
Há certas notícias que chegam sem pedir licença em nossas vidas; elas têm o poder de trazer confronto na rotina como um vendaval que desarruma todas as certezas. Quase como uma forte e inesperada chuva de verão, que costuma fazer muitos estragos. Para a jovem arquiteta Priscila Forcel, de Itápolis, no interior de São Paulo, essa tempestade veio em janeiro de 2022. Aos 27 anos, ela se viu diante de um diagnóstico que ninguém espera: o câncer do colo do útero.
O Hospital de Amor, em Barretos (SP), não surgiu em sua vida por acaso; surgiu como um porto seguro após um exame de rotina, o Papanicolaou, que Priscila realizou durante uma campanha municipal. Ali, a arquiteta, acostumada a traçar linhas para desenvolver suas plantas de construção, viu na ciência, ao lado da fé, uma nova história em sua vida.
“No início, senti medo, confusão e revolta”, confessa a jovem, hoje com 30 anos. É a reação humana, o primeiro degrau do enfrentamento. Mas, para ela, o diagnóstico não foi um ponto final, e sim uma ‘virada de chave’. Onde muitos veem o abismo, a arquiteta buscou os alicerces de sua fé. “Entendi que Deus iria me fortalecer e tirar algo de bom daquela situação. O diagnóstico foi doloroso, mas o Senhor me sustentou quando eu não tinha forças”, revela.
Nesse processo de tratamento e cura, a paciente descobriu que o Hospital de Amor faz jus ao nome que carrega. Para além da excelência técnica e dos equipamentos de ponta, o que a marcou foi o olhar. Ela descreve uma medicina que não se limita a tratar o tumor, mas que se ocupa da alma, do emocional e da esperança de quem está no leito.
Um tempo para desacelerar
A mulher que antes vivia no ‘automático’, como tantos de nós, abarrotados pela urgência do mundo, encontrou no tratamento uma nova ‘passada’ para o tempo. Priscila redescobriu o prazer nas mãos. Ela encontrou no crochê e na pintura, cores para aguardar durante os atendimentos, para colocar os pensamentos em ordem. Na fotografia, viu a oportunidade de criar memórias infinitas, e na cozinha, aprendeu mais sobre o poder da comunhão no convívio familiar. “Aprendi que o tempo é precioso e que a vida é um presente diário”, diz ela. O câncer, em sua visão, foi um processo de renascimento.
O futuro está logo ali
Longe de se deixar entristecer, a mestra em Engenharia Urbana projeta o amanhã com a fé de quem conhece bem o terreno onde pisa. Seu maior sonho? Conseguir transformar sua experiência pessoal em motivação para produzir conhecimento que mude realidades de fato.
Para as mulheres que hoje recebem a notícia que ela recebeu há três anos, o conselho de Priscila é direto e carregado de uma serenidade conquistada com lágrimas e muita resiliência: “O câncer não é um castigo, nem o fim da história. Ele é um processo, e processos passam”.
Ao falar da equipe que a atendeu em Barretos, a emoção transborda. Os olhos brilham de gratidão. Para Priscila, a equipe que cuidou dela são “anjos por toda parte” e “respostas de oração”. Na ‘planta’ da cura desenhada por ela, o Hospital de Amor é mais que um hospital; é o lugar onde a ciência de ponta se curva diante do milagre da dedicação e o amor ao próximo.
Priscila Kauana Barelli Forcel sobreviveu. Mais do que isso: ela aprendeu a viver com presença. E, em sua história, a arquitetura da vida revelou-se muito mais bela e resistente do que qualquer estrutura de concreto. “Meu maior sonho é seguir como pesquisadora, produzir conhecimento que ajude a transformar realidades e, ao mesmo tempo, viver uma vida com propósito, saúde e fé. Quero usar tudo o que vivi, inclusive o câncer, como combustível para fazer algo maior”. É com estas palavras que Priscila nos encoraja a continuar salvando vidas!


O Hospital de Amor, referência internacional em oncologia, deu mais um importante passo no tratamento de câncer ocular com a inauguração do “Centro de Tratamento de Melanoma Uveal”.
O grande diferencial com a inauguração desse centro do Hospital de Amor, em Barretos (SP), é que a instituição passará a realizar o procedimento de braquiterapia ocular em larga escala, e devido à alta tecnologia, poderá tratar tumores de maior tamanho e com menos efeitos colaterais. Hoje, no Brasil, especialmente no Sistema Único de Saúde (SUS), ainda há pouca disponibilidade de centros especializados para o tratamento desse tipo de câncer. Os pacientes raramente têm acesso a tratamentos que preservem o olho e a testes moleculares que ajudam a prever o risco de metástases e guiar o acompanhamento da doença.
Com a criação desse centro no HA, será possível oferecer diagnóstico e tratamento de forma mais rápida, organizada e moderna, melhorando o cuidado e aumentando a chances de cura, preservando o olho e a visão, quando possível. “O paciente não vai mais precisar ser submetido a um tratamento mutilador. A braquiterapia oferece a mesma chance de cura que a enucleação, mas sem a necessidade futura de próteses oculares, preservando a estética e, em muitos casos, a visão”, explica o oftalmologista do HA, em Barretos, Dr. Tomás de Oliveira Castro Teixeira Pinto.
“Outros serviços já ofereceram a braquiterapia ocular no Sistema Único de Saúde (SUS), mas não com essa tecnologia de ponta. Para o SUS, a principal importância é o acesso: serviços que oferecem braquiterapia são poucos e insuficientes, geralmente só conseguindo tratar tumores pequenos devido à tecnologia disponível. Na rede privada o tratamento é muito caro, fora da realidade da maioria dos pacientes”, destaca o médico oftalmologista do HA, em Barretos (SP), Dr. Roque Lima de Souza.

Braquiterapia ocular
Diferente da radioterapia convencional, que emite radiação de uma fonte externa, a braquiterapia ocular é uma modalidade de radioterapia, na qual, uma placa contendo sementes radioativas de Iodo-125 é cirurgicamente posicionada no globo ocular, permitindo que a radiação seja direcionada precisamente ao tumor, preservando ao máximo os tecidos saudáveis e minimizando danos à visão do paciente. Essa placa fica acoplada no local por um período específico, geralmente de dois a sete dias, a depender do tipo do tumor, tamanho e da atividade radioativa das sementes.
O Hospital de Amor dispõe das placas de braquiterapia e do sistema de planejamento mais modernos, o que permite oferecer tratamentos extremamente personalizados e eficientes, aumentando as chances de cura e reduzindo os efeitos adversos da radioterapia.
“Para o planejamento da braquiterapia oftálmica, é utilizado um software específico, que consegue, a partir de imagens diagnósticas do olho do paciente como tomografia computadorizada, ultrassom e imagem de fundo ocular, fazer uma reconstrução tridimensional do olho, gerando um mapa completo, contendo a localização precisa da lesão e todas as coordenadas de onde a placa deve ser fixada. Nesse sistema é possível inserir todas as informações das sementes de Iodo-125 disponíveis na instituição, da dose prescrita pelo radioterapeuta, além de ser possível simular o planejamento sob diferentes placas. Após o usuário definir o número de sementes e onde elas ficarão distribuídas na placa, o sistema faz um cálculo da distribuição da dose de radiação na lesão e nas estruturas saudáveis dentro do olho”, explica o físico médico especialista em radioterapia e coordenador do Departamento de Física Médica e Radioterapia do HA, em Barretos (SP), Dr. Gustavo Costa Panissi.
A braquiterapia ocular também poderá ser realizada para o tratamento de outros tumores como retinoblastoma, tumores metastáticos, hemangiomas e carcinomas em adultos e crianças, quando a técnica for indicada.

Marco para o Hospital de Amor
A primeira cirurgia de braquiterapia ocular utilizando navegação foi feito em Renildo Santos da Conceição, 54 anos, natural do estado do Espírito Santo, que foi diagnosticado com melanoma uveal em 2024, e acreditava que o seu único tratamento seria a remoção do olho.
“Era por volta de 13h, eu estava próximo a um lavador de carro, mas eu não estava lavando o carro. Aí de repente apareceu uma neblina na minha vista. Para mim era um produto químico do sabão que causou esse embaçamento. Cheguei para trabalhar, lavei o rosto e nada, o olho ficou meio irritado, aí lavei de novo em água corrente na torneira. Não falei nada para ninguém”, conta Renildo.
O câncer estava dando sinal e Renildo marcou uma consulta com um oftalmologista, mas só conseguiu data para o próximo mês. “Foram 30 dias com a vista embaçada. Fui até uma farmácia, comprei um colírio lubrificante só para ver o que é, mas não adiantou”, declara o paciente.
Renildo passou pela consulta com o oftalmologista e precisou ser encaminhado para a Vitória, capital do Espírito Santo, para passar com um especialista. Após a realização de exames, Renildo recebeu a notícia que não seria possível realizar o tratamento no seu estado. Durante quase um ano, Renildo foi atrás de outros hospitais para conseguir se tratar, foi quando conseguiu encaminhamento para o HA. “Quando eu descobri a doença, o tumor estava pequeno, pequeno mesmo, eu fiquei um ano correndo atrás de tratamento, meu estado não tem, aí graças a Deus consegui encaminhamento para cá.” Infelizmente a visão do olho direito não conseguiu ser recuperada, mas através da braquiterapia ocular, Renildo não fará a enucleação ocular.
“Em dezembro, eu vivi um momento histórico, fui o primeiro paciente a passar por este novo tratamento aqui no hospital. O meu tumor já é bem avançado, mesmo não conseguindo preservar a visão, o importante é ficar curado e os médicos me deram uma expectativa de 90% de cura”, destaca Renildo.
E não foi só para Renildo que essa cirurgia foi histórica, para o HA e toda a equipe envolvida no projeto e que realizou a primeira braquiterapia ocular também teve um significado especial, principalmente por conseguir proporcionar um tratamento de ponta, pensado no bem-estar do e qualidade de vida do paciente.
“É gratificante poder fazer essa cirurgia com essa equipe, pois, sabemos que se não fosse a braquiterapia, o paciente, provavelmente, passaria por uma enucleação (retirada do olho). Agora, não precisamos mais mutilar o paciente, é o mesmo tratamento em termos de cura e mortalidade, mas sem o trauma da perda do globo ocular e a necessidade de prótese. A braquiterapia traz o que buscamos na medicina moderna: um tratamento mais humanizado, menos sequelas e tecnologia de ponta. A radiação é dirigida e precisa, calculada por físicos, sem espalhar para outros tecidos”, Dr. Roque.
Melanoma uveal no Brasil
O melanoma uveal é um tipo de câncer que afeta os olhos e é o mais comum entre os adultos. Embora seja raro (cerca de 5 a 7 casos por milhão de habitantes), é grave, especialmente quando diagnosticado em fases avançadas. Até 50% dos pacientes com melanoma uveal desenvolvem metástases, ou seja, o câncer se espalha para outras partes do corpo, principalmente para o fígado, em até cinco anos, devido à dificuldade do diagnóstico precoce. Nessa fase, a doença se torna extremamente letal. A análise molecular do tumor permite prever quais pacientes têm maior risco de desenvolver metástases, permitindo um acompanhamento mais próximo e individualizado.
No Brasil, especialmente no Sistema Único de Saúde (SUS), os pacientes não costumam ter acesso a esses recursos necessários para avaliar adequadamente o prognóstico da doença, dificultando o seguimento e tratamento adequados. Devido a essa carência, pesquisadores e médicos do Hospital de Amor criaram um projeto, com o objetivo de detectar e tratar com maior eficiência o melanoma uveal, denominado “Centro de Tratamento de Melanoma Uveal”.

