Todas as formas de tabagismo, alcoolismo, doenças sexualmente transmissíveis (HPV e AIDS), alimentação com embutidos, ultraprocessados, excesso de carboidratos, açúcares e gorduras saturadas, devem ser evitadas e substituídas por práticas de atividades físicas e hábitos saudáveis”, ressaltou.
Já naqueles casos em que os tumores malignos não são preveníveis (20 a 30%), ou seja, os hereditários que não estão ligados diretamente aos fatores de risco, a prevenção deve ser realizada como forma de conscientização. “É muito difícil prevenir algo que não tem uma prevenção concreta, mas deter e difundir o conhecimento, como por exemplo, o projeto ‘Passos que Salvam’ do HA – que alerta a população sobre os sinais e sintomas do câncer infantojuvenil – é primordial. O conhecimento é sempre essencial. Portanto, se você é muito jovem e teve câncer ou conhece alguém nesta situação, é preciso chamar atenção para um possível câncer hereditário, principalmente, se já existe histórico familiar”, explicou Gama.
COVID-19 x Diagnóstico de câncer
A pandemia da COVID-19 também trouxe um grande impacto no diagnóstico de câncer. O atraso na identificação das neoplasias malignas foi determinante para o aumento significativo dos números de casos da doença no Brasil. “As pessoas não saíam de casa e, quando saíam, era para resolver problemas pontuais relacionados à COVID-19. Dessa forma, o paciente que tinha sinais e sintomas de câncer e que poderia, em um mundo normal (sem pandemia), procurar uma unidade de saúde, não o fez. Então, de 2022 em diante houve um crescimento exacerbado nos casos avançados de câncer”, destacou o médico.
Há mais de 60 anos, o Hospital de Amor – referência em tratamento oncológico na América Latina, com excelência em assistência, prevenção, ensino, pesquisa e inovação – realiza um trabalho impactante no combate ao câncer. Por meio do rastreamento oferecido pelas unidades fixas e móveis de prevenção, da divulgação de informações sobre a importância do diagnóstico precoce, e de outros projetos, a instituição consegue levar saúde de qualidade para a população de todo Brasil e salvar milhares de vidas!
Há alguns dias, diversos portais de notícia divulgaram que a cantora Preta Gil, de 48 anos, foi diagnosticada com câncer de intestino – também conhecido por câncer do cólon e reto ou câncer colorretal. A descoberta aconteceu após exames terem apontado a presença de um tumor adenocarcinoma na porção final do órgão. Para que você entenda melhor sobre a doença, fique atento os sintomas e saiba como preveni-la, o Hospital de Amor preparou esta matéria especial (Covisus). Afinal, quem nunca teve um parente ou amigo próximo com câncer do intestino?
Cada vez mais frequente na população brasileira, a doença (que nem sempre é tão divulgada) possui número alarmantes: é o terceiro câncer mais comum nos homens (após próstata e pulmão) e o segundo nas mulheres (após mama). De acordo com dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA), é o segundo tumor mais comum do aparelho digestivo e o terceiro que mais mata no Brasil.
O adenocarcinoma se desenvolve em pólipos (crescimento anormal de tecidos em regiões como o intestino) que, embora sejam considerados benignos, podem sofrer alterações ao longo dos anos e se tornar cancerígenos se não forem identificados e tratados precocemente. Em muitos casos, é um tipo de câncer que surge de modo assintomático, por isso é tão importante realizar os exames de rastreamento.
Além de Preta Gil, outros famosos também sofreram com a doença, como a cantora Simony (em tratamento) e o ex-jogador Pelé. A estimativa é de que mais de 40 mil novos casos surjam no país todos os anos, afetando ambos os sexos, com idades a partir de 45 anos – sendo mais frequente entre 60 e 70 anos. Entre os fatores de risco, estão: hábitos alimentares não saudáveis, sedentarismo, obesidade, tabagismo, alcoolismo e histórico familiar.
Sintomas e Diagnóstico
Segundo o médico responsável pelo departamento de Endoscopia do HA, Dr. Claudio Hashimoto, os sintomas mais comuns do câncer colorretal são: a presença de sangue nas fezes e dor na barriga (geralmente cólica), seguido de alteração intestinal (o mais comum é o intestino preso). Podem ser vistos também anemia, fraqueza e perda de peso, mas, geralmente, esses sinais já indicam a doença em fase avançada.
“Na presença destes sintomas é muito importante procurar o médico especialista para iniciar a investigação. O principal exame a se fazer é a colonoscopia, que permite avaliar, tirar fotos e biópsias do intestino grosso por meio de um endoscópio (colonoscópio). Mais importante ainda é informar a população sobre a prevenção e o diagnóstico da doença em fase curável, ou seja, sem que haja estes sinais típicos”, alerta o médico.
Prevenção
Existem vários métodos eficientes para a prevenção e o diagnóstico precoce do câncer colorretal, porém, os mais efetivos são:
• Pesquisa de sangue oculto nas fezes – exame não invasivo, sem necessidade de preparo e indolor, que detecta o sangramento não visível ao olho nu).
• Colonoscopia.
“É importante esclarecer que em alguns casos, neste tipo de câncer, principalmente quando detectado em fases iniciais, vários pólipos intestinais podem ser retirados e curados por meio da própria colonoscopia, sem a necessidade de se realizar as cirurgias convencionais”, declarou Hashimoto.
Recomendação
Se você tem entre 45 e 50 anos de idade, faça a prevenção do câncer colorretal, mesmo não apresentando sinais. E, em casos de sintomas, consulte seu médico de confiança ou vá até uma unidade básica de saúde para receber orientações.
Por ano, em média, 300 crianças são diagnosticadas com câncer apenas no Hospital de Amor Infantojuvenil, em Barretos (SP) – centro de referência em tratamento oncológico na América Latina. De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o câncer infantojuvenil já representa a primeira causa de morte (8% do total) por doença entre crianças e adolescentes de 1 a 19 anos. Porém, o câncer também pode ser desenvolvido na fase inicial da vida. Nestes casos, há dois cenários: tumores em bebês intraúteros e tumores em bebês lactentes. Os intraúteros ocorrem quando a mulher está gravida e o bebê está com um tumor; já os lactentes acontecem quando o câncer se desenvolve em crianças recém-nascidas, sendo a leucemia o tipo mais comum nesses casos.
Quando se pensa em câncer, logo se pensa em prevenção também, mas em casos de câncer infantojuvenil, este é um assunto delicado. Em relação aos tumores intraúteros e em lactentes, existem fatores de risco que podem estar associados à exposição da mãe ou do pai a agentes cancerígenos, ou a alimentos ingeridos na gravidez que estejam associados à carcinogênese. Há também tumores que derivam de alterações que acontecem durante a embriogênese e não estão relacionados às exposições parentais, como por exemplo, os tumores de células germinativas – frequentes em intraúteros na região sacral ou de cabeça e pescoço.
De acordo com o diretor médico da unidade infantojuvenil do HA, Dr. Luiz Fernando Lopes, as células germinativas primordiais na quarta semana da gravidez devem migrar do cérebro até às gônadas, mas, por mecanismos ainda não totalmente identificados, podem parar sua migração e sofrer alteração genética, dando origem aos tumores de células germinativas que acontecem intraútero, na infância ou na adolescência.
De acordo com o Journal SAGE, os teratomas sacrococcígeos são os tumores de células germinativas mais comum em neonatos (crianças recém-nascidas), ocorrendo em, aproximadamente, 1 em 27.000 nascidos vivos, com prevalência no sexo feminino. Ao nascer, a grande maioria dos teratomas são benignos, porém, ele é capaz de manifestar degeneração maligna (e isso pode ocorrer em crianças com idade avançada também).
No caso das leucemias, mais comum entre os lactentes, o exame de sangue em recém-nascidos ou até 18 meses pode identificar facilmente as alterações; e o exame do mielograma irá confirmar se trata-se de um caso de leucemia de lactente.