“Centro de Tratamento de Melanoma Uveal”
O “Centro de Tratamento de Melanoma Uveal” foi criado por meio de um projeto de pesquisa do Programa Nacional de Genômica e Saúde Pública de Precisão – Genomas Brasil, financiado pelo Ministério da Saúde e executado pelo DECIT/SECTICS/MS, que tem como objetivo, além de tratar o câncer, realizar análise molecular e classificação prognóstica avançada utilizando inteligência artificial.
Devido à complexidade do tratamento, a braquiterapia ocular é oferecida em poucos hospitais, (particulares e do SUS), ocasionando, frequentemente, que o paciente seja submetido a enucleação (remoção total do olho), mesmo quando o tumor poderia ser tratado de forma menos invasiva. “Esse projeto é importante porque o melanoma uveal é um câncer raro, mas muito agressivo, que atinge o olho e pode se espalhar para outros órgãos (principalmente o fígado). Em muitos casos, quando a doença avança, as chances de cura diminuem. Estamos trazendo o que existe de mais moderno no mundo para o paciente do SUS, garantindo que a perda de um olho não seja a única opção por falta de acesso”, destaca a pesquisadora do HA e uma das autoras do projeto, Dra. Lidia Maria Rebolho Batista Arantes.
“Este projeto nasce de muitas mãos. A braquiterapia é apenas uma parte de um centro maior de melanoma uveal.
Além do tratamento, passaremos a ofertar a análise genética do tumor, algo que antes só era feito nos Estados Unidos ou Europa a custos altíssimos. Isso permite uma medicina personalizada: saber se o tumor é mais ou menos agressivo e definir se o acompanhamento será próximo ou distante. Além disso, vamos gerar dados inéditos sobre o perfil genético do melanoma na população brasileira, já que hoje dependemos de literatura estrangeira”, declara Dr. Tomás.
Com o “Centro de Tratamento de Melanoma Uveal”, a instituição espera transformar essa realidade do acesso ao tratamento de melanoma uveal através de quatro pilares:
• Braquiterapia de alta tecnologia: radiação aplicada seletivamente no tumor, preservando tecidos saudáveis.
• Análise genética e molecular: pela primeira vez no Brasil, o tumor será sequenciado para identificar o grau de agressividade, algo que antes só era realizado em centros de excelência na Europa e EUA.
• Inteligência artificial: modelos preditivos para antecipar o comportamento da doença e o risco de metástase (que atinge 50% dos casos). A pesquisa utiliza algoritmos de IA para analisar o DNA e o comportamento das células dos pacientes. Através de técnicas chamadas de clustering (agrupamento inteligente), o computador consegue identificar padrões invisíveis ao olho humano, separando os pacientes em perfis moleculares específicos.
• Biópsias minimamente invasivas: protocolos que permitem o estudo da genética da população brasileira sem comprometer a estrutura ocular.

Pesquisa em favor do paciente!
“A pesquisa é fundamental, porque no melanoma uveal nem todos os pacientes evoluem da mesma forma. Alguns casos permanecem controlados por muito tempo, enquanto outros podem apresentar metástases mesmo após o tratamento do tumor no olho. Com a pesquisa, conseguimos entender melhor como o tumor se comporta no corpo, identificar marcadores genéticos e moleculares que indicam maior risco, melhorar o acompanhamento do paciente (mais exames para quem precisa, menos exames para quem tem baixo risco), detectar metástases mais cedo, quando ainda há mais chance de tratamento, e, principalmente, preservar o olho e a visão sempre que possível, com segurança. Destacamos que, apesar de muitos estudos internacionais já terem apontado muitas características importantes do melanoma uveal, pouco se sabe sobre as características desses tumores no Brasil, reforçando a importância de desenvolvermos estudos com a nossa população”, complementa Dra. Lidia.
Encaminhamento para o HA
Com o “Centro de Tratamento de Melanoma Uveal”, o HA passará a oferecer a braquiterapia ocular não só a seus pacientes elegíveis, que já realizam o tratamento no hospital, mas também, a pacientes de outras instituições.
Médicos que tenham pacientes com casos confirmados de melanoma uveal, podem encaminhar os relatórios e documentações para a avaliação da equipe do HA, garantindo que essa tecnologia de ponta chegue a quem mais precise. Os critérios para o encaminhamento são: tumores com menos de 10mm de altura; tumores com menos de 16mm de base e doença não metastática.
Enviar e-mail com o tópico “Melanoma Uveal” contendo os dados pessoais e clínicos do paciente para: agendamentoss@hospitaldeamor.com.br.

Superação: o ato de ultrapassar limites, vencer adversidades e alcançar vitórias. Foi por meio desse propósito que o ex-segurança Jeverson Dantas Felix, natural de Araguaína (TO), se consagrou bicampeão mundial, além de campeão Pan-Americano, Sul-Americano e Brasileiro de parajiu-jitsu.
A jornada, no entanto, foi marcada por desafios severos. Em meados de 2012, Jeverson começou a apresentar uma perda progressiva de movimentos. Ao procurar orientação médica, recebeu inicialmente um diagnóstico equivocado de hanseníase. “Os primeiros sintomas foram a perda progressiva de movimentos. Recebi, inicialmente, um diagnóstico equivocado de hanseníase. Tratei essa doença por um ano e meio, sem necessidade, até que o diagnóstico correto foi fechado: eu tinha, na verdade, um tumor medular”, conta o paratleta.
O hemangioblastoma é um tumor raro, benigno e de origem vascular, classificado como Grau I pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Por estar localizado na medula espinhal, o crescimento do tumor comprime e interrompe os sinais nervosos que comandam braços e pernas. Se não for tratado a tempo, a compressão medular pode levar à perda total ou parcial da função motora, resultando em quadros de paraplegia ou tetraplegia.
Embora o principal sintoma de Jeverson tenha sido a perda de movimentos, o quadro clínico varia conforme a localização e o tamanho do tumor, podendo incluir dores de cabeça, tontura e problemas de equilíbrio e coordenação (ataxia). O tratamento padrão é a ressecção cirúrgica (remoção do tumor).

Reabilitação
Para conseguir manter a sua autonomia, Jeverson precisou passar por um processo de reabilitação. Ainda em Brasília (DF), ele foi informado sobre o Centro Especializado em Reabilitação do Hospital de Amor, em Araguaína (TO), sua cidade natal. “O Jeverson chegou com quadro de tetraplegia devido a um tumor na medula cervical, o hemangioblastoma. Quando iniciou o tratamento aqui conosco, ele apresentava perda de força e sensibilidade nos quatro membros”, explica o médico fisiatra e diretor técnico do Centro Especializado em Reabilitação do HA, em Araguaína (TO), Dr. Thiago Fernandes.
O convite para ser atleta de parajiu-jitsu veio como um novo propósito. O que começou com vitórias discretas em movimentos básicos no tatame evoluiu para uma carreira internacional meteórica. Com apenas seis meses de treino, Jeverson já era campeão em Goiânia.
“O caso do Jeverson é inspirador, venceu e vence todos os dias as barreiras físicas e dos tabus para se tornar um multicampeão”, detalha o médico fisiatra.


Antes do ano de 2025 terminar, o Hospital de Amor, com seu coração repleto de alegria e gratidão, viveu um momento muito especial! No último dia 12 de dezembro, o Instituto Sociocultural inaugurou a exposição “História ao Ar Livre”, com uma cerimônia destinada a convidados, imprensa e parceiros do Hospital de Amor. A mostra, com curadoria da historiadora Karla Armani, está localizada no Jardim de Amor, em Barretos (SP).
A exposição se dedica a contar a trajetória do HA desde sua fundação até os tempos mais recentes, por meio de fotografias e painéis interativos. Com mais de 70 imagens originais, além de fragmentos de cartas e desenhos exibidos em painéis, a mostra se propõe a ser um convite à reflexão, à informação e ao entretenimento para todos que visitam o HA.
A realização da exposição foi viabilizada pelo Ministério da Cultura, por meio da Lei Rouanet, e integra o projeto do Acervo Histórico do Hospital de Amor. Esta iniciativa do Instituto Sociocultural do HA, que vem sendo desenvolvida há dois anos, visa preservar a memória institucional e incentivar a criação de produtos culturais de interesse público.
“A criação deste acervo tem o objetivo de guardar, proteger e preservar as fontes históricas do Hospital de Amor, para que produtos culturais, como esta exposição, possam florescer”, afirmou Karla Armani, historiadora e curadora da mostra. “É um trabalho coletivo, pensado para dialogar com o espaço do Jardim de Amor, somando delicadeza, acessibilidade e informação, sem interferir na beleza natural do lugar”.

A exposição só foi possível graças ao empenho de uma equipe dedicada, com destaque para a curadora, Karla Armani Medeiros, responsável pela pesquisa histórica e pelos textos, e a equipe técnica de arquivo, museologia e conservação, composta por Tânia Registro, Alice Registro Fonseca e Leila Heck.
A cerimônia de abertura contou com as palavras da coordenadora do ISHA, Aline Dias, do vice-prefeito da Estância Turística de Barretos, Mussa Calil Neto, voluntário do Hospital de Amor há mais de 40 anos, e do padre Túlio Gambarato, que fez uma comparação poética entre o Jardim de Amor e o Jardim do Éden, da Bíblia, ressaltando o caráter acolhedor e simbólico do espaço.
Com recursos de acessibilidade, como descrição audiovisual para pessoas com baixa visão, a exposição “História ao Ar Livre” está disponível em múltiplos formatos, incluindo catálogo impresso e conteúdo digital.

Jardim de Amor
O Jardim de Amor, situado próximo ao Lar de Amor, foi inaugurado em 1º de dezembro de 2021, por meio de uma parceria entre o Hospital de Amor e a Genesis Ecossistemas, empresa especializada em arquitetura, paisagismo e aquarismo. A iniciativa partiu do cantor Sorocaba que, junto a Genesis, presenteou o Hospital de Amor com o projeto no dia em que a instituição completava 59 anos de fundação.
Para a criação do Jardim de Amor, foi realizado o “Genesis Experience”, maior evento de piscinas naturais, lagos e paisagismo do Brasil. Durante 10 dias e com a participação de 20 profissionais da área, o evento resultou em um jardim que conta com um ecossistema harmonioso e equilibrado, formado por árvores frutíferas, gramado, lago, carpas e outros recursos, criando uma paisagem visual, sonora e contemplativa.
A obra foi dedicada aos colaboradores, pacientes e familiares do HA. Sua inauguração contou com a presença de artistas que, ao longo da história, contribuíram e ainda contribuem com a instituição, como Xuxa Meneghel, Sorocaba, Tiago Abravanel, entre outros, que também plantaram árvores no local, eternizando seus nomes no jardim.
Informações detalhadas da mostra e do Jardim de Amor podem ser consultadas no hotsite do Instituto Sociocultural: clique aqui.
A exposição está aberta ao público, gratuitamente, às terças e quintas-feiras, das 8h às 10h e das 16h às 18h.


Receber o diagnóstico de câncer costuma desencadear uma série de sentimentos intensos, como medo, insegurança, angústia e incertezas em relação ao futuro. Ao longo do tratamento, essas emoções podem se intensificar, impactando diretamente o bem-estar, a qualidade de vida e até os relacionamentos dos pacientes e de seus familiares.
Nesse contexto, a campanha “Janeiro Branco”, que tem como objetivo conscientizar a sociedade sobre a importância da saúde mental, ganha ainda mais relevância dentro da oncologia. De acordo com a psicóloga do Hospital de Amor, Lisa Nathália de Souza Ramos, cuidar da saúde emocional faz parte do cuidado integral ao paciente. “Cuidar da mente é tão importante — e também é uma forma de tratamento — quanto a quimioterapia, a radioterapia ou a cirurgia”, afirma.
A saúde mental no enfrentamento do câncer
O impacto psicológico do câncer não ocorre apenas no momento do diagnóstico. Segundo a psicóloga, ele pode estar presente em todas as fases do processo: durante a realização de exames, no início do tratamento, diante das mudanças corporais, dos efeitos colaterais, da adaptação à nova rotina e, inclusive, após o término do tratamento.
Sintomas como ansiedade, depressão, estresse, alterações no sono, medo constante e tristeza persistente são comuns e não devem ser ignorados. Reconhecer essas emoções não é sinal de fraqueza, mas sim um passo essencial para o autocuidado e para a busca de apoio adequado.
Cuidar da mente também é tratamento
Estudos indicam que pacientes oncológicos que recebem acompanhamento psicológico apresentam melhor adesão ao tratamento, maior capacidade de enfrentamento e melhor qualidade de vida. “O suporte de profissionais da saúde mental, como psicólogos e psiquiatras, auxilia o paciente a desenvolver estratégias para lidar com o medo, a dor, as incertezas e as mudanças impostas pela doença. Esse cuidado também deve ser estendido aos familiares e cuidadores, que frequentemente vivenciam sobrecarga emocional ao longo do tratamento oncológico. Oferecer apoio a quem cuida é parte essencial desse processo”, destaca Lisa.
Para a psicóloga, o olhar sobre o paciente oncológico deve ser sempre integral, considerando não apenas a doença, mas também os aspectos físicos, emocionais, sociais e psicológicos. “Promover a saúde mental é promover dignidade, acolhimento e respeito à história de cada pessoa.”
Além do acompanhamento profissional, atitudes adotadas pelo próprio paciente também podem contribuir positivamente para o bem-estar emocional e a qualidade de vida, como:
– Reconhecer e validar suas emoções;
– Buscar apoio profissional sempre que necessário;
– Manter uma comunicação aberta com a equipe de saúde;
– Estabelecer uma rotina flexível, respeitando limites;
– Fortalecer vínculos e aceitar ajuda;
– Buscar informações em fontes seguras;
– Realizar atividades que tragam sentido, prazer e conforto;
– Praticar o autocuidado de forma contínua.
Neste mês de conscientização sobre a saúde mental, o HA reforça seu compromisso com um cuidado que vai além do tratamento da doença. Falar sobre sentimentos, buscar ajuda e acolher as próprias emoções fazem parte do cuidado integral ao paciente.
Se você ou um familiar está enfrentando o câncer, lembre-se: não é preciso passar por isso sozinho. Cuidar da mente é um ato de coragem, força e amor!