No caso dos teratomas, o tratamento é cirúrgico. Importante destacar a necessidade do procedimento ser realizado por um cirurgião oncológico especialista, já que a retirada total do tumor e acompanhamento do paciente são essenciais. Isso porque poucos teratomas possuem componentes malignos, mas se os profissionais não conseguirem removê-lo completamente, há uma grande probabilidade de o tumor voltar maligno após um tempo.
Desfilar na passarela, atrair muitos olhares, brilhar e ser protagonista dos holofotes faz parte do sonho de muitas jovens. Com a Ingrid Assis não é diferente! Natural do Amapá (AP), a adolescente de 15 anos parece ser uma jovem comum, mas apenas parece, pois tem algo de realeza nesta história de superação. Cheia de sonhos, desenvolta e muito vaidosa, ela precisou se mudar para Barretos (SP) para dar início ao seu tratamento de osteossarcoma na tíbia direita, em março de 2022.
Elenita de Oliveira Silva, mãe da Ingrid e técnica em enfermagem, revela que a filha começou a apresentar dores no joelho. Após perceber que havia algo de errado com a jovem, ela então a levou para fazer exames e investigar o caso, foi quando receberam o diagnóstico de um tumor. Ao não ter recursos para um bom tratamento na sua cidade de origem e após receber o apoio de um parente que atua como médico ortopedista em Sorocaba (SP), e que conhece o HA, ele a ajudou nos tramites; foi quando a família da jovem decidiu se mudar para o interior de São Paulo.
“Eu conheci o HA por meio de um primo que me falou que o Hospital de Amor é um ótimo hospital e que tem um dos melhores tratamentos do Brasil. Vim para o estado de São Paulo ano passado e, na época, eu ainda não tinha certeza de que eu estava com câncer”, conta a jovem. Inicialmente, a esperança da família da garota é de que o tumor fosse benigno, mas infelizmente, a biópsia resultou em algo oposto ao desejo deles.“Na minha cabeça, era vir a Barretos, tirar o tumor e voltar para casa, achei que seria algo rápido, nada que mudasse a minha vida”, revela a adolescente. No entanto, após os exames foi constatado que o tumor era maligno e deste modo, a garota precisou passar pelo tratamento durante 31 semanas.
Ingrid explica que precisou fazer quimioterapia e que sofreu com a queda de cabelo e com tudo que os procedimentos oncológicos trazem aos pacientes. No meio desta jornada, a jovem precisou realizar uma operação na unidade infantojuvenil do HA. Ela fez a cirurgia, porém, devido à uma infecção, houve a necessidade da amputação da perna dela. “As pessoas aqui do hospital são muito acolhedoras e os médicos são atenciosos. No dia da minha amputação, meu pai me disse que o meu cirurgião quase chorou pela minha situação. Me sinto muito abraçada no Hospital de Amor”, relata a macapaense, sempre com um belo sorriso no rosto.
“Hoje ela é uma vencedora, graças a Deus e a este hospital. Eu estou muito feliz de ver como ela está e com a reabilitação dela. A fisioterapia aqui é maravilhosa. São processos e fases que ela tem vivido. Participar do concurso do rodeio trouxe mais ânimo e alegria para ela. Eu só tenho que agradecer a este local que nos acolheu tão bem”, conta Elenita ao ver a evolução de ver sua filha com a prótese.
Recomeço de uma nova história
Em abril deste ano, a jovem iniciou seu processo de reabilitação no HA, foi quando ela recebeu sua primeira prótese para poder voltar andar normalmente. A paciente conta com o apoio de uma equipe multiprofissional e da ‘Tia Deise’, como é carinhosamente conhecida a fisioterapeuta do HA, Deiseane Bonatelli. “A gente procura oferecer todo suporte necessário para que ela tenha uma maior independência na vida dela, para que ela possa fazer todas as necessidades possíveis”, conta Deise.
A profissional também revela a alegria de poder ajudar a garota a participar de um grande desafio. “Eu me sinto muito feliz de ver ela rainha do Rodeio pela Vida. Quando ela disse que iria entrar no concurso, eu combinei com ela para voltar aqui e treinar para andar bem bonito no dia da competição. Ela voltou, nós treinamos e ela venceu. Eu me sinto muito feliz por ela”, explica com os olhos marejados a ‘Tia’ que é muito querida por todos os pacientes, desde crianças, adultos e idosos.
Quando perguntada sobre o processo de aprendizado de voltar a andar, Ingrid, de imediato responde com um lindo sorriso no rosto: “Não tem limite. O seu limite é você mesmo, mas a prótese não te limita. Eu conheço um homem, pela internet, que escala com prótese”.
Mas engana-se quem pensa que Ingrid não tinha pisado em solo barretense antes de seu tratamento. “Eu vim a Barretos em 2019, para participar de um evento da igreja no qual congrego e nunca imaginei que eu voltaria para cá por outro motivo. É difícil, mas quando a gente entrega tudo nas mãos de Deus, tudo fica mais leve. Eu não sei até hoje porque eu perdi a minha perna, mas eu confio em Deus e sei que tudo tem um propósito”.
A competição e seu reinado
No início do ano, o HA abriu as inscrições para a 3ª edição do Rodeio Pela Vida 2023 – evento que acontece em Barretos (SP) e é organizado pela instituição, com renda 100% em prol do Hospital de Amor. Incentivada pela ‘Tia Lili’, uma das organizadoras do evento ‘Fadas Madrinhas’, Ingrid tomou coragem e fez sua inscrição.
Inicialmente, ela disse acreditar que no máximo ficaria no 3º lugar, pois o páreo parecia duro. Ao ser revelado seu nome como a rainha do rodeio, ela não escondeu a surpresa e ficou em êxtase. “Estou muito feliz de ter sido eleita a rainha, se puder, eu quero muito conhecer o padre Fábio de Mello e dar um abraço nele”, explica a garota entusiasmada.
Ao lado de Ingrid, o concurso elegeu a princesa, Jamily Yasmin Peres do Nascimento, e a madrinha Raquel Galvão de Oliveira. A 3ª edição do “Rodeio Pela Vida” teve início no dia 7 de junho e termina no dia 11 de junho, no Recinto Paulo de Lima Correa. Quando questionada sobre um conselho que a rainha daria para pessoas que estão passando pelo mesmo enfrentamento que recentemente ela concluiu, ela não titubeia e logo responde: “Se você está passando por um problema, confie em Deus que vai dar tudo certo.”
Você já ouviu falar sobre o câncer de endométrio? Saiba que sua incidência está aumentando em todo o mundo! Nos Estados Unidos, a doença já ultrapassou a do câncer de colo uterino e no Brasil os números também crescem. De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), a estimativa para novos casos no país, é de quase 8 mil por ano.
Segundo especialistas, o aumento dos casos está ligado a alguns fatores de riscos, principalmente a obesidade, que vem aumentando nas últimas décadas. São eles:
Diagnóstico
O sintoma mais comum de câncer de endométrio é o sangramento anormal entre os ciclos menstruais ou os sangramentos após a menopausa. Felizmente, os sintomas se manifestam em estágios iniciais e 90% dos casos são diagnosticados rapidamente, aumentando os índices de cura. Quando ocorre um sangramento anormal, é importante buscar ajuda médica. De acordo com o cirurgião ginecologista oncológico do Hospital de Amor, Dr. Ricardo dos Reis, o profissional deverá solicitar um exame de imagem (ultrassonografia transvaginal ou ressonância magnética pélvica), que avaliará a camada interna do endométrio e se ele está espessado ou irregular. “A espessura normal, em uma paciente após menopausa, na presença de sangramento uterino anormal, é de até quatro milímetros, a partir de cinco milímetros, há suspeitas de lesões e é necessário realizar uma biópsia”, explica.
A biópsia do endométrio pode ser realizada a nível de consultório com dispositivos específicos ou com uma curetagem (raspagem) sob sedação. Também pode ser realizado uma histeroscopia, endoscopia do útero (teste ouro para o diagnóstico), exame realizado para observar a cavidade uterina e o endométrio.
Tratamento
Na maioria das vezes, em estágios iniciais, o tratamento é realizado por meio de cirurgia. Ela pode ser aberta (com corte) ou minimamente invasiva, sendo robótica ou laparoscópica. Com o resultado anatomopatológico, são avaliados alguns critérios, como: tamanho da lesão, histologia, tipo e grau do tumor, se há invasão do músculo do útero ou do colo uterino e se há células tumorais comprometendo os gânglios linfáticos. Portanto, com os resultados, é possível avaliar se a paciente vai fazer tratamentos adjuvantes, como radioterapia e/ou quimioterapia.
O Hospital de Amor prioriza pela operação minimamente invasiva e respeita um protocolo ouro. Esse diferencial contribui para cirurgias em pacientes obesas, idosas e com comorbidades. “O HA se diferencia por oferecer cirurgia minimamente invasiva e robótica, e, desde outubro de 2020, se diferencia também em oferecer avaliação molecular para o câncer de endométrio, sendo uma das únicas instituições a disponibilizar esse serviço no Brasil pelo Sistema Único de Saúde (SUS)”, destaca Dr. Ricardo.
Diagnóstico Molecular
O diagnóstico molecular é um conjunto de métodos genéticos, visando a investigação de alvos de interesse a partir da análise do material genético, o DNA e o RNA, para identificar mutações genéticas que, neste caso, podem estar associadas ao desenvolvimento de diversos tipos de câncer.
Com o diagnóstico molecular, os médicos podem identificar as mutações específicas que estão presentes no câncer de um paciente, ajudar no seu diagnóstico mais preciso e escolher o tratamento mais eficaz com base nos resultados. Isso pode incluir terapias direcionadas, que atacam diretamente as células cancerígenas com essas mutações específicas.
Estudos recentes descobriram uma nova classificação molecular do câncer de endométrio e desde 2020, o Laboratório de Diagnóstico Molecular do Hospital de Amor realiza essa avaliação molecular em todas as pacientes da instituição com tumor de endométrio.
Por meio da avaliação molecular do gene POLE, TP53 e análise da instabilidade de microssatélite (MSI) é possível classificar os tumores de endométrio em quatro grupos. É importante enfatizar que os estudos identificaram, até hoje, que esses quatro grupos moleculares trazem, principalmente, uma avaliação e uma caracterização clara do prognóstico das pacientes. Então, esse conhecimento permite uma tomada de decisão mais informada e precoce, pois avalia de forma mais adequada o prognóstico e, com isso, é possível proceder com um seguimento após tratamento de forma individualizada.
Para o cirurgião, o impacto principal no manejo clínico, nesse momento, é caracterizar essas pacientes em grupos de risco de recidiva da doença. “Com o diagnóstico molecular, eu sei se é uma paciente ‘de melhor prognóstico’ e com isso ter um acompanhamento mais individualizado e em algumas vezes sem a necessidade de pedir exames radiológicos para seguimento, e o oposto, onde terei que ficar mais vigilante e atento no seguimento. Então, realmente, eu acho que eu personalizo o seguimento oncológico após tratamento e acho que isso é importante. Também, num futuro próximo, poderemos individualizar a indicação de tratamentos adjuvantes com radioterapia e/ou quimioterapia baseado na avaliação molecular”, ressalta.
Além dos impactos no tratamento do paciente, há também um impacto econômico. Neste momento, o objetivo das pesquisas mundiais sobre o tema é ter, em breve, uma individualização para o tratamento adjuvante, ou seja, algumas pacientes, de algum grupo, talvez não precisem receber radioterapia e hoje, o Hospital de Amor realiza em todas. Então, no futuro, os profissionais poderão dividir, conforme o diagnóstico molecular, algumas pacientes não vão precisarão fazer tratamentos adjuvante. “A preocupação econômica também está presente na evolução do teste, que vai passar a ser realizada em um único ensaio de sequenciamento de última geração, tornando-o mais barato, além de mais rápido”, revela o coordenador científico do Laboratório de Diagnóstico Molecular do HA, Dr. Rui Manuel Reis,
Em média, 85 novos casos de câncer de endométrio chegam no Hospital de Amor anualmente. Até o momento, a instituição conta com mais de 220 pacientes no banco de dados, com avaliação molecular.
Oferecer tratamento de qualidade e de maneira humanizada é rotina no Hospital de Amor, principalmente, porque é comum haver o aumento de ansiedade antes e durante qualquer procedimento realizado pelos pacientes, sobretudo quando esses pacientes são crianças e adolescentes. Segundo o médico cirurgião pediátrico do HA, Dr. Wilson Oliveira Junior, no Brasil, são mais de 12 mil casos por ano de crianças e adolescentes, de 0 a 19 anos, que passarão por procedimentos invasivos, como coletas de sangue, quimioterapias e cirurgias, apenas no tratamento oncológica.
Com o objetivo de poder oferecer mais conforto para esses pacientes da unidade infantojuvenil, em Barretos (SP), onde são diagnosticados cerca de 300 novos casos por ano, os profissionais do HA, em parceria com o estúdio Goblin e sob liderança do Dr. Wilson, desenvolveram o projeto ‘O chamado do Herói’, que, com o uso da realidade virtual, permite que o paciente esteja em outro ‘universo’ durante a realização do procedimento, possibilitando, assim, que ele sinta a sensação no mundo real, mas com um significado também no jogo.
O desenvolvedor de jogos e um dos fundadores da Goblin, Chris Silva, revela que o projeto ainda passa por adaptação e melhorias, mas o game que foi criado do zero especialmente para as crianças que tratam no HA já traz muitos benefícios. Além da felicidade que vem trazendo aos pequenos, ‘O chamado do Herói’ ficou em 2º lugar no programa Centelha, iniciativa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI).
Segundo o especialista do HA, nenhum outro hospital brasileiro (seja da rede particular ou SUS) oferece serviço semelhante ou equivalente às crianças com câncer. “A possibilidade de redução de dor e ansiedade das crianças e seus familiares traz efeitos benéficos a curto, médio e longo prazo, o que além de suavizar o tratamento e melhorar a dignidade dos indivíduos, traz redução de custos hospitalares, por exemplo, menos medicações para anestesia ou redução da dor, além do impacto extremamente positivo na vida social destes pacientes após o término do tratamento”, explica o médico. Ele conta, ainda, que todas as crianças acima de 3 anos, em tratamento para o câncer, podem ser beneficiadas com esta solução apresentada pelo programa.
“Até o momento, a aplicação foi oferecida a oito crianças que necessitaram de anestesia para realização de procedimento de quimioterapia intra-tecal”, conta o Dr. Wilson. O médico explica que a utilização dos óculos reduziu de forma expressiva a ansiedade da criança (e de seus pais) desde antes da entrada no Centro Cirúrgico, se mantendo e facilitando todo o processo”. Ao final, todas as crianças convidadas para participar da experiência relataram que o procedimento foi divertido e que em uma próxima vez que necessitassem de anestesia, elas iriam com muito mais tranquilidade ao Centro Cirúrgico do HA.
O enfrentamento da doença
O médico detalha que a trajetória da criança com câncer, de um modo geral, desde o diagnóstico até a cura (ou a paliação com dignidade) é um longo caminho, uma jornada hercúlea, digna de grandes heróis míticos. “O nosso projeto vem suavizar esta jornada. Esse programa nasceu por meio da observação do sofrimento diário das crianças com câncer diante dos inúmeros procedimentos que são submetidas todos os dias”, conta Wilson.
De acordo com o cirurgião, crianças com câncer, por realizarem inúmeros procedimentos invasivos que necessitam de anestesia, tendem a apresentar quadros ansiosos potencialmente exacerbados. Este quadro pode trazer inúmeros prejuízos para os pacientes, prejudicando a adesão e o tratamento em si. Desta forma, buscar métodos de redução de ansiedade é um desafio para a equipe envolvida no cuidado da criança, dentre estes métodos, aqueles que promovem distração antes e durante os procedimentos, especialmente, por meio de métodos audiovisuais, possuem um bom resultado.