O verão ainda não chegou, mas as temperaturas já estão nas alturas! Janeiro é o mês de férias, período em que muitas famílias aproveitam praias e piscinas; porém, é fundamental não esquecer a prevenção. E você, tem se protegido do sol adequadamente?
O diagnóstico precoce é, estatisticamente, o fator determinante para o sucesso de um tratamento oncológico. Para a paciente Rosângela Aparecida Antônio, de 57 anos, manicure residente em Barretos (SP), esse processo começou de forma despretensiosa em uma cabine de diagnóstico no shopping local.
Após a análise da imagem capturada pelo dispositivo do projeto ‘Retrate’, o encaminhamento ao Hospital foi imediato. A equipe do HA identificou o caso como suspeito, e ela foi submetida a uma cirurgia para retirada de lesão (pinta), seguida de um procedimento de ampliação de margem para garantir a segurança oncológica. “O atendimento no hospital não se iguala a nenhum que tive durante a vida. É um lugar abençoado”, afirma a paciente, que já conhecia a dedicação da equipe após acompanhar sua mãe em um tratamento anterior de tumor ginecológico.
Atualmente, Rosângela atua como multiplicadora de conhecimento, tendo realizado curso para auxiliar na identificação de possíveis casos de câncer de pele em sua comunidade, oferecido pelo mesmo projeto do Hospital de Amor, que possibilitou o seu diagnóstico.
A pesquisadora e coordenadora do projeto ‘Retrate’, Raquel Descie, elogiada pelo acolhimento aos pacientes, explica o impacto da cabine na vida deles: “A cabine permitiu identificar lesões suspeitas em um momento muito inicial, muitas vezes, antes mesmo de qualquer sintoma. No caso da Rosângela, ela possibilitou um diagnóstico precoce, com tratamento menos invasivo e maior chance de cura, o que mudou completamente a trajetória da paciente”, afirma.
Além da detecção precoce, o projeto também investe na capacitação de profissionais de estética e cuidado corporal, como manicures, esteticistas e cabeleireiros. Essa iniciativa se mostra especialmente relevante na realidade brasileira, em que nem todas as pessoas têm acesso fácil e rápido a um dermatologista. O curso oferece treinamento prático e teórico para reconhecer sinais de alerta do câncer de pele, orientar os clientes e encaminhar precocemente para avaliação em serviços de saúde, ampliando o acesso ao conhecimento, ao diagnóstico e fortalecendo a rede de vigilância na comunidade.
Para Raquel, Rosângela percorreu todas as etapas possíveis dentro da lógica da prevenção: do diagnóstico ao tratamento, da conscientização ao engajamento ativo. “Ver uma paciente que foi diagnosticada precocemente pelo projeto e que hoje atua como multiplicadora de conhecimento é extremamente gratificante. Isso mostra que a prevenção não termina no tratamento, ela se transforma em cuidado coletivo e em impacto real na comunidade”, conclui.
Fique atento às dicas da especialista para aproveitar o verão de forma segura:
– Utilize protetores solares com FPS mínimo de 30 para uso diário e 50 ou superior para exposição direta. Certifique-se de que o produto oferece proteção contra UVA (relacionado ao envelhecimento e câncer) e UVB (queimaduras);
– Lembre-se de aplicar o protetor 30 minutos antes da exposição ao sol e reaplique a cada 2 horas após sudorese intensa e imersão em água;
– Utilizes óculos de sol com lentes que possuem filtro UV, chapéus de abas largas e roupas para cobrir a áreas expostas (orelhas, nuca, dorso das mãos), de preferência com certificação UPF 50+;
– Evite a exposição ao sol entre 10h e 16h. Pois nesse intervalo, a radiação UVB é mais intensa.
A trajetória da paciente Rosângela reforça que a saúde preventiva aliada ao profissionalismo técnico de ponta salva vidas. Previna-se e divirta-se neste verão!

Aos 12 anos, o mato-grossense Vitor Hugo Soares de Oliveira, natural de Comodoro, já é um exemplo de resiliência e fé. Tímido com quem não o conhece, ele se transforma em um garoto falante e divertido ao lado de seus amigos. No entanto, sua rotina é marcada por uma intensa batalha contra o câncer na unidade infantojuvenil do Hospital de Amor em Barretos (SP).
Mas a história deste garoto apaixonado por futebol começou a mudar drasticamente quando ele tinha apenas 10 anos. Sua mãe, Walquiria Soares da Silva, de 35 anos, percebeu que algo estava errado. “Ele sentia enjoos e começou a perder muito peso, cerca de 8 a 10 kg”, relata Walquiria.
Inicialmente, os exames na cidade de origem apresentavam para um diagnóstico inconclusivo, e um médico chegou dizer que os sintomas eram causados por ‘vermes’. Mas a perda de peso continuava, e a persistência de Walquiria em buscar a causa real foi fundamental para que seu filho descobrisse o que estava acontecendo. “Pedi todo tipo de exame de sangue que fosse possível, porque tínhamos que descobrir o que ele tinha, já que as medicações para verme não melhoravam”, conta a mãe do paciente. Finalmente, um dos exames mostrou uma alteração no fígado. Mesmo assim, a alteração foi inicialmente ligada ao ‘suposto’ problema de vermes. “Pedi para fazerem um exame de ultrassom. A resposta do médico fez meu chão abrir: “Se você quer salvar seu filho, você corre! Ele está com câncer, e o tumor dele está muito grande já”, disse Walquiria com a voz embargada.
A família viajou para Cuiabá (MT), onde foi realizado uma biópsia inicial que se mostrou inconclusiva. Em 2023, o Hospital de Amor entrou na vida do garoto que já sofria com as dores. “A recepção aqui em Barretos foi maravilhosa. No mesmo dia, Vitor começou a passar mal e precisou ser internado. A agilidade do HA impressionou: em uma semana, todos os exames foram refeitos, incluindo biópsia e ressonância, e em apenas 20 dias, Vitor Hugo já iniciava a sua primeira sessão de quimioterapia”, conta a vendedora.
O garoto precisou viajar até Barretos para iniciar o tratamento do sarcoma embrionário no fígado – trata-se de uma neoplasia que acomete principalmente crianças na faixa etária entre 6 e 10 anos de idade. Vitor e sua mãe lembram que o tratamento foi bem doloroso, pois as quimioterapias exigiram longas internações e trouxeram complicações sérias, como sangramento e trombose no baço e estômago. Por conta da trombose, o tratamento não pôde avançar para cirurgia ou radioterapia, ficando limitado à quimioterapia. Essa limitação fez com que o tumor no fígado evoluísse. “Após um período de dois anos e três meses de tratamento, o terceiro protocolo de quimioterapia não teve mais o efeito desejado. Atualmente, ele é paciente dos cuidados paliativos”, explica Walquiria.

Apesar dos desafios, Vitor Hugo é um apaixonado pela vida e pelo rubro-nega carioca. Ele é torcedor do Flamengo e ama ver seu time em campo. Vitor encontra no esporte e em seus sonhos sua maior motivação. Seu maior desejo, surpreendentemente, é ser padre. “Ele fala que vai ser padre, acompanha na internet e até conversou algumas vezes com o Padre Túlio aqui do hospital”, revela a mãe ao lembrar do papo entre seu filho e o capelão do HA.
Para Vitor, o Hospital de Amor tem um significado especial: “Ele fala que o hospital salvou a vida dele, porque se a gente não tivesse vindo para cá, eu creio que a gente não teria mais ele aqui”, conta a mãe com os olhos marejados.
A notícia de que o tumor evoluiu, quatro meses atrás, foi o momento mais difícil para a família. A mãe revela que o filho chorou, com medo de morrer. “Hoje, porém, amparado pela fé e pelo acompanhamento psicológico, ele está mais calmo”, explica ela.
Vitor participa ativamente do projeto do jornalzinho do HA ao lado de outras crianças pacientes, recebendo grande destaque pelo seu empenho durante as coberturas ‘jornalísticas’. Ele se recorda do dia em que ‘cobriram’ o Baile de Debutantes, festa já tradicional realizada por voluntários que alegra a vida dos pacientes e de seus familiares, principalmente seu pai, Osias Pereira da Silva, e sua irmã caçula, Ana Vitória Soares da Silva.
Questionada sobre o que Vitor Hugo significa para ela, a resposta de Walquiria é imediata: “Ele é a minha vida, um pedaço de mim. Sem ele, eu não sei o que seria”. Com a fé e a gratidão ao Hospital de Amor, que oferece toda a rede de apoio que não teriam em casa (a 12 horas de viagem de Cuiabá), Walquiria deixa uma mensagem essencial para outras mães que recebem um diagnóstico semelhante: “Aproveitem cada dia. Vivam um dia de cada vez. O amanhã é muito incerto”.
Alguém dúvida de que a família e amigos de Vitor já adotaram um trecho do hino do ‘Mengão’ pra celebrar a vida de garoto?!
“É meu maior prazer vê-lo brilhar
Seja na terra, seja no mar
Vencer, vencer, vencer”.

Como a própria definição diz, DOR: uma experiência sensorial e emocional desagradável, associada a uma lesão real ou potencial no corpo, que sinaliza que algo está errado. A médica anestesiologista e especialista em medicina chinesa no Centro Especializado do Hospital de Amor, em Barretos (SP), Dra. Margareth Kath Lucca, define como “…um sentimento subjetivo que está relacionado não só com as situações que o corpo vive, mas com os acontecimentos psicológicos que essa pessoa já viveu”.
A grande questão e um dos maiores desafios nesse sentido é que: “a dor do tratamento oncológico, é diferente!”. Para atender uma demanda crescente de pacientes com dor na instituição, a equipe multidisciplinar do Centro Especializado em Reabilitação do HA, em Barretos (SP) – composta por fisioterapeutas, psicólogos, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, educadores físicos, médicos fisiatras, neurocirurgião e anestesiologista – criaram o ‘Ambulatório da dor’.
Destinado a atender todos os pacientes em tratamento no Hospital de Amor, o projeto tem o objetivo de diminuir o sofrimento da pessoa que sofre com dor, seja ela causada por conta de procedimentos realizados durante o processo de cura (como dores decorrentes de cirurgias, quimioterapias, entre outros), ou seja por conta de sequelas do próprio tratamento. Em qualquer uma das situações, a missão é uma só: melhorar a qualidade de vida do paciente!
“No Ambulatório da dor, a gente sempre vai enxergar o ser humano como um todo, não unicamente a dor que ele traz. Além do câncer, que priva o paciente de muitas coisas, inclusive de sonhos, existem conflitos familiares, instabilidade financeira, distância da família, e outros problemas vividos por essas pessoas que causam desconfortos, como a dor. Por isso, contamos com uma equipe tão completa, capacitada e dedicada atuando no controle da dor”, afirma Dra. Margareth.
De acordo com a médica, o primeiro passo desse processo é entender as questões pessoais de cada um desses pacientes para, só depois, com o tempo e uma anamnese detalhada, poder chegar em uma avaliação psicogênica para ‘palpar’ e ‘enxergar’ a dor. “Os resultados desse trabalho estão sendo muito positivos. A gente consegue ver pessoas sendo recuperadas, recuperando a sua qualidade de vida, a sua alegria em viver, realizando seus afazeres na sociedade, na família, e tudo que é importante”, conta.
Paciente oncológico sofre de dor crônica?
“Com certeza!”, declara a médica anestesiologista. Mas, a boa notícia é que as técnicas, especialmente as que são aplicadas no cuidado da dor durante a cirurgia e no pós-operatório imediato, já são bastante salientes. “Estamos tendo um grande avanço neste ponto, pois os médicos, em seus atendimentos, já conseguem perceber a potencialidade da dor de um paciente e a capacidade dela se tornar crônica, então ele já ‘saí na frente’, buscando alternativas como o ambulatório da dor para que isso não aconteça. O importante é conseguir diminuir o tempo de dor, porque quanto mais tempo, mais difícil dessa dor deixar de existir, tornando-se crônica”.
Existe prevenção para a dor?
“Sim”, afirma Dra. Margareth. Tanto durante a realização de cirurgias, quanto no pós-operatório, os profissionais podem e devem atuar no controle da dor. “Mais de 90% dos pacientes do Hospital de Amor sofrem com dor. Os tratamentos, por mais tecnológicos que sejam, podem trazer desconforto e sofrimento, por isso esse nosso trabalho com tratamentos integrativos e ações intervencionistas são tão importantes. É tudo pelo bem do paciente!”, finaliza.
Pacientes do HA que desejam passar pelo ambulatório da dor, podem solicitar ao médico um pedido de encaminhamento. A equipe avaliará o caso e iniciará o atendimento. O ‘Ambulatório da dor’ está localizado no Centro Especializado em Reabilitação do HA, em Barretos (SP).
Conheça a história do Antônio Marcos Lessi, diagnosticado com Condrossarcoma – um tipo de câncer ósseo maligno que se origina nas células da cartilagem e que causa dores intensas – que viu sua vida mudar completamente ao iniciar tratamento no ‘Ambulatório da dor’.

“Outubro Rosa” é a campanha de conscientização sobre o câncer de mama, tendo como principal objetivo ampliar o acesso à informação e incentivar a realização de exames preventivos, como a mamografia, para um diagnóstico precoce e aumento das chances de cura. Mas, também aproveitamos este mês para fazer um alerta às mulheres que estão em tratamento, principalmente para aquelas que realizaram a cirurgia da mama ou vão realizar: cuidados no pré e no pós-operatório.
A fisioterapia é uma grande aliada nesse processo, sendo fundamental para garantir uma boa recuperação para o enfrentamento da doença. Com quase 30 anos de atuação na instituição, Dr. Almir José Sarri, fisioterapeuta assistencial do Departamento de Mastologia e coordenador da Comissão de Residência Multiprofissional (COREMU) do Hospital de Amor, em Barretos (SP), ressalta que o ideal seria começar a fisioterapia no pré-operatório, para avaliar possíveis disfunções no ombro e na respiração, preparando o corpo da paciente para a cirurgia.
“Durante a cirurgia, a paciente permanece muito tempo em uma posição específica. Se ela já tiver algum problema prévio, isso pode gerar complicações no pós-operatório. Mesmo quando o atendimento prévio não é possível, o acompanhamento logo após a cirurgia é uma prioridade. No dia seguinte, ou até no mesmo dia, um fisioterapeuta já visita a paciente no quarto para orientar e iniciar os primeiros exercícios de movimentação do braço”, explica o fisioterapeuta.
Esse cuidado precoce é essencial para evitar complicações como o linfedema, uma condição que causa inchaço nos braços e que é comum após cirurgias de mama, especialmente em pacientes que passam por esvaziamento axilar e radioterapia. “O melhor tratamento é sempre a prevenção. Quanto antes a paciente iniciar a fisioterapia, maiores são as chances de preservar a amplitude de movimento e prevenir o linfedema”, reforça Dr. Almir Sarri.

Linfedema: controle, prevenção e cuidado contínuo
O linfedema é uma das complicações mais comuns e desafiadoras do pós-tratamento do câncer de mama, principalmente quando é realizada a cirurgia com esvaziamento axilar. Ele ocorre devido ao acúmulo de linfa nos tecidos, geralmente no braço, e pode causar inchaço, dor e limitação dos movimentos, como ocorreu com Priscila Arruda Benevides, paciente do HA, da unidade de Barretos (SP), que foi diagnosticada em janeiro de 2020 com tumor luminal com HER2 positivo na mama direita, e precisou passar por uma mastectomia com esvaziamento axilar.
“Assim que acordei da cirurgia, senti uma forte dor no braço, que continua até hoje, e o braço inchou devido ao esvaziamento da axila. Faço fisioterapia desde a cirurgia, sem deixar um só dia. Graças a isso, tenho todos os movimentos normais, porém, tenho linfedema severo”, declara Priscila.
Não existe cura para o linfedema, mas existe controle. É uma condição crônica, e o mais importante é prevenir e orientar a paciente desde o início. O tratamento envolve drenagem linfática manual, enfaixamento compressivo, exercícios miolinfocinéticos – que são movimentos específicos para ativar o sistema linfático e auxiliar na drenagem e na diminuição do inchaço – e uso de meias ou braçadeiras de compressão. “A fisioterapia é parte essencial da jornada de cura e de qualidade de vida após o câncer de mama”, conclui o fisioterapeuta.
Além da fisioterapia, as terapias alternativas também auxiliam no tratamento de pacientes com linfedema. “As terapias alternativas são, na verdade, terapias complementares, que reforçam o tratamento que já vem sendo realizado. Como exemplos de terapias alternativas, a acupuntura, que de uma maneira bem ampla ajuda a tratar todos os sistemas, os órgãos e a parte muscular, trazendo mais conforto e melhor qualidade de vida para essa paciente com linfedema e os bloqueios para a dor”, explica a médica anestesiologista e especialista em medicina chinesa do Centro Especializado do Hospital de Amor, em Barretos (SP), Dra. Margareth Kath Lucca.
“Este ano, comecei um novo tratamento fisioterapêutico, chamado enfaixamento pontual, que tem dado resultados incríveis. Atualmente, vou uma vez por mês para avaliação: fazem a medição do braço, verificam a pele e fazem hidratação. Hoje, tenho uma vida mais fora do hospital, voltei a nadar, que é algo que amo muito. Mas, infelizmente, o que ainda me atrapalha é a dor, por isso passo com a Dra. Margareth, para fazer o bloqueio de dor”, conta a paciente.

“Os bloqueios que fazemos com anestésico local, tem como principal função aliviar e relaxar aquele músculo ou nervo que está sendo contraído ou comprimido, e fazer com que haja um maior fluxo sanguíneo naquele local, resultando na diminuição da dor. E no caso da Priscila, hoje ela é uma nova mulher! Antes, ela chegava aqui com muita dor, e nós começamos a associar as terapias alternativas, a acupuntura com eletroestimulação nos feixes que estavam comprometendo a musculatura do peitoral menor e peitoral maior, e mesmo fazendo a acupuntura com eletroestimulação, ela sempre sentia ainda uma dor, então associávamos o bloqueio do supraescapular, de outros pontos mais doloridos e do músculo. Com isso, ela sentiu um alívio maior e conseguimos controlar a dor”, explica a médica.
O câncer muda a vida da pessoa que está com a doença. Talvez fiquem sequelas, a pessoa pode sentir dificuldade ou até mesmo ficar impossibilitada de fazer atividades que eram rotineiras antes, como estender uma roupa no varal, arear uma panela ou até mesmo trabalhar, como foi o caso de Priscila, que precisou se aposentar por invalidez, pois era professora do fundamental.
Mesmo com a vida mudando completamente, Priscila continua muito grata e mantém a alegria em viver. “Sou grata a Deus, ao Hospital de Amor e a toda equipe médica e multidisciplinar, que me acolheu com tanto carinho, amor, dedicação e paciência. Agradeço a Deus por ter me sustentado até aqui, por me dar força e ânimo, e por não tirar de mim o sorriso e a alegria de viver.”
Grupo terapêutico de fisioterapia
Para fortalecer ainda mais esse cuidado, o Hospital de Amor criou um grupo terapêutico de fisioterapia voltado a mulheres que convivem com as sequelas do tratamento do câncer de mama, especialmente o linfedema. Na unidade de Barretos (SP), esse trabalho é desenvolvido há mais de 20 anos, e foi levado para outras unidades, como no Diretório Moderno em Reabilitação (DREAM), do Hospital de Amor Amazônia, em Porto Velho (RO).
“O grupo terapêutico é formado por mulheres que compartilham o mesmo diagnóstico de câncer de mama, que já passaram por mastectomia e convivem com o linfedema. O grupo promove acolhimento, incentivo mútuo e fortalecimento emocional, em um ambiente onde uma inspira a outra a seguir firme no processo de reabilitação fisioterapêutica”, explica a fisioterapeuta do DREAM, do HA Amazônia, Daiane Cavalcante.
Marly Calixto participou do grupo terapêutico de fisioterapia do DREAM, do HA Amazônia, e destaca a importância dele na recuperação, principalmente porque une pacientes que têm as mesmas sequelas. “É sabido que o linfedema crônico não tem cura, e poder participar do grupo foi maravilho, pois todas têm as mesmas sequelas e o grupo ajudou muito, principalmente em trocas de experiências, e uma sempre apoiando a outra”, declara Marly.
Durante as sessões, além do fortalecimento emocional, o foco principal é a reabilitação física e funcional das pacientes. O tratamento inclui:
– Atendimento fisioterapêutico direcionado às disfunções motoras, com o objetivo de gerar maior aumento de amplitude de movimentos;
– Terapia manual e drenagem linfática para alívio da dor e diminuição do inchaço;
– Controle do linfedema com eletroterapia e aplicação de linfotaping;
– Treinamento com robótica também é um diferencial no tratamento. Quando indicado, as pacientes utilizam o Armeo Spring, um sistema de reabilitação robótica para membros superiores, que auxilia no ganho de força, amplitude e coordenação motora.
A união entre o atendimento clínico e o cuidado emocional mostra que reabilitar vai muito além do movimento físico. “Nosso trabalho ajuda a diminuir o medo do desuso do braço, promove mobilidade, força e autoconfiança. Cada conquista é um passo a mais rumo à superação”, destaca Daiane.


Outubro é marcado por várias campanhas do “Outubro Rosa”, com o objetivo de conscientizar a população sobre a prevenção do câncer de mama. Em parceria com o Instituto Sociocultural do Hospital de Amor, a unidade de negócios da Azul realiza, todos os anos, um concurso para as pacientes do HA que fazem tratamento de câncer de mama.
No último dia 15 de outubro, foi realizada a cerimônia oficial da oitava edição desse projeto, que tem como público-alvo mulheres acima de 18 anos que fazem tratamento há pelo menos dois anos nas unidades de Barretos (SP), Jales (SP), Fernandópolis (SP), Palmas (TO) ou Porto Velho (RO).
Com essa ação, as instituições buscam incentivar as pacientes a escreverem suas histórias, evidenciando momentos, situações e sentimentos que lhes trouxeram força e coragem a partir do diagnóstico de câncer de mama, além de estimular outras mulheres que enfrentam a mesma realidade. Para a premiação, três cartas foram escolhidas, e cada paciente ganhou uma viagem com direito a passagem aérea, hospedagem e café da manhã, para ela e um acompanhante.