Oliveira explica que o produto, ainda em desenvolvimento e validação, faz parte do projeto de Mestrado Profissional de Inovação em Saúde do HA da médica anestesiologista pediátrica do Hospital de Amor infantojuvenil, Dra. Leticia Bachette, e além de ser inovador por usar tecnologia de realidade virtual imersiva, será o pioneiro na sua aplicação em crianças oncológicas.
Em busca de uma solução para o alívio da dor e da ansiedade que a criança e seus familiares sofrem, sabe-se que atividades lúdicas são formas de ajudar as crianças a entender todo o procedimento que será submetida, ajudando-as a processar emoções, sentimentos e preocupações de uma forma mais fácil e menos ameaçadora. O médico comenta que dentro desse contexto, o uso da gamificação, que se utiliza da interação associada a um design de jogo num contexto que não seja de jogo, transforma procedimentos traumáticos, como uma punção venosa, por exemplo, em uma experiencia prazerosa e divertida. Para facilitar este processo, o uso de tecnologias imersas como a Realidade Virtual (RV) estende o ambiente sensorial da criança simulando a realidade física através da tecnologia.
Segundo o cirurgião, no “O Chamado do Herói”, a intenção é que a criança seja a protagonista da própria aventura. Quando for submetida a algum procedimento que envolva algo desconfortável, ela será transportada a um mundo de fantasia 3D, através do uso dos óculos VR, unindo as duas realidades, por meio da distração e da sensação tátil, visando transformar o que é sentido fisicamente em uma aventura no mundo virtual, a fim de combater os altos níveis de ansiedade e estresse relacionados a doença e seu tratamento. Por consequência também auxilia o círculo familiar mais próximo durante o processo.
Para o médico, a utilização de ferramentas de inovação tecnológica buscando transportar a criança em tratamento oncológico, no momento de seu sofrimento a um mundo de fantasia, fundindo animação em RV, com sensação tátil do tratamento, traz uma nova perspectiva de cuidado humanizado para a ‘Oncologia Pediátrica’, em todas as suas vertentes de cuidado. “De acordo com a filosofia do Hospital de Amor, a unidade infantojuvenil é o lugar ideal para esta ideia germinar e se desenvolver”, finaliza Dr. Wilson.
A importância do Harena Inovação
Para o Dr. Wilson, a participação do time do Harena (Centro de Inovação do HA), é essencial para a aceleração do projeto. “Com o auxílio gestor do Harena Inovação, Centro de Inovação Aberta do Hospital de Amor que seleciona, acelera e conecta startups inovadoras das áreas da saúde (atualmente com mais de 65 startups em seu portfólio), foi criado um Grupo de Trabalho em Realidade Virtual (RV) e o cuidado da criança com câncer, composto por médicos, desenvolvedores de games e pesquisadores, contribuem para a validação científica e uma comercialização posterior da ferramenta para diversos hospitais do país.
Segundo estimativas para o triênio 2023-2025, do Instituto Nacional de Câncer (INCA), cerca de 32 mil casos de câncer de pulmão devem ser diagnosticados por ano no Brasil, o que coloca a doença como a quinta mais incidente entre todos os tipos de tumores malignos. No Hospital de Amor, de acordo com dados do departamento de Registro de Câncer, são aproximadamente 500 novos casos por ano, que muitas vezes chegam em estágios avançados, em decorrência da dificuldade no diagnóstico precoce, já que a doença, normalmente, não possui sintomas no estágio inicial. É o que reforça um levantamento do Instituto Oncoguia, que mostra que 86% dos pacientes recebem o diagnóstico tardiamente, quando a doença já não possui mais possibilidade de cura.
Apesar dos diversos fatores que favorecem a ocorrência do câncer de pulmão, como exposição a agentes cancerígenos químicos ou físicos, infecções pulmonares de repetição, doença pulmonar obstrutiva crônica (enfisema pulmonar e bronquite crônica) e fatores genéticos, o tabagismo ainda é o principal fator de risco para o desenvolvimento da doença, com até 85% dos casos diagnosticados associados ao consumo e exposição passiva aos derivados do tabaco.
“Nem todo indivíduo que fuma ou fumou desenvolverá câncer de pulmão, e isso ainda é realmente difícil de se prever, mas sabe-se que a chance de seu desenvolvimento está diretamente relacionada à carga de tabaco com a qual que se teve contato”, explica o médico radiologista do Hospital de Amor, Dr. Rodrigo Sampaio Chiarantano. Sabe-se também que a mortalidade em decorrência da doença entre os fumantes é cerca de 15 vezes maior do que entre pessoas que nunca fumaram, já entre os ex-fumantes essa taxa chega a ser quatro vezes maior.
Especialistas explicam que o início do diagnóstico pode ser feito com um exame simples de raio-X de tórax. Mas, caso seja constato a presença de lesão pulmonar, é necessário a realização de exames complementares, como tomografia computadorizada, ressonância magnética, broncoscopia e posteriormente, a biópsia da lesão. O oncologista clínico do HA, Dr. Carlos Eduardo Baston Silva, conta que as principais modalidades de tratamento são: cirurgia nos estádios iniciais, quimioterapia, radioterapia, terapia-alvo e imunoterapia, isolados ou em combinação.
Visando colaborar com a mudança do histórico da doença no país, o HA possui diversas iniciativas voltadas para o diagnóstico precoce, tratamento, ensino e a pesquisa em câncer de pulmão. Conheça melhor:
Pioneirismo no diagnóstico precoce
Há 4 anos, com o intuito de reduzir as taxas de diagnóstico tardio, o HA lançou um programa de rastreamento ativo de câncer de pulmão, como parte de uma iniciativa mais ampla da instituição, que se destaca por incluir também atividades de prevenção primária e pesquisa científica de ponta com marcadores biomoleculares.
Em um formato pioneiro na América Latina, uma unidade móvel foi equipada com um tomógrafo computadorizado de baixa dose e direcionada a fazer o acompanhamento da população de risco. O programa é o único no Brasil que integra dados de diversas esferas da área da saúde e oferece gratuitamente esse exame aos usuários do Sistema Único de Saúde. Inicialmente, o projeto atendeu com exclusividade os encaminhamentos dos participantes dos grupos de cessação de tabagismo, mas, atualmente, o rastreamento está disponível para todos os indivíduos que fazem parte do grupo de risco e que residem em um dos 18 municípios que compõem Departamento Regional de Saúde de Barretos (DRS-V).
O diferencial desta unidade móvel é o laudo, que foi elaborado para o programa, pensando em tornar a informação mais acessível ao paciente. O documento é composto por texto em linguagem mais simples e direta, acompanhado de um reforço visual que ilustra o significado dos achados. No laudo, são descritos os achados do exame potencialmente relacionados ao tabagismo e explicados os passos seguintes a partir dali. Ele foi desenvolvido pensando no melhor entendimento do indivíduo participante, estimulando o autocuidado e a vigilância de saúde. Os pacientes têm retornado com grande satisfação. Alguns deles relataram, inclusive, que o processo de rastreamento como um todo auxiliou na decisão de parar de fumar.
De acordo com Chiarantano, o projeto permanece como o único envolvendo esforços combinados de prevenção primária nos municípios (secretarias municipais de saúde) e rastreamento, sendo integralmente gratuito e utilizando uma unidade móvel. Até o momento 520 pessoas já passaram pela unidade, mas a meta é acelerar as atividades que ficaram estagnadas durante a pandemia de covid-19 e checar a 3 mil atendimentos até o final de 2024. Desde o início do projeto, cinco pacientes foram diagnosticados com a doença ainda no início.
Podem participar homens e mulheres, fumantes ou ex-fumantes de alto risco. Para verificar a situação de alto risco, basta acessar a calculadora online desenvolvida pela equipe e preencher os dados, que o aplicativo determina o risco e define a indicação ou não de se fazer o exame. Sendo de alto risco, basta entrar em contato pelo telefone 3321-6600, ramais 7010 ou 7080 e agendar o exame.
Avanços científicos
Consequência da seriedade e qualidade do programa de prevenção e rastreamento de câncer de pulmão, o Hospital de Amor foi aceito como colaborador em um grande consórcio de pesquisa internacional, o International Lung Cancer Consortium (ILCCO), que possibilitará melhorar o entendimento da genética relacionada ao câncer de pulmão, a melhor caracterização de grupos de risco e de fatores de decisão em relação aos achados de exame. “Trata-se de pesquisa de ponta e de qualidade, com grande potencial de contribuição para a ciência e para a redução da mortalidade por câncer de pulmão. Com base em informações obtidas sob consentimento em amostras biológicas dos indivíduos participantes, diversas características genéticas e biomoleculares estão sendo investigadas, traçando um perfil particular da nossa população, que se somam aos dados já obtidos de outras populações ao redor do mundo”, ressalta o radiologista.
Além disso, o Instituto de Ensino e Pesquisa do HA possui, desde 2018, o Grupo Translacional de Oncologia Pulmonar, cadastrado e certificado pelo CNPq, com o objetivo de fortalecer a investigação a pesquisa translacional em câncer de pulmão, desde o paciente, passando pela patogênese molecular até a aplicação na prática clínica empregando tecnologias de ponta. “O nosso grupo tem um caráter totalmente multidisciplinar e essa multidisciplinaridade alavanca as pesquisas sobre o câncer de pulmão, tendo sempre como nosso foco principal o paciente. Atualmente, atuamos no desenvolvimento de novos painéis moleculares e na investigação de biomarcadores para auxiliar a equipe médica no manejo do paciente”, explica a pesquisadora Letícia Ferro Leal.
Avanços tecnológicos – cirurgias torácicas robóticas
Desde agosto de 2022, o Hospital de Amor realiza cirurgias torácicas com auxílio de robôs aos seus pacientes, gratuitamente. De acordo com o médico cirurgião do hospital, Dr. Luís Gustavo Romagnolo, esse tipo de procedimento é uma melhor opção para o paciente e os que realizam tratamento de neoplasia no pulmão são os principais beneficiados com o procedimento. “Com essa tecnologia, conseguimos contribuir com um melhor resultado estético, uma maior precisão, menos dor e desconforto durante o pós-operatório, menos riscos de infecções na ferida operatória e menos chances de hérnias incisionais a curto e médio prazo”, afirmou.
A iniciativa foi idealizada pelo grupo de cirurgiões do departamento de cirurgia torácica oncológica do HA, formado pelos médicos Dr. Wilson Chubassi de Aveiro, Dr. Maurício Cusmanich, Dr. Rachid Eduardo Noleto da Nóbrega Oliveira e o chefe do departamento, Dr. José Elias Abrão Miziara.
Avanços tecnológicos – alta tecnologia em radioterapia
O Hospital de Amor é uma das poucas instituições do Sistema Único de Saúde a oferecer radioterapia estereotáxica corporal (SBRT), uma técnica avançada e de alta tecnologia, não custeada pelo poder público. Em outubro de 2022, a revista científica The Lancet Regional Health – Americas publicou um artigo escrito por médicos e pesquisadores do HA, em parceria com profissionais da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo e da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, que teve como objetivo avaliar se a SBRT é uma estratégia mais custo-efetiva do que a radioterapia fracionada convencional. O trabalho, teve como base pacientes com câncer de pulmão de células não pequenas em estágio I inelegíveis cirurgicamente. O estudo traz resultados que provam que o uso da modalidade SBRT resulta em mais anos de vida para os pacientes.
“Hoje, o tratamento padrão curativo é a lobectomia — a remoção de um lobo pulmonar por meio cirúrgico. O problema é que boa parte dos que descobrem o tumor no estágio inicial é quem fuma, o idoso e quem tem o coração fraco ou outras doenças derivadas do cigarro, da vida e da idade”, explica um dos coordenadores do estudo, o radio-oncologista Alexandre Arthur Jacinto.
A SBRT age somente no nódulo e protege qualquer tecido ao redor, através de uma técnica com base em tomografias 4D. “Enquanto respiramos e falamos, o pulmão se movimenta e o nódulo também. Como faço um tratamento preciso numa região que se movimenta o tempo inteiro? A estereotaxia trata esse tumor rastreando seu movimento. Eu vejo o movimento do nódulo e consigo dar uma dose gigante de radioterapia com a possibilidade de controle desse nódulo de 90%, que é o mesmo que a cirurgia oferece”, destaca o especialista.
Educação – Projeto Inspirar
O Núcleo de Educação em Câncer do Hospital de Amor criou, em 2020, o Projeto Inspirar, mediante a necessidade de proporcionar aos adolescentes a reflexão e a conscientização dos malefícios do tabaco, tendo em vista que é durante o período entre o ensino médio e superior, que o número de usuários de tabaco cresce, tornando-se importante fator de risco para o desenvolvimento de doenças na idade adulta, como o câncer de pulmão. Nesse contexto, o intuito é estimular os adolescentes a se conscientizarem sobre os malefícios do tabagismo, antes que possam se tornar usuários, além de incentivá-los a realizarem a divulgação científica sobre essa temática, junto à comunidade.
O projeto é iniciado por meio de uma capacitação proporcionada aos educadores da comunidade escolar, a fim de que estes conheçam de forma mais aprofundada as consequências do tabagismo, além de receberem orientações sobre como o projeto deverá ser desenvolvido com os alunos. Posteriormente, as inscrições para participar do projeto são abertas. Cada escola pode inscrever grupos de no máximo cinco estudantes do 9º ano acompanhados de um professor orientador, que devem cumprir as seguintes provas, dentro da plataforma virtual do projeto: 1 – Quiz de perguntas e respostas; 2 – Campanha nas Mídias Sociais Antitabagismo; 3 – InspirAção e Ciência (abrangendo a elaboração de apresentações criativas de divulgação científica sobre a temática do projeto). Todas as provas proporcionam uma quantidade de pontos para as equipes, que são indicadas por uma Comissão Avaliadora composta por profissionais do Hospital de Amor e das Secretarias Municipais de Educação.
Como culminância, o projeto finaliza-se por meio da apresentação das 10 equipes destaques na terceira prova em um evento. Após as apresentações, são divulgadas as colocações de cada grupo finalista que recebem junto de seu professor orientador e de sua escola os respectivos prêmios.
Referência em tratamento oncológico gratuito na América Latina e mais de 60 anos de história, o Hospital de Amor busca constantemente, por meio de suas estruturas tecnológicas e procedimentos avançados, pela melhor assistência ao paciente. Diante deste cenário, inúmeras são as conquistas da instituição! Uma delas é a realização, há mais de dez anos, de cirurgias cerebrais e vertebrais utilizando a neuronavegação – dispositivo que tem funcionamento semelhante ao GPS (Sistema de Posicionamento Global), responsável por mostrar ao cirurgião, através dos exames do paciente, a localização exata de onde um determinado instrumento encontra-se, em tempo real, no momento da cirurgia.
Este, por si só, já pode ser considerado um grande progresso cirúrgico, mas a novidade é ainda maior! No mês de fevereiro, o HA recebeu o robô CIRQ (desenvolvido pela empresa alemã BrainLab) e pôde realizar, junto a sua equipe composta por neurocirurgiões, anestesiologista, enfermeiros e engenheiros, duas cirurgias inéditas no Sistema Único de Saúde (SUS) e no estado de São Paulo.
De acordo com o neurocirurgião do Hospital de Amor, Dr. Ismael Lombardi, trata-se de um braço robótico que consegue determinar, no intra-operatório, a trajetória para que a agulha ou os parafusos alcancem os alvos marcados pelo cirurgião de maneira extremamente precisa. “Uma vez que o robô adquire as informações geradas pelo neuronavegador, de forma automatizada, é gerada a trajetória mais precisa para a inserção de implantes ou instrumentos. Todo processo tem a supervisão intra-operatória do cirurgião, aumentando ainda mais a segurança.