A cerimônia contou com a presença especial dos Palhaços da Alegria, do Instituto Sociocultural, que apresentaram a esquete “O Tubo Rosa”, com o objetivo de esclarecer fake news e reforçar a importância da prevenção. Além dos profissionais da instituição, participaram representantes das duas organizações, as vencedoras e seus acompanhantes. O mastologista do Hospital de Amor, Dr. Idam de Oliveira Jr., destacou a importância da prevenção e do diagnóstico precoce. “A restrição de acesso a exames preventivos continua sendo um grave problema de saúde pública, porém, é fundamental continuarmos alertando e conscientizando a população sobre o câncer de mama. A campanha ‘Outubro Rosa’ é a continuidade de um trabalho que precisa ser realizado durante todo o ano”, afirmou o especialista.
Após momentos de descontração e informação, a cerimonialista responsável pelo evento, Luciana Gomes, emocionou o público ao compartilhar seu depoimento pessoal. Natural de Barretos (SP), Luciana era apresentadora de um programa do Hospital de Amor e relembrou um episódio marcante de sua vida. “Eu fiz uma entrevista sobre câncer de mama e, após a gravação, chorei muito e me senti hipócrita por nunca ter feito uma mamografia. Então, comecei a realizá-la anualmente e, em um desses exames, fui diagnosticada com câncer de mama na fase inicial”. Ela finalizou seu relato destacando que, quando descoberto precocemente, o tratamento pode ser rápido e menos invasivo.
Representantes da Azul Viagens também estiveram presentes no evento. A gerente geral de pessoas da Azul, Talita Nantes, destacou a emoção das histórias. “As cartas tocam a nossa alma e inspiram essa ação. Sou muito grata por essa parceria”. Já a gerente comercial da Azul Viagens, Alessandra Castro, ressaltou a importância do apoio da empresa ao concurso desde sua criação. “Quando falamos de viagens, falamos de sonhos. Para a Azul Viagens, fazer parte dessa ação é um privilégio e um grande sonho”.
Das 16 cartas recebidas, três foram selecionadas e premiadas com pacotes completos de viagens, oferecidos pela Azul Viagens. Durante a premiação, as ganhadoras compartilharam brevemente suas experiências com o público.

Em terceiro lugar, a carta da paciente Teresa Marina Gonçalves Aziz, natural de Olímpia (SP), foi escolhida. Ganhadora de uma viagem para Porto de Galinhas (PE), ela relatou sua história de forma breve e emotiva: “Quando recebi o diagnóstico de câncer, estava em plena pandemia da COVID-19. Foi muito difícil, pois praticamente as portas estavam fechadas e todos sentiam medo do que viria pela frente. Quando consegui uma consulta de encaixe no HA e a cirurgia foi marcada, senti que as portas voltaram a se abrir para mim. Aqui no Hospital de Amor, eu falo que existe um portal, um portal de anjos”.
Leia a carta da paciente Teresa Aziz.

De Severínia (SP), Idalina Aparecida Leite Palácios ficou em segundo lugar e vai desfrutar de uma viagem para Natal (RN). Ela compartilhou sua trajetória e o detalhamento do tratamento: “A gente tem muitos amigos… Durante o tratamento, tive apoio de amigos em Brasília (DF); casa para morar junto com minha neta e meu esposo, e aqui em Barretos (SP) não foi diferente, meus amigos daqui me acolheram muito. No Hospital de Amor, também tive esse acolhimento. Os médicos são maravilhosos, as enfermeiras também, e tem uma farmacêutica que me trata com muito carinho. A gente precisa de acolhimento, né? Independentemente da doença, acho que todos nós precisamos. Para mim, esse carinho tem sido fundamental para me levantar todos os dias”.
Leia a carta da paciente Idalina Palácios.

Em primeiro lugar, ficou a paciente Rosaly Cristina Campos dos Santos Borges, de Rio Verde (GO). Acompanhada pela mãe, ela compartilhou seu depoimento especial: “Eu quis vir para o Hospital de Amor, porque já tinha ouvido falar de Barretos por amigos e pessoas próximas. Diziam que aqui eu teria uma possibilidade de cura e um tratamento digno. Quando cheguei, meu estado de saúde estava muito crítico, mas os profissionais da instituição me acolheram. Eles foram uma bênção na minha vida, porque, se não tivessem me acolhido, eu não estaria mais aqui”.
Leia a carta da paciente Rosaly Borges.
Parceria
Unidos desde 2017, a Azul realiza, além desse concurso, outras ações que auxiliam os pacientes do Hospital de Amor e promovem mais qualidade e humanização em seus tratamentos, entre elas a ‘Conexão Azul Rosa’ e o programa ‘Voando Alto’.
A ‘Conexão Azul Rosa’ proporciona às mulheres diagnosticadas com câncer de mama, vindas de diversas regiões do Brasil, a oportunidade de chegar a um centro especializado de tratamento com o conforto e agilidade que uma viagem aérea pode oferecer.
Já o programa ‘Voando Alto’ é um voluntariado corporativo no qual o time da Azul Linhas Aéreas, formado por pilotos e aeromoças, conversa com crianças e adolescentes que fazem tratamento oncológico na unidade infantojuvenil do Hospital de Amor, em Barretos (SP). O objetivo é compartilhar experiências da profissão e despertar sonhos, além de realizar brincadeiras educativas e visitas institucionais.

Há certas notícias que chegam sem pedir licença em nossas vidas; elas têm o poder de trazer confronto na rotina como um vendaval que desarruma todas as certezas. Quase como uma forte e inesperada chuva de verão, que costuma fazer muitos estragos. Para a jovem arquiteta Priscila Forcel, de Itápolis, no interior de São Paulo, essa tempestade veio em janeiro de 2022. Aos 27 anos, ela se viu diante de um diagnóstico que ninguém espera: o câncer do colo do útero.
O Hospital de Amor, em Barretos (SP), não surgiu em sua vida por acaso; surgiu como um porto seguro após um exame de rotina, o Papanicolaou, que Priscila realizou durante uma campanha municipal. Ali, a arquiteta, acostumada a traçar linhas para desenvolver suas plantas de construção, viu na ciência, ao lado da fé, uma nova história em sua vida.
“No início, senti medo, confusão e revolta”, confessa a jovem, hoje com 30 anos. É a reação humana, o primeiro degrau do enfrentamento. Mas, para ela, o diagnóstico não foi um ponto final, e sim uma ‘virada de chave’. Onde muitos veem o abismo, a arquiteta buscou os alicerces de sua fé. “Entendi que Deus iria me fortalecer e tirar algo de bom daquela situação. O diagnóstico foi doloroso, mas o Senhor me sustentou quando eu não tinha forças”, revela.
Nesse processo de tratamento e cura, a paciente descobriu que o Hospital de Amor faz jus ao nome que carrega. Para além da excelência técnica e dos equipamentos de ponta, o que a marcou foi o olhar. Ela descreve uma medicina que não se limita a tratar o tumor, mas que se ocupa da alma, do emocional e da esperança de quem está no leito.
Um tempo para desacelerar
A mulher que antes vivia no ‘automático’, como tantos de nós, abarrotados pela urgência do mundo, encontrou no tratamento uma nova ‘passada’ para o tempo. Priscila redescobriu o prazer nas mãos. Ela encontrou no crochê e na pintura, cores para aguardar durante os atendimentos, para colocar os pensamentos em ordem. Na fotografia, viu a oportunidade de criar memórias infinitas, e na cozinha, aprendeu mais sobre o poder da comunhão no convívio familiar. “Aprendi que o tempo é precioso e que a vida é um presente diário”, diz ela. O câncer, em sua visão, foi um processo de renascimento.
O futuro está logo ali
Longe de se deixar entristecer, a mestra em Engenharia Urbana projeta o amanhã com a fé de quem conhece bem o terreno onde pisa. Seu maior sonho? Conseguir transformar sua experiência pessoal em motivação para produzir conhecimento que mude realidades de fato.
Para as mulheres que hoje recebem a notícia que ela recebeu há três anos, o conselho de Priscila é direto e carregado de uma serenidade conquistada com lágrimas e muita resiliência: “O câncer não é um castigo, nem o fim da história. Ele é um processo, e processos passam”.
Ao falar da equipe que a atendeu em Barretos, a emoção transborda. Os olhos brilham de gratidão. Para Priscila, a equipe que cuidou dela são “anjos por toda parte” e “respostas de oração”. Na ‘planta’ da cura desenhada por ela, o Hospital de Amor é mais que um hospital; é o lugar onde a ciência de ponta se curva diante do milagre da dedicação e o amor ao próximo.
Priscila Kauana Barelli Forcel sobreviveu. Mais do que isso: ela aprendeu a viver com presença. E, em sua história, a arquitetura da vida revelou-se muito mais bela e resistente do que qualquer estrutura de concreto. “Meu maior sonho é seguir como pesquisadora, produzir conhecimento que ajude a transformar realidades e, ao mesmo tempo, viver uma vida com propósito, saúde e fé. Quero usar tudo o que vivi, inclusive o câncer, como combustível para fazer algo maior”. É com estas palavras que Priscila nos encoraja a continuar salvando vidas!


O Hospital de Amor, referência internacional em oncologia, deu mais um importante passo no tratamento de câncer ocular com a inauguração do “Centro de Tratamento de Melanoma Uveal”.
O grande diferencial com a inauguração desse centro do Hospital de Amor, em Barretos (SP), é que a instituição passará a realizar o procedimento de braquiterapia ocular em larga escala, e devido à alta tecnologia, poderá tratar tumores de maior tamanho e com menos efeitos colaterais. Hoje, no Brasil, especialmente no Sistema Único de Saúde (SUS), ainda há pouca disponibilidade de centros especializados para o tratamento desse tipo de câncer. Os pacientes raramente têm acesso a tratamentos que preservem o olho e a testes moleculares que ajudam a prever o risco de metástases e guiar o acompanhamento da doença.
Com a criação desse centro no HA, será possível oferecer diagnóstico e tratamento de forma mais rápida, organizada e moderna, melhorando o cuidado e aumentando a chances de cura, preservando o olho e a visão, quando possível. “O paciente não vai mais precisar ser submetido a um tratamento mutilador. A braquiterapia oferece a mesma chance de cura que a enucleação, mas sem a necessidade futura de próteses oculares, preservando a estética e, em muitos casos, a visão”, explica o oftalmologista do HA, em Barretos, Dr. Tomás de Oliveira Castro Teixeira Pinto.
“Outros serviços já ofereceram a braquiterapia ocular no Sistema Único de Saúde (SUS), mas não com essa tecnologia de ponta. Para o SUS, a principal importância é o acesso: serviços que oferecem braquiterapia são poucos e insuficientes, geralmente só conseguindo tratar tumores pequenos devido à tecnologia disponível. Na rede privada o tratamento é muito caro, fora da realidade da maioria dos pacientes”, destaca o médico oftalmologista do HA, em Barretos (SP), Dr. Roque Lima de Souza.

Braquiterapia ocular
Diferente da radioterapia convencional, que emite radiação de uma fonte externa, a braquiterapia ocular é uma modalidade de radioterapia, na qual, uma placa contendo sementes radioativas de Iodo-125 é cirurgicamente posicionada no globo ocular, permitindo que a radiação seja direcionada precisamente ao tumor, preservando ao máximo os tecidos saudáveis e minimizando danos à visão do paciente. Essa placa fica acoplada no local por um período específico, geralmente de dois a sete dias, a depender do tipo do tumor, tamanho e da atividade radioativa das sementes.
O Hospital de Amor dispõe das placas de braquiterapia e do sistema de planejamento mais modernos, o que permite oferecer tratamentos extremamente personalizados e eficientes, aumentando as chances de cura e reduzindo os efeitos adversos da radioterapia.
“Para o planejamento da braquiterapia oftálmica, é utilizado um software específico, que consegue, a partir de imagens diagnósticas do olho do paciente como tomografia computadorizada, ultrassom e imagem de fundo ocular, fazer uma reconstrução tridimensional do olho, gerando um mapa completo, contendo a localização precisa da lesão e todas as coordenadas de onde a placa deve ser fixada. Nesse sistema é possível inserir todas as informações das sementes de Iodo-125 disponíveis na instituição, da dose prescrita pelo radioterapeuta, além de ser possível simular o planejamento sob diferentes placas. Após o usuário definir o número de sementes e onde elas ficarão distribuídas na placa, o sistema faz um cálculo da distribuição da dose de radiação na lesão e nas estruturas saudáveis dentro do olho”, explica o físico médico especialista em radioterapia e coordenador do Departamento de Física Médica e Radioterapia do HA, em Barretos (SP), Dr. Gustavo Costa Panissi.
A braquiterapia ocular também poderá ser realizada para o tratamento de outros tumores como retinoblastoma, tumores metastáticos, hemangiomas e carcinomas em adultos e crianças, quando a técnica for indicada.

Marco para o Hospital de Amor
A primeira cirurgia de braquiterapia ocular utilizando navegação foi feito em Renildo Santos da Conceição, 54 anos, natural do estado do Espírito Santo, que foi diagnosticado com melanoma uveal em 2024, e acreditava que o seu único tratamento seria a remoção do olho.
“Era por volta de 13h, eu estava próximo a um lavador de carro, mas eu não estava lavando o carro. Aí de repente apareceu uma neblina na minha vista. Para mim era um produto químico do sabão que causou esse embaçamento. Cheguei para trabalhar, lavei o rosto e nada, o olho ficou meio irritado, aí lavei de novo em água corrente na torneira. Não falei nada para ninguém”, conta Renildo.
O câncer estava dando sinal e Renildo marcou uma consulta com um oftalmologista, mas só conseguiu data para o próximo mês. “Foram 30 dias com a vista embaçada. Fui até uma farmácia, comprei um colírio lubrificante só para ver o que é, mas não adiantou”, declara o paciente.
Renildo passou pela consulta com o oftalmologista e precisou ser encaminhado para a Vitória, capital do Espírito Santo, para passar com um especialista. Após a realização de exames, Renildo recebeu a notícia que não seria possível realizar o tratamento no seu estado. Durante quase um ano, Renildo foi atrás de outros hospitais para conseguir se tratar, foi quando conseguiu encaminhamento para o HA. “Quando eu descobri a doença, o tumor estava pequeno, pequeno mesmo, eu fiquei um ano correndo atrás de tratamento, meu estado não tem, aí graças a Deus consegui encaminhamento para cá.” Infelizmente a visão do olho direito não conseguiu ser recuperada, mas através da braquiterapia ocular, Renildo não fará a enucleação ocular.
“Em dezembro, eu vivi um momento histórico, fui o primeiro paciente a passar por este novo tratamento aqui no hospital. O meu tumor já é bem avançado, mesmo não conseguindo preservar a visão, o importante é ficar curado e os médicos me deram uma expectativa de 90% de cura”, destaca Renildo.
E não foi só para Renildo que essa cirurgia foi histórica, para o HA e toda a equipe envolvida no projeto e que realizou a primeira braquiterapia ocular também teve um significado especial, principalmente por conseguir proporcionar um tratamento de ponta, pensado no bem-estar do e qualidade de vida do paciente.
“É gratificante poder fazer essa cirurgia com essa equipe, pois, sabemos que se não fosse a braquiterapia, o paciente, provavelmente, passaria por uma enucleação (retirada do olho). Agora, não precisamos mais mutilar o paciente, é o mesmo tratamento em termos de cura e mortalidade, mas sem o trauma da perda do globo ocular e a necessidade de prótese. A braquiterapia traz o que buscamos na medicina moderna: um tratamento mais humanizado, menos sequelas e tecnologia de ponta. A radiação é dirigida e precisa, calculada por físicos, sem espalhar para outros tecidos”, Dr. Roque.
Melanoma uveal no Brasil
O melanoma uveal é um tipo de câncer que afeta os olhos e é o mais comum entre os adultos. Embora seja raro (cerca de 5 a 7 casos por milhão de habitantes), é grave, especialmente quando diagnosticado em fases avançadas. Até 50% dos pacientes com melanoma uveal desenvolvem metástases, ou seja, o câncer se espalha para outras partes do corpo, principalmente para o fígado, em até cinco anos, devido à dificuldade do diagnóstico precoce. Nessa fase, a doença se torna extremamente letal. A análise molecular do tumor permite prever quais pacientes têm maior risco de desenvolver metástases, permitindo um acompanhamento mais próximo e individualizado.
No Brasil, especialmente no Sistema Único de Saúde (SUS), os pacientes não costumam ter acesso a esses recursos necessários para avaliar adequadamente o prognóstico da doença, dificultando o seguimento e tratamento adequados. Devido a essa carência, pesquisadores e médicos do Hospital de Amor criaram um projeto, com o objetivo de detectar e tratar com maior eficiência o melanoma uveal, denominado “Centro de Tratamento de Melanoma Uveal”.

“Centro de Tratamento de Melanoma Uveal”
O “Centro de Tratamento de Melanoma Uveal” foi criado por meio de um projeto de pesquisa do Programa Nacional de Genômica e Saúde Pública de Precisão – Genomas Brasil, financiado pelo Ministério da Saúde e executado pelo DECIT/SECTICS/MS, que tem como objetivo, além de tratar o câncer, realizar análise molecular e classificação prognóstica avançada utilizando inteligência artificial.
Devido à complexidade do tratamento, a braquiterapia ocular é oferecida em poucos hospitais, (particulares e do SUS), ocasionando, frequentemente, que o paciente seja submetido a enucleação (remoção total do olho), mesmo quando o tumor poderia ser tratado de forma menos invasiva. “Esse projeto é importante porque o melanoma uveal é um câncer raro, mas muito agressivo, que atinge o olho e pode se espalhar para outros órgãos (principalmente o fígado). Em muitos casos, quando a doença avança, as chances de cura diminuem. Estamos trazendo o que existe de mais moderno no mundo para o paciente do SUS, garantindo que a perda de um olho não seja a única opção por falta de acesso”, destaca a pesquisadora do HA e uma das autoras do projeto, Dra. Lidia Maria Rebolho Batista Arantes.
“Este projeto nasce de muitas mãos. A braquiterapia é apenas uma parte de um centro maior de melanoma uveal.
Além do tratamento, passaremos a ofertar a análise genética do tumor, algo que antes só era feito nos Estados Unidos ou Europa a custos altíssimos. Isso permite uma medicina personalizada: saber se o tumor é mais ou menos agressivo e definir se o acompanhamento será próximo ou distante. Além disso, vamos gerar dados inéditos sobre o perfil genético do melanoma na população brasileira, já que hoje dependemos de literatura estrangeira”, declara Dr. Tomás.
Com o “Centro de Tratamento de Melanoma Uveal”, a instituição espera transformar essa realidade do acesso ao tratamento de melanoma uveal através de quatro pilares:
• Braquiterapia de alta tecnologia: radiação aplicada seletivamente no tumor, preservando tecidos saudáveis.
• Análise genética e molecular: pela primeira vez no Brasil, o tumor será sequenciado para identificar o grau de agressividade, algo que antes só era realizado em centros de excelência na Europa e EUA.
• Inteligência artificial: modelos preditivos para antecipar o comportamento da doença e o risco de metástase (que atinge 50% dos casos). A pesquisa utiliza algoritmos de IA para analisar o DNA e o comportamento das células dos pacientes. Através de técnicas chamadas de clustering (agrupamento inteligente), o computador consegue identificar padrões invisíveis ao olho humano, separando os pacientes em perfis moleculares específicos.
• Biópsias minimamente invasivas: protocolos que permitem o estudo da genética da população brasileira sem comprometer a estrutura ocular.

Pesquisa em favor do paciente!
“A pesquisa é fundamental, porque no melanoma uveal nem todos os pacientes evoluem da mesma forma. Alguns casos permanecem controlados por muito tempo, enquanto outros podem apresentar metástases mesmo após o tratamento do tumor no olho. Com a pesquisa, conseguimos entender melhor como o tumor se comporta no corpo, identificar marcadores genéticos e moleculares que indicam maior risco, melhorar o acompanhamento do paciente (mais exames para quem precisa, menos exames para quem tem baixo risco), detectar metástases mais cedo, quando ainda há mais chance de tratamento, e, principalmente, preservar o olho e a visão sempre que possível, com segurança. Destacamos que, apesar de muitos estudos internacionais já terem apontado muitas características importantes do melanoma uveal, pouco se sabe sobre as características desses tumores no Brasil, reforçando a importância de desenvolvermos estudos com a nossa população”, complementa Dra. Lidia.
Encaminhamento para o HA
Com o “Centro de Tratamento de Melanoma Uveal”, o HA passará a oferecer a braquiterapia ocular não só a seus pacientes elegíveis, que já realizam o tratamento no hospital, mas também, a pacientes de outras instituições.
Médicos que tenham pacientes com casos confirmados de melanoma uveal, podem encaminhar os relatórios e documentações para a avaliação da equipe do HA, garantindo que essa tecnologia de ponta chegue a quem mais precise. Os critérios para o encaminhamento são: tumores com menos de 10mm de altura; tumores com menos de 16mm de base e doença não metastática.
Enviar e-mail com o tópico “Melanoma Uveal” contendo os dados pessoais e clínicos do paciente para: agendamentoss@hospitaldeamor.com.br.

Superação: o ato de ultrapassar limites, vencer adversidades e alcançar vitórias. Foi por meio desse propósito que o ex-segurança Jeverson Dantas Felix, natural de Araguaína (TO), se consagrou bicampeão mundial, além de campeão Pan-Americano, Sul-Americano e Brasileiro de parajiu-jitsu.
A jornada, no entanto, foi marcada por desafios severos. Em meados de 2012, Jeverson começou a apresentar uma perda progressiva de movimentos. Ao procurar orientação médica, recebeu inicialmente um diagnóstico equivocado de hanseníase. “Os primeiros sintomas foram a perda progressiva de movimentos. Recebi, inicialmente, um diagnóstico equivocado de hanseníase. Tratei essa doença por um ano e meio, sem necessidade, até que o diagnóstico correto foi fechado: eu tinha, na verdade, um tumor medular”, conta o paratleta.
O hemangioblastoma é um tumor raro, benigno e de origem vascular, classificado como Grau I pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Por estar localizado na medula espinhal, o crescimento do tumor comprime e interrompe os sinais nervosos que comandam braços e pernas. Se não for tratado a tempo, a compressão medular pode levar à perda total ou parcial da função motora, resultando em quadros de paraplegia ou tetraplegia.
Embora o principal sintoma de Jeverson tenha sido a perda de movimentos, o quadro clínico varia conforme a localização e o tamanho do tumor, podendo incluir dores de cabeça, tontura e problemas de equilíbrio e coordenação (ataxia). O tratamento padrão é a ressecção cirúrgica (remoção do tumor).

Reabilitação
Para conseguir manter a sua autonomia, Jeverson precisou passar por um processo de reabilitação. Ainda em Brasília (DF), ele foi informado sobre o Centro Especializado em Reabilitação do Hospital de Amor, em Araguaína (TO), sua cidade natal. “O Jeverson chegou com quadro de tetraplegia devido a um tumor na medula cervical, o hemangioblastoma. Quando iniciou o tratamento aqui conosco, ele apresentava perda de força e sensibilidade nos quatro membros”, explica o médico fisiatra e diretor técnico do Centro Especializado em Reabilitação do HA, em Araguaína (TO), Dr. Thiago Fernandes.
O convite para ser atleta de parajiu-jitsu veio como um novo propósito. O que começou com vitórias discretas em movimentos básicos no tatame evoluiu para uma carreira internacional meteórica. Com apenas seis meses de treino, Jeverson já era campeão em Goiânia.
“O caso do Jeverson é inspirador, venceu e vence todos os dias as barreiras físicas e dos tabus para se tornar um multicampeão”, detalha o médico fisiatra.


Antes do ano de 2025 terminar, o Hospital de Amor, com seu coração repleto de alegria e gratidão, viveu um momento muito especial! No último dia 12 de dezembro, o Instituto Sociocultural inaugurou a exposição “História ao Ar Livre”, com uma cerimônia destinada a convidados, imprensa e parceiros do Hospital de Amor. A mostra, com curadoria da historiadora Karla Armani, está localizada no Jardim de Amor, em Barretos (SP).
A exposição se dedica a contar a trajetória do HA desde sua fundação até os tempos mais recentes, por meio de fotografias e painéis interativos. Com mais de 70 imagens originais, além de fragmentos de cartas e desenhos exibidos em painéis, a mostra se propõe a ser um convite à reflexão, à informação e ao entretenimento para todos que visitam o HA.
A realização da exposição foi viabilizada pelo Ministério da Cultura, por meio da Lei Rouanet, e integra o projeto do Acervo Histórico do Hospital de Amor. Esta iniciativa do Instituto Sociocultural do HA, que vem sendo desenvolvida há dois anos, visa preservar a memória institucional e incentivar a criação de produtos culturais de interesse público.
“A criação deste acervo tem o objetivo de guardar, proteger e preservar as fontes históricas do Hospital de Amor, para que produtos culturais, como esta exposição, possam florescer”, afirmou Karla Armani, historiadora e curadora da mostra. “É um trabalho coletivo, pensado para dialogar com o espaço do Jardim de Amor, somando delicadeza, acessibilidade e informação, sem interferir na beleza natural do lugar”.