Sem a presença do robô, esta etapa do procedimento seria realizada de forma exclusivamente manual”, afirmou.
Atuando de forma integrada com o neuronavegador, o CIRQ pode ser utilizado em cirurgias que necessitam da implantação de parafusos na coluna vertebral, biópsias da coluna vertebral e biópsias de lesões cerebrais, independentemente do tipo de tumor. Cirurgias para doenças degenerativas da coluna vertebral também podem se beneficiar desta tecnologia, além de outros tipos de cirurgias não-oncológicas, como drenagem de hematomas e abscessos cerebrais, ou mesmo a colocação de estimuladores cerebrais que necessitem de alta precisão cirúrgica.
“Graças a parceria com a BrainLab, conseguimos manter o robô 10 dias na instituição e realizar três procedimentos de alta precisão e exatidão: uma cerebral e duas cirurgias para coluna vertebral. A neuronavegação faz parte da nossa rotina, mas contar com o auxílio do robô, foi pioneiro e extremamente gratificante”, explicou Lombardi.
Inúmeros benefícios
Não são apenas os profissionais do HA que ‘ganharam’ ao utilizar esta tecnologia durante as cirurgias. Os pacientes da instituição, com certeza, foram os maiores beneficiados! Segundo o neurocirurgião, a introdução da robótica nos procedimentos cirúrgicos possíveis, trouxe mais precisão e segurança aos cirurgiões, e muito menos complicações aos pacientes. “O nosso bom resultado é o bom resultado dos nossos pacientes. Com a introdução da navegação e robótica, pudemos ter redução no tempo cirúrgico e de internação, além de menor exposição da equipe e dos pacientes ao Raio-X, muito utilizados nestes procedimentos realizados de forma convencional”, declarou.
Os pacientes do Hospital de Amor que foram submetidos (gratuitamente, como todos os atendimentos realizados pela instituição) aos procedimentos cirúrgicos com o CIRQ, receberam alta em apenas dois dias de internação e tiveram evolução satisfatória, sem intercorrências ou contratempos.
Mais um motivo que marcou a história do HA e encheu seus profissionais e pacientes de orgulho!
Câncer colorretal: segundo tipo de tumor mais comum em homens e mulheres (quando não consideramos o câncer de pele não melanoma) e o terceiro que mais mata no Brasil, com estimativa de 41 mil novos casos por ano no país, de acordo com dados recentes do Instituto Nacional de Câncer (INCA). Com números tão alarmantes e um mês especialmente dedicado à prevenção e detecção precoce deste tipo de câncer – o “Março Marinho” – é preciso falar mais sobre o assunto.
A neoplasia que acomete o trato digestivo (intestino grosso e reto), principalmente em pessoas com idade entre 60 e 70 anos, é tratável e, na maioria dos casos, curável ao ser diagnosticado precocemente. Sintomas como sangue oculto nas fezes e dor na barriga (geralmente cólica), seguido de alteração intestinal (como intestino preso), são comuns deste tipo de câncer. Além disso, podem ser vistos também anemia, fraqueza e perda de peso, mas, geralmente, esses sinais já indicam a doença em fase avançada.
Segundo o médico coordenador do departamento de endoscopia do Hospital de Amor, Dr. Claúdio Hashimoto, dentre os fatores de riscos relacionados ao desenvolvimento do câncer no intestino, estão o sedentarismo, sobrepeso, alimentação pobre em fibras e rica em carnes vermelhas e processadas, exposição à radiação, tabagismo e alcoolismo. “Na presença de qualquer um dos sintomas é muito importante procurar o médico especialista para iniciar a investigação. É fundamental e necessário manter hábitos de vida saudáveis para se evitar a doença”, afirma.
Sabe o que é mais importante? A prevenção do câncer colorretal, assim como em vários outros tipos da doença, salva vidas! E existem vários métodos eficientes para o diagnóstico precoce do tumor, como:
• Pesquisa de sangue oculto nas fezes – indicado para quem não apresenta sintomas, mas está na faixa etária (homens e mulheres que tenham entre 50 e 65 anos);
• Colonoscopia – para quem já possui sintomas.
Teste FIT
Você sabia que é possível detectar o câncer colorretal sem que haja sintomas aparentes? Sim! Por meio do teste de imunoquímica fecal, também conhecido como teste FIT ou exame de sangue oculto nas fezes, é possível identificar o sangramento presente nas fezes, na maioria das vezes não perceptível a olho nu, e uma análise qualitativa.
Indicado para homens e mulheres que tenham entre 50 e 65 anos, que não tenham feito nenhum exame de colonoscopia ou de retossigmoidoscopia nos últimos cinco anos, não tenham nenhum histórico de doença inflamatória intestinal e de pólipos colorretais, o FIT é utilizado como um exame de pré-triagem e gratuitamente disponibilizado pelo Hospital de Amor, através do programa de rastreamento do Instituto de Prevenção – o único do país oferecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Por se tratar de um procedimento não invasivo, sem necessidade de preparo e indolor, possui uma excelente aceitação pelos pacientes. “Se o paciente se enquadrar em todos os critérios, ele recebe o kit para coleta das fezes. Não é necessário fazer nenhuma dieta e ele pode realizar o exame quando preferir”, explica Hashimoto.
Como fazer o exame?
Para a efetividade do exame, são necessárias três amostras de fezes consecutivas. Dessa forma, ao defecar, o paciente utiliza o “coletor” (que recebe com o kit) e perfura as fezes em três locais diferentes. Em seguida, insere o coletor com a amostra no recipiente do exame, fecha-o adequadamente e armazena-o por até três dias em temperatura ambiente.
Depois, encaminha-o ao departamento de análise do HA e aguarda o resultado. “Caso o resultado seja positivo para sangue oculto nas fezes, não significa que o paciente esteja com câncer. É necessário prosseguir a investigação com o exame de colonoscopia”, afirma o médico.
Quando realizar a Colonoscopia?
A colonoscopia – exame de vídeo utilizado para visualizar o interior do intestino grosso e a parte final do intestino delgado – permite avaliar, tirar fotos e biópsias destas regiões por meio de um endoscópio (colonoscópio). É um procedimento indicado a pacientes que já possuem sintomas, que possuem casos de câncer colorretal ou pólipos na família e que estejam dentro da faixa etária permitida.
“É importante esclarecer que em alguns casos, neste tipo de câncer, principalmente quando detectado em fases iniciais, vários pólipos intestinais podem ser retirados e curados por meio da própria colonoscopia, sem a necessidade de se realizar as cirurgias convencionais”, finalizou Hashimoto.
Previna-se!
Se você tem entre 50 e 65 anos de idade, faça a prevenção do câncer colorretal mesmo não apresentando sinais, por meio do teste FIT. Em casos de sintomas, consulte seu médico de confiança ou vá até uma unidade básica de saúde para receber orientações. E lembre-se: a prevenção salva vidas e deve ser realizada o ano todo!
Saiba mais em: ha.com.vc/marcomarinho.
Quando começou a sentir dores na região das costas, José Benedito Costa, de 61 anos, não imaginava que o destino lhe proporcionaria uma viagem de cerca de 4 mil quilômetros de distância de sua casa. Atravessar o Brasil não estava em seus planos quando as coisas começaram a sair da rotina.
O roraimense de Boa Vista (RO) viu sua vida mudar completamente ao receber o diagnóstico de câncer em sua cidade de origem. Não bastasse o medo e a ansiedade natural que a doença lhe trazia, também era preciso largar tudo e ir para o interior de São Paulo, para dar início ao seu tratamento. Mas, até chegar ao diagnóstico final, foi uma longa jornada que ele trilhou ao lado de sua esposa, Eliani Amorim, 46 anos, que no mesmo período enfrentava os desafios de um aneurisma que tinha sido detectado em seu cérebro.