A exposição só foi possível graças ao empenho de uma equipe dedicada, com destaque para a curadora, Karla Armani Medeiros, responsável pela pesquisa histórica e pelos textos, e a equipe técnica de arquivo, museologia e conservação, composta por Tânia Registro, Alice Registro Fonseca e Leila Heck.
A cerimônia de abertura contou com as palavras da coordenadora do ISHA, Aline Dias, do vice-prefeito da Estância Turística de Barretos, Mussa Calil Neto, voluntário do Hospital de Amor há mais de 40 anos, e do padre Túlio Gambarato, que fez uma comparação poética entre o Jardim de Amor e o Jardim do Éden, da Bíblia, ressaltando o caráter acolhedor e simbólico do espaço.
Com recursos de acessibilidade, como descrição audiovisual para pessoas com baixa visão, a exposição “História ao Ar Livre” está disponível em múltiplos formatos, incluindo catálogo impresso e conteúdo digital.

Jardim de Amor
O Jardim de Amor, situado próximo ao Lar de Amor, foi inaugurado em 1º de dezembro de 2021, por meio de uma parceria entre o Hospital de Amor e a Genesis Ecossistemas, empresa especializada em arquitetura, paisagismo e aquarismo. A iniciativa partiu do cantor Sorocaba que, junto a Genesis, presenteou o Hospital de Amor com o projeto no dia em que a instituição completava 59 anos de fundação.
Para a criação do Jardim de Amor, foi realizado o “Genesis Experience”, maior evento de piscinas naturais, lagos e paisagismo do Brasil. Durante 10 dias e com a participação de 20 profissionais da área, o evento resultou em um jardim que conta com um ecossistema harmonioso e equilibrado, formado por árvores frutíferas, gramado, lago, carpas e outros recursos, criando uma paisagem visual, sonora e contemplativa.
A obra foi dedicada aos colaboradores, pacientes e familiares do HA. Sua inauguração contou com a presença de artistas que, ao longo da história, contribuíram e ainda contribuem com a instituição, como Xuxa Meneghel, Sorocaba, Tiago Abravanel, entre outros, que também plantaram árvores no local, eternizando seus nomes no jardim.
Informações detalhadas da mostra e do Jardim de Amor podem ser consultadas no hotsite do Instituto Sociocultural: clique aqui.
A exposição está aberta ao público, gratuitamente, às terças e quintas-feiras, das 8h às 10h e das 16h às 18h.


Receber o diagnóstico de câncer costuma desencadear uma série de sentimentos intensos, como medo, insegurança, angústia e incertezas em relação ao futuro. Ao longo do tratamento, essas emoções podem se intensificar, impactando diretamente o bem-estar, a qualidade de vida e até os relacionamentos dos pacientes e de seus familiares.
Nesse contexto, a campanha “Janeiro Branco”, que tem como objetivo conscientizar a sociedade sobre a importância da saúde mental, ganha ainda mais relevância dentro da oncologia. De acordo com a psicóloga do Hospital de Amor, Lisa Nathália de Souza Ramos, cuidar da saúde emocional faz parte do cuidado integral ao paciente. “Cuidar da mente é tão importante — e também é uma forma de tratamento — quanto a quimioterapia, a radioterapia ou a cirurgia”, afirma.
A saúde mental no enfrentamento do câncer
O impacto psicológico do câncer não ocorre apenas no momento do diagnóstico. Segundo a psicóloga, ele pode estar presente em todas as fases do processo: durante a realização de exames, no início do tratamento, diante das mudanças corporais, dos efeitos colaterais, da adaptação à nova rotina e, inclusive, após o término do tratamento.
Sintomas como ansiedade, depressão, estresse, alterações no sono, medo constante e tristeza persistente são comuns e não devem ser ignorados. Reconhecer essas emoções não é sinal de fraqueza, mas sim um passo essencial para o autocuidado e para a busca de apoio adequado.
Cuidar da mente também é tratamento
Estudos indicam que pacientes oncológicos que recebem acompanhamento psicológico apresentam melhor adesão ao tratamento, maior capacidade de enfrentamento e melhor qualidade de vida. “O suporte de profissionais da saúde mental, como psicólogos e psiquiatras, auxilia o paciente a desenvolver estratégias para lidar com o medo, a dor, as incertezas e as mudanças impostas pela doença. Esse cuidado também deve ser estendido aos familiares e cuidadores, que frequentemente vivenciam sobrecarga emocional ao longo do tratamento oncológico. Oferecer apoio a quem cuida é parte essencial desse processo”, destaca Lisa.
Para a psicóloga, o olhar sobre o paciente oncológico deve ser sempre integral, considerando não apenas a doença, mas também os aspectos físicos, emocionais, sociais e psicológicos. “Promover a saúde mental é promover dignidade, acolhimento e respeito à história de cada pessoa.”
Além do acompanhamento profissional, atitudes adotadas pelo próprio paciente também podem contribuir positivamente para o bem-estar emocional e a qualidade de vida, como:
– Reconhecer e validar suas emoções;
– Buscar apoio profissional sempre que necessário;
– Manter uma comunicação aberta com a equipe de saúde;
– Estabelecer uma rotina flexível, respeitando limites;
– Fortalecer vínculos e aceitar ajuda;
– Buscar informações em fontes seguras;
– Realizar atividades que tragam sentido, prazer e conforto;
– Praticar o autocuidado de forma contínua.
Neste mês de conscientização sobre a saúde mental, o HA reforça seu compromisso com um cuidado que vai além do tratamento da doença. Falar sobre sentimentos, buscar ajuda e acolher as próprias emoções fazem parte do cuidado integral ao paciente.
Se você ou um familiar está enfrentando o câncer, lembre-se: não é preciso passar por isso sozinho. Cuidar da mente é um ato de coragem, força e amor!

O verão ainda não chegou, mas as temperaturas já estão nas alturas! Janeiro é o mês de férias, período em que muitas famílias aproveitam praias e piscinas; porém, é fundamental não esquecer a prevenção. E você, tem se protegido do sol adequadamente?
O diagnóstico precoce é, estatisticamente, o fator determinante para o sucesso de um tratamento oncológico. Para a paciente Rosângela Aparecida Antônio, de 57 anos, manicure residente em Barretos (SP), esse processo começou de forma despretensiosa em uma cabine de diagnóstico no shopping local.
Após a análise da imagem capturada pelo dispositivo do projeto ‘Retrate’, o encaminhamento ao Hospital foi imediato. A equipe do HA identificou o caso como suspeito, e ela foi submetida a uma cirurgia para retirada de lesão (pinta), seguida de um procedimento de ampliação de margem para garantir a segurança oncológica. “O atendimento no hospital não se iguala a nenhum que tive durante a vida. É um lugar abençoado”, afirma a paciente, que já conhecia a dedicação da equipe após acompanhar sua mãe em um tratamento anterior de tumor ginecológico.
Atualmente, Rosângela atua como multiplicadora de conhecimento, tendo realizado curso para auxiliar na identificação de possíveis casos de câncer de pele em sua comunidade, oferecido pelo mesmo projeto do Hospital de Amor, que possibilitou o seu diagnóstico.
A pesquisadora e coordenadora do projeto ‘Retrate’, Raquel Descie, elogiada pelo acolhimento aos pacientes, explica o impacto da cabine na vida deles: “A cabine permitiu identificar lesões suspeitas em um momento muito inicial, muitas vezes, antes mesmo de qualquer sintoma. No caso da Rosângela, ela possibilitou um diagnóstico precoce, com tratamento menos invasivo e maior chance de cura, o que mudou completamente a trajetória da paciente”, afirma.
Além da detecção precoce, o projeto também investe na capacitação de profissionais de estética e cuidado corporal, como manicures, esteticistas e cabeleireiros. Essa iniciativa se mostra especialmente relevante na realidade brasileira, em que nem todas as pessoas têm acesso fácil e rápido a um dermatologista. O curso oferece treinamento prático e teórico para reconhecer sinais de alerta do câncer de pele, orientar os clientes e encaminhar precocemente para avaliação em serviços de saúde, ampliando o acesso ao conhecimento, ao diagnóstico e fortalecendo a rede de vigilância na comunidade.
Para Raquel, Rosângela percorreu todas as etapas possíveis dentro da lógica da prevenção: do diagnóstico ao tratamento, da conscientização ao engajamento ativo. “Ver uma paciente que foi diagnosticada precocemente pelo projeto e que hoje atua como multiplicadora de conhecimento é extremamente gratificante. Isso mostra que a prevenção não termina no tratamento, ela se transforma em cuidado coletivo e em impacto real na comunidade”, conclui.
Fique atento às dicas da especialista para aproveitar o verão de forma segura:
– Utilize protetores solares com FPS mínimo de 30 para uso diário e 50 ou superior para exposição direta. Certifique-se de que o produto oferece proteção contra UVA (relacionado ao envelhecimento e câncer) e UVB (queimaduras);
– Lembre-se de aplicar o protetor 30 minutos antes da exposição ao sol e reaplique a cada 2 horas após sudorese intensa e imersão em água;
– Utilizes óculos de sol com lentes que possuem filtro UV, chapéus de abas largas e roupas para cobrir a áreas expostas (orelhas, nuca, dorso das mãos), de preferência com certificação UPF 50+;
– Evite a exposição ao sol entre 10h e 16h. Pois nesse intervalo, a radiação UVB é mais intensa.
A trajetória da paciente Rosângela reforça que a saúde preventiva aliada ao profissionalismo técnico de ponta salva vidas. Previna-se e divirta-se neste verão!

Aos 12 anos, o mato-grossense Vitor Hugo Soares de Oliveira, natural de Comodoro, já é um exemplo de resiliência e fé. Tímido com quem não o conhece, ele se transforma em um garoto falante e divertido ao lado de seus amigos. No entanto, sua rotina é marcada por uma intensa batalha contra o câncer na unidade infantojuvenil do Hospital de Amor em Barretos (SP).
Mas a história deste garoto apaixonado por futebol começou a mudar drasticamente quando ele tinha apenas 10 anos. Sua mãe, Walquiria Soares da Silva, de 35 anos, percebeu que algo estava errado. “Ele sentia enjoos e começou a perder muito peso, cerca de 8 a 10 kg”, relata Walquiria.
Inicialmente, os exames na cidade de origem apresentavam para um diagnóstico inconclusivo, e um médico chegou dizer que os sintomas eram causados por ‘vermes’. Mas a perda de peso continuava, e a persistência de Walquiria em buscar a causa real foi fundamental para que seu filho descobrisse o que estava acontecendo. “Pedi todo tipo de exame de sangue que fosse possível, porque tínhamos que descobrir o que ele tinha, já que as medicações para verme não melhoravam”, conta a mãe do paciente. Finalmente, um dos exames mostrou uma alteração no fígado. Mesmo assim, a alteração foi inicialmente ligada ao ‘suposto’ problema de vermes. “Pedi para fazerem um exame de ultrassom. A resposta do médico fez meu chão abrir: “Se você quer salvar seu filho, você corre! Ele está com câncer, e o tumor dele está muito grande já”, disse Walquiria com a voz embargada.
A família viajou para Cuiabá (MT), onde foi realizado uma biópsia inicial que se mostrou inconclusiva. Em 2023, o Hospital de Amor entrou na vida do garoto que já sofria com as dores. “A recepção aqui em Barretos foi maravilhosa. No mesmo dia, Vitor começou a passar mal e precisou ser internado. A agilidade do HA impressionou: em uma semana, todos os exames foram refeitos, incluindo biópsia e ressonância, e em apenas 20 dias, Vitor Hugo já iniciava a sua primeira sessão de quimioterapia”, conta a vendedora.
O garoto precisou viajar até Barretos para iniciar o tratamento do sarcoma embrionário no fígado – trata-se de uma neoplasia que acomete principalmente crianças na faixa etária entre 6 e 10 anos de idade. Vitor e sua mãe lembram que o tratamento foi bem doloroso, pois as quimioterapias exigiram longas internações e trouxeram complicações sérias, como sangramento e trombose no baço e estômago. Por conta da trombose, o tratamento não pôde avançar para cirurgia ou radioterapia, ficando limitado à quimioterapia. Essa limitação fez com que o tumor no fígado evoluísse. “Após um período de dois anos e três meses de tratamento, o terceiro protocolo de quimioterapia não teve mais o efeito desejado. Atualmente, ele é paciente dos cuidados paliativos”, explica Walquiria.

Apesar dos desafios, Vitor Hugo é um apaixonado pela vida e pelo rubro-nega carioca. Ele é torcedor do Flamengo e ama ver seu time em campo. Vitor encontra no esporte e em seus sonhos sua maior motivação. Seu maior desejo, surpreendentemente, é ser padre. “Ele fala que vai ser padre, acompanha na internet e até conversou algumas vezes com o Padre Túlio aqui do hospital”, revela a mãe ao lembrar do papo entre seu filho e o capelão do HA.
Para Vitor, o Hospital de Amor tem um significado especial: “Ele fala que o hospital salvou a vida dele, porque se a gente não tivesse vindo para cá, eu creio que a gente não teria mais ele aqui”, conta a mãe com os olhos marejados.
A notícia de que o tumor evoluiu, quatro meses atrás, foi o momento mais difícil para a família. A mãe revela que o filho chorou, com medo de morrer. “Hoje, porém, amparado pela fé e pelo acompanhamento psicológico, ele está mais calmo”, explica ela.
Vitor participa ativamente do projeto do jornalzinho do HA ao lado de outras crianças pacientes, recebendo grande destaque pelo seu empenho durante as coberturas ‘jornalísticas’. Ele se recorda do dia em que ‘cobriram’ o Baile de Debutantes, festa já tradicional realizada por voluntários que alegra a vida dos pacientes e de seus familiares, principalmente seu pai, Osias Pereira da Silva, e sua irmã caçula, Ana Vitória Soares da Silva.
Questionada sobre o que Vitor Hugo significa para ela, a resposta de Walquiria é imediata: “Ele é a minha vida, um pedaço de mim. Sem ele, eu não sei o que seria”. Com a fé e a gratidão ao Hospital de Amor, que oferece toda a rede de apoio que não teriam em casa (a 12 horas de viagem de Cuiabá), Walquiria deixa uma mensagem essencial para outras mães que recebem um diagnóstico semelhante: “Aproveitem cada dia. Vivam um dia de cada vez. O amanhã é muito incerto”.
Alguém dúvida de que a família e amigos de Vitor já adotaram um trecho do hino do ‘Mengão’ pra celebrar a vida de garoto?!
“É meu maior prazer vê-lo brilhar
Seja na terra, seja no mar
Vencer, vencer, vencer”.

Como a própria definição diz, DOR: uma experiência sensorial e emocional desagradável, associada a uma lesão real ou potencial no corpo, que sinaliza que algo está errado. A médica anestesiologista e especialista em medicina chinesa no Centro Especializado do Hospital de Amor, em Barretos (SP), Dra. Margareth Kath Lucca, define como “…um sentimento subjetivo que está relacionado não só com as situações que o corpo vive, mas com os acontecimentos psicológicos que essa pessoa já viveu”.
A grande questão e um dos maiores desafios nesse sentido é que: “a dor do tratamento oncológico, é diferente!”. Para atender uma demanda crescente de pacientes com dor na instituição, a equipe multidisciplinar do Centro Especializado em Reabilitação do HA, em Barretos (SP) – composta por fisioterapeutas, psicólogos, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, educadores físicos, médicos fisiatras, neurocirurgião e anestesiologista – criaram o ‘Ambulatório da dor’.
Destinado a atender todos os pacientes em tratamento no Hospital de Amor, o projeto tem o objetivo de diminuir o sofrimento da pessoa que sofre com dor, seja ela causada por conta de procedimentos realizados durante o processo de cura (como dores decorrentes de cirurgias, quimioterapias, entre outros), ou seja por conta de sequelas do próprio tratamento. Em qualquer uma das situações, a missão é uma só: melhorar a qualidade de vida do paciente!
“No Ambulatório da dor, a gente sempre vai enxergar o ser humano como um todo, não unicamente a dor que ele traz. Além do câncer, que priva o paciente de muitas coisas, inclusive de sonhos, existem conflitos familiares, instabilidade financeira, distância da família, e outros problemas vividos por essas pessoas que causam desconfortos, como a dor. Por isso, contamos com uma equipe tão completa, capacitada e dedicada atuando no controle da dor”, afirma Dra. Margareth.
De acordo com a médica, o primeiro passo desse processo é entender as questões pessoais de cada um desses pacientes para, só depois, com o tempo e uma anamnese detalhada, poder chegar em uma avaliação psicogênica para ‘palpar’ e ‘enxergar’ a dor. “Os resultados desse trabalho estão sendo muito positivos. A gente consegue ver pessoas sendo recuperadas, recuperando a sua qualidade de vida, a sua alegria em viver, realizando seus afazeres na sociedade, na família, e tudo que é importante”, conta.
Paciente oncológico sofre de dor crônica?
“Com certeza!”, declara a médica anestesiologista. Mas, a boa notícia é que as técnicas, especialmente as que são aplicadas no cuidado da dor durante a cirurgia e no pós-operatório imediato, já são bastante salientes. “Estamos tendo um grande avanço neste ponto, pois os médicos, em seus atendimentos, já conseguem perceber a potencialidade da dor de um paciente e a capacidade dela se tornar crônica, então ele já ‘saí na frente’, buscando alternativas como o ambulatório da dor para que isso não aconteça. O importante é conseguir diminuir o tempo de dor, porque quanto mais tempo, mais difícil dessa dor deixar de existir, tornando-se crônica”.
Existe prevenção para a dor?
“Sim”, afirma Dra. Margareth. Tanto durante a realização de cirurgias, quanto no pós-operatório, os profissionais podem e devem atuar no controle da dor. “Mais de 90% dos pacientes do Hospital de Amor sofrem com dor. Os tratamentos, por mais tecnológicos que sejam, podem trazer desconforto e sofrimento, por isso esse nosso trabalho com tratamentos integrativos e ações intervencionistas são tão importantes. É tudo pelo bem do paciente!”, finaliza.
Pacientes do HA que desejam passar pelo ambulatório da dor, podem solicitar ao médico um pedido de encaminhamento. A equipe avaliará o caso e iniciará o atendimento. O ‘Ambulatório da dor’ está localizado no Centro Especializado em Reabilitação do HA, em Barretos (SP).
Conheça a história do Antônio Marcos Lessi, diagnosticado com Condrossarcoma – um tipo de câncer ósseo maligno que se origina nas células da cartilagem e que causa dores intensas – que viu sua vida mudar completamente ao iniciar tratamento no ‘Ambulatório da dor’.

“Outubro Rosa” é a campanha de conscientização sobre o câncer de mama, tendo como principal objetivo ampliar o acesso à informação e incentivar a realização de exames preventivos, como a mamografia, para um diagnóstico precoce e aumento das chances de cura. Mas, também aproveitamos este mês para fazer um alerta às mulheres que estão em tratamento, principalmente para aquelas que realizaram a cirurgia da mama ou vão realizar: cuidados no pré e no pós-operatório.
A fisioterapia é uma grande aliada nesse processo, sendo fundamental para garantir uma boa recuperação para o enfrentamento da doença. Com quase 30 anos de atuação na instituição, Dr. Almir José Sarri, fisioterapeuta assistencial do Departamento de Mastologia e coordenador da Comissão de Residência Multiprofissional (COREMU) do Hospital de Amor, em Barretos (SP), ressalta que o ideal seria começar a fisioterapia no pré-operatório, para avaliar possíveis disfunções no ombro e na respiração, preparando o corpo da paciente para a cirurgia.
“Durante a cirurgia, a paciente permanece muito tempo em uma posição específica. Se ela já tiver algum problema prévio, isso pode gerar complicações no pós-operatório. Mesmo quando o atendimento prévio não é possível, o acompanhamento logo após a cirurgia é uma prioridade. No dia seguinte, ou até no mesmo dia, um fisioterapeuta já visita a paciente no quarto para orientar e iniciar os primeiros exercícios de movimentação do braço”, explica o fisioterapeuta.
Esse cuidado precoce é essencial para evitar complicações como o linfedema, uma condição que causa inchaço nos braços e que é comum após cirurgias de mama, especialmente em pacientes que passam por esvaziamento axilar e radioterapia. “O melhor tratamento é sempre a prevenção. Quanto antes a paciente iniciar a fisioterapia, maiores são as chances de preservar a amplitude de movimento e prevenir o linfedema”, reforça Dr. Almir Sarri.

Linfedema: controle, prevenção e cuidado contínuo
O linfedema é uma das complicações mais comuns e desafiadoras do pós-tratamento do câncer de mama, principalmente quando é realizada a cirurgia com esvaziamento axilar. Ele ocorre devido ao acúmulo de linfa nos tecidos, geralmente no braço, e pode causar inchaço, dor e limitação dos movimentos, como ocorreu com Priscila Arruda Benevides, paciente do HA, da unidade de Barretos (SP), que foi diagnosticada em janeiro de 2020 com tumor luminal com HER2 positivo na mama direita, e precisou passar por uma mastectomia com esvaziamento axilar.
“Assim que acordei da cirurgia, senti uma forte dor no braço, que continua até hoje, e o braço inchou devido ao esvaziamento da axila. Faço fisioterapia desde a cirurgia, sem deixar um só dia. Graças a isso, tenho todos os movimentos normais, porém, tenho linfedema severo”, declara Priscila.
Não existe cura para o linfedema, mas existe controle. É uma condição crônica, e o mais importante é prevenir e orientar a paciente desde o início. O tratamento envolve drenagem linfática manual, enfaixamento compressivo, exercícios miolinfocinéticos – que são movimentos específicos para ativar o sistema linfático e auxiliar na drenagem e na diminuição do inchaço – e uso de meias ou braçadeiras de compressão. “A fisioterapia é parte essencial da jornada de cura e de qualidade de vida após o câncer de mama”, conclui o fisioterapeuta.
Além da fisioterapia, as terapias alternativas também auxiliam no tratamento de pacientes com linfedema. “As terapias alternativas são, na verdade, terapias complementares, que reforçam o tratamento que já vem sendo realizado. Como exemplos de terapias alternativas, a acupuntura, que de uma maneira bem ampla ajuda a tratar todos os sistemas, os órgãos e a parte muscular, trazendo mais conforto e melhor qualidade de vida para essa paciente com linfedema e os bloqueios para a dor”, explica a médica anestesiologista e especialista em medicina chinesa do Centro Especializado do Hospital de Amor, em Barretos (SP), Dra. Margareth Kath Lucca.
“Este ano, comecei um novo tratamento fisioterapêutico, chamado enfaixamento pontual, que tem dado resultados incríveis. Atualmente, vou uma vez por mês para avaliação: fazem a medição do braço, verificam a pele e fazem hidratação. Hoje, tenho uma vida mais fora do hospital, voltei a nadar, que é algo que amo muito. Mas, infelizmente, o que ainda me atrapalha é a dor, por isso passo com a Dra. Margareth, para fazer o bloqueio de dor”, conta a paciente.

“Os bloqueios que fazemos com anestésico local, tem como principal função aliviar e relaxar aquele músculo ou nervo que está sendo contraído ou comprimido, e fazer com que haja um maior fluxo sanguíneo naquele local, resultando na diminuição da dor. E no caso da Priscila, hoje ela é uma nova mulher! Antes, ela chegava aqui com muita dor, e nós começamos a associar as terapias alternativas, a acupuntura com eletroestimulação nos feixes que estavam comprometendo a musculatura do peitoral menor e peitoral maior, e mesmo fazendo a acupuntura com eletroestimulação, ela sempre sentia ainda uma dor, então associávamos o bloqueio do supraescapular, de outros pontos mais doloridos e do músculo. Com isso, ela sentiu um alívio maior e conseguimos controlar a dor”, explica a médica.
O câncer muda a vida da pessoa que está com a doença. Talvez fiquem sequelas, a pessoa pode sentir dificuldade ou até mesmo ficar impossibilitada de fazer atividades que eram rotineiras antes, como estender uma roupa no varal, arear uma panela ou até mesmo trabalhar, como foi o caso de Priscila, que precisou se aposentar por invalidez