O início de uma nova vida
José conta que sentia muita dor no quadril (MarziniClinic), especificamente no cóccix, além de sentir dores ao urinar. “O médico disse que eu tinha uma fistula que precisava operar. Ele já havia realizado mais de 1.200 cirurgias, mas algo como o que eu tinha, ele nunca havia visto”. Durante o procedimento da fistula, o profissional constatou que a situação era mais difícil do que ele pensava.
Ao ficar muito tempo sentado enquanto trabalhava, o ex-técnico em finanças sentia muitas dores. “Descobri que tinha uma fistula que era ocasionada pelo câncer, e foi aí que eu ouvi pela primeira vez a palavra ‘cordoma’. Era necessário fazer uma biopsia para saber qual tipo era”, afirmou. Em abril de 2017, José recebeu o diagnóstico de cordoma (lesão maligna da medula espinhal), em Boa Vista. Seu novo desafio era começar o tratamento contra o câncer.
Por meio da ajuda de uma amiga, foi possível a transferência para o Hospital de Amor, em Barretos (SP). “Vim de voo com o auxílio de um jatinho, direto para o CIA (Centro de Intercorrência Ambulatorial)”, lembra. Após refazer os exames no HA, foi constatado que o ‘cordoma’, na verdade, já estava em metástase.
Após 20 meses, nove ciclos de quimioterapia e uma semana de radioterapia (feitos para conter o crescimento da neoplasia), José realizou a cirurgia para retirar o tumor, em abril de 2019. “Cheguei a ficar dez meses deitado, pois eu já não andava mais, algo que os médicos disseram que nunca mais iria acontecer após o procedimento. Quando cheguei em Barretos, o tumor que inicialmente tinha 5 cm, estava com 10,73 cm”, conta.
De acordo com a sua esposa, o oncologista disse que, após operar, o paciente ficaria um mês no hospital para aprender seu novo estilo de vida, já que ele não iria andar novamente. Ela conta, porém, que de forma surpreendente ele ficou apenas um dia na UTI e, depois de três dias, já estava em casa andando com ajuda do andador.
José revela que os médicos ficaram admirados ao vê-lo caminhar. “Acabei surpreendendo a medicina, porque eles também disseram que eu iria usar a bolsinha de colostomia, além de não caminhar. Eu pedi a Deus para me ajudar e ele me ouviu. Cheguei a criar calo nos joelhos de tanto orar e pedir essa graça”. Após sair do hospital, o paciente precisou usar o andador e em seguida a bengala, mas saiu andando, o que era uma grande conquista para ele, mesmo diante das dores.
“Eu perguntei por que eles não colocaram alguma prótese, pois eles tinham removido meu cóccix todo”, relata José ao lembrar como foi seu diálogo com a equipe médica. Os médicos explicaram que não foi feito este procedimento, pois não era esperado que ele voltasse a andar. Com esse cenário, as dores ao dar seus passos não eram esperadas também.
Posteriormente, a equipe de fisiatras do Centro de Reabilitação do HA identificou que em relação à dor não se podia fazer mais pelo paciente, foi quando entrou em cena a Dra. Margareth Lucca, médica anestesiologista, especializada em dor e em medicina tradicional chinesa, que atua no Hospital de Amor há cinco anos. Nascia assim a esperança de aliviar as sequelas deixadas pela cirurgia.
Arte milenar que combate à dor
A terapia milenar chinesa que consiste na aplicação de agulhas em pontos específicos do corpo do paciente, a fim de tratar enfermidades e promover bem-estar e melhorar a qualidade de vida, é conhecida como acupuntura. Este procedimento é realizado pela médica que diariamente atende, em média, 18 pacientes, dentre eles, adultos e crianças, no centro de reabilitação do HA. “As pessoas chegam irritadas, desanimadas, tristes, sem esperança e com dor. Ao oferecer um trabalho com muito amor e carinho, algo acontece”, revela a Dra. Margareth.
A especialista que iniciou o projeto ‘FADA’ no ambiente de trabalho, explica o nome da ação: Fazendo o Acolhimento da Dor com Aromaterapia – uma outra prática integrativa já reconhecida pelo SUS. Ou seja, por meio de um spray perfumado, ela consegue aromatizar o local, oferecendo bem-estar aos pacientes assim que chegam ao centro. “Como o cheirinho chega até o sistema nervoso central, em um lugar chamado límbico, modifica a reação do corpo, traz um relaxamento, alivia a tensão, a pessoa se sente mais bem acolhida e já muda”, disse a profissional, que também aplica cromoterapia no ambiente, oferendo um tratamento holístico a todos os pacientes que são atendidos por ela.
Ao falar sobre os atendimentos que realiza em José, a médica fica emocionada: “Só de ver o tamanho da cicatriz e conhecer toda história dele, é claro que existe um sofrimento intenso, um bloqueio de ficar restrito pela dor, mas me alegro ao saber que ele jamais perdeu a esperança”.
A terapeuta explica que já realizou infiltrações no paciente em pontos específicos que geram o gatilho da dor. Em seguida, é feito o procedimento da acupuntura. “Este serviço é oferecido via SUS em outros hospitais, mas a maneira com que o Hospital de Amor conduz é única, não somente pelo uso da tecnologia e aparelhos maravilhosos que há no Centro de Reabilitação, mas também pelo carinho e acolhimento que todos os colaboradores oferecem aos pacientes. Isso faz toda a diferença”, afirma a especialista, que tem sua fala validada por José.
“Deus colocou pessoas escolhidas por Ele no meu caminho, no tempo certo e durante todo meu tratamento. Eu costumo dizer que este é o melhor hospital de América Latina. Já fui em vários lugares do Brasil, mas não existe outro igual. Aqui, as pessoas respeitam o paciente e nos tratam com muita dignidade. Somos todos seres humanos e se eu preciso ser bem tratado, eu devo tratar todos bem, e no Hospital de Amor eu recebo o melhor”, conta o paciente que revela não ter medo das agulhas que recebe uma vez por mês, durantes os 25 minutos de sessão.
Com quase dois anos de tratamento terapêutico de acupuntura, José não precisa mais do auxílio do andador e da bengala para caminhar. Aliado à acupuntura e atividades físicas prescritas pelo time do Centro de Reabilitação, ele decidiu se mudar para Barretos, onde pode receber um tratamento de qualidade, gratuitamente, o que não ocorre em seu estado de origem. Ao lado de sua fiel companheira, sua esposa Eliani, ele vive com seus oito filhos.
Picadas de Amor
“Costumo dizer que ganhar um beijo é melhor do que ganhar uma picada, porém, eu já tive crianças de 5 anos que pediram acupuntura e já tive idosos que tem um maior estresse, então é uma coisa muito pessoal. Tem pessoas que trazem medos, porque nós ocidentais, muitas vezes, achamos que a agulha significa punição e sofrimento, mas neste caso não, são agulhas do bem que trazem bem-estar”, conclui a Dra. Margareth.
Assim como no relato acima, existem diversas comprovações de que a acupuntura de fato funciona. Contudo, no Brasil essa terapia só dever ser utilizada de maneira complementar ao tratamento clínico orientado pelo médico, contribuindo para a qualidade de vida do paciente. É claro que também não pode faltar carinho, amor e empatia!
O câncer é, há muito tempo, um dos principais problemas de saúde pública no mundo. A situação fica ainda mais preocupante quando as estimativas apontam que, nos próximos anos, os números de casos da doença irão aumentar. É isso mesmo! De acordo com o INCA (Instituto Nacional de Câncer), entre 2023 e 2025 são esperados 705 mil novos casos de câncer no Brasil por ano, ou seja, muitas pessoas serão diagnosticadas, principalmente as que estão localizadas nas regiões Sul e Sudeste, onde estão concentradas 70% da incidência.
E agora? Por que haverá o aumento desses números? Com o propósito de incentivar a conscientização da sociedade sobre a importância da prevenção, do diagnóstico e da ampliação de políticas públicas associadas ao combate à doença, foi criado o “Dia Mundial do Câncer” (World Cancer Day) – mobilização internacional celebrada em 4 de fevereiro. Por conta dessas e outras questões, o cirurgião oncológico do Hospital de Amor, Dr. Ricardo Gama, esclareceu: isto se deve pelo envelhecimento da população. “As pessoas estão vivendo mais e, consequentemente, envelhecendo mais. Por isso, a gente acaba vendo um maior número de casos de câncer nas pessoas acima de 50 a 60 anos, que é a faixa etária mais comumente atingida pelas neoplasias malignas. Além disso, o fácil acesso ao diagnóstico das doenças, tanto no sistema público de saúde, quanto no privado, faz com que se tenha um aumento nos números de tumores”, contou.
Tipos de câncer mais comuns
Segundo o médico, o tipo de câncer mais comum atualmente, ainda é o de pele não melanoma. Nas mulheres, o mais incidente é o de mama; nos homens, o de próstata. Para o próximo triênio, as estimativas apontam o câncer de intestino, ou seja, o colorretal, como sendo o segundo mais frequente. Em porcentagens, a incidência seria:
1 – câncer de pele não melanoma (31,3%)
2 – câncer de mama (10,5%)
3 – câncer de próstata (10,2%)
4 – câncer colorretal (6,5%)
5 – câncer de pulmão (4,6%)
6 – câncer de estômago (3,1%)
Além desses tipos, aparecem também:
*o câncer de fígado – mais incidente na região Norte por conta das infecções e doenças hepáticas crônicas;
*o câncer de pâncreas – mais incidente na região Sul, sendo seus principais fatores de risco a obesidade e o tabagismo.
“Os dados do INCA nos mostram que os aumentos de casos de câncer acontecerão, principalmente, nas regiões Sul e Sudeste. Mas, é importante lembrarmos que mais de 50% da população brasileira reside nestas localidades, ou seja, com a alta densidade demográfica, é natural que os números da doença sejam maiores mesmo”, esclareceu Gama.
A importância da prevenção
Agora você deve estar se perguntando: e o que devemos fazer para melhorar essa realidade? A resposta é uma só: a prevenção é essencial! Para o Dr. Ricardo Gama, é impossível pensar em combate ao câncer, sem antes pensar na eliminação dos fatores de risco que são comuns na maioria dos casos, independente da região. “Todas as formas de tabagismo, alcoolismo, doenças sexualmente transmissíveis (HPV e AIDS), alimentação com embutidos, ultraprocessados, excesso de carboidratos, açúcares e gorduras saturadas, devem ser evitadas e substituídas por práticas de atividades físicas e hábitos saudáveis”, ressaltou.
Já naqueles casos em que os tumores malignos não são preveníveis (20 a 30%), ou seja, os hereditários que não estão ligados diretamente aos fatores de risco, a prevenção deve ser realizada como forma de conscientização. “É muito difícil prevenir algo que não tem uma prevenção concreta, mas deter e difundir o conhecimento, como por exemplo, o projeto ‘Passos que Salvam’ do HA – que alerta a população sobre os sinais e sintomas do câncer infantojuvenil – é primordial. O conhecimento é sempre essencial. Portanto, se você é muito jovem e teve câncer ou conhece alguém nesta situação, é preciso chamar atenção para um possível câncer hereditário, principalmente, se já existe histórico familiar”, explicou Gama.
COVID-19 x Diagnóstico de câncer
A pandemia da COVID-19 também trouxe um grande impacto no diagnóstico de câncer. O atraso na identificação das neoplasias malignas foi determinante para o aumento significativo dos números de casos da doença no Brasil. “As pessoas não saíam de casa e, quando saíam, era para resolver problemas pontuais relacionados à COVID-19. Dessa forma, o paciente que tinha sinais e sintomas de câncer e que poderia, em um mundo normal (sem pandemia), procurar uma unidade de saúde, não o fez. Então, de 2022 em diante houve um crescimento exacerbado nos casos avançados de câncer”, destacou o médico.
Há mais de 60 anos, o Hospital de Amor – referência em tratamento oncológico na América Latina, com excelência em assistência, prevenção, ensino, pesquisa e inovação – realiza um trabalho impactante no combate ao câncer. Por meio do rastreamento oferecido pelas unidades fixas e móveis de prevenção, da divulgação de informações sobre a importância do diagnóstico precoce, e de outros projetos, a instituição consegue levar saúde de qualidade para a população de todo Brasil e salvar milhares de vidas!
Há alguns dias, diversos portais de notícia divulgaram que a cantora Preta Gil, de 48 anos, foi diagnosticada com câncer de intestino – também conhecido por câncer do cólon e reto ou câncer colorretal. A descoberta aconteceu após exames terem apontado a presença de um tumor adenocarcinoma na porção final do órgão. Para que você entenda melhor sobre a doença, fique atento os sintomas e saiba como preveni-la, o Hospital de Amor preparou esta matéria especial (Covisus). Afinal, quem nunca teve um parente ou amigo próximo com câncer do intestino?
Cada vez mais frequente na população brasileira, a doença (que nem sempre é tão divulgada) possui número alarmantes: é o terceiro câncer mais comum nos homens (após próstata e pulmão) e o segundo nas mulheres (após mama). De acordo com dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA), é o segundo tumor mais comum do aparelho digestivo e o terceiro que mais mata no Brasil.
O adenocarcinoma se desenvolve em pólipos (crescimento anormal de tecidos em regiões como o intestino) que, embora sejam considerados benignos, podem sofrer alterações ao longo dos anos e se tornar cancerígenos se não forem identificados e tratados precocemente. Em muitos casos, é um tipo de câncer que surge de modo assintomático, por isso é tão importante realizar os exames de rastreamento.
Além de Preta Gil, outros famosos também sofreram com a doença, como a cantora Simony (em tratamento) e o ex-jogador Pelé. A estimativa é de que mais de 40 mil novos casos surjam no país todos os anos, afetando ambos os sexos, com idades a partir de 45 anos – sendo mais frequente entre 60 e 70 anos. Entre os fatores de risco, estão: hábitos alimentares não saudáveis, sedentarismo, obesidade, tabagismo, alcoolismo e histórico familiar.
Sintomas e Diagnóstico
Segundo o médico responsável pelo departamento de Endoscopia do HA, Dr. Claudio Hashimoto, os sintomas mais comuns do câncer colorretal são: a presença de sangue nas fezes e dor na barriga (geralmente cólica), seguido de alteração intestinal (o mais comum é o intestino preso). Podem ser vistos também anemia, fraqueza e perda de peso, mas, geralmente, esses sinais já indicam a doença em fase avançada.
“Na presença destes sintomas é muito importante procurar o médico especialista para iniciar a investigação. O principal exame a se fazer é a colonoscopia, que permite avaliar, tirar fotos e biópsias do intestino grosso por meio de um endoscópio (colonoscópio). Mais importante ainda é informar a população sobre a prevenção e o diagnóstico da doença em fase curável, ou seja, sem que haja estes sinais típicos”, alerta o médico.
Prevenção
Existem vários métodos eficientes para a prevenção e o diagnóstico precoce do câncer colorretal, porém, os mais efetivos são:
• Pesquisa de sangue oculto nas fezes – exame não invasivo, sem necessidade de preparo e indolor, que detecta o sangramento não visível ao olho nu).
• Colonoscopia.
“É importante esclarecer que em alguns casos, neste tipo de câncer, principalmente quando detectado em fases iniciais, vários pólipos intestinais podem ser retirados e curados por meio da própria colonoscopia, sem a necessidade de se realizar as cirurgias convencionais”, declarou Hashimoto.
Recomendação
Se você tem entre 45 e 50 anos de idade, faça a prevenção do câncer colorretal, mesmo não apresentando sinais. E, em casos de sintomas, consulte seu médico de confiança ou vá até uma unidade básica de saúde para receber orientações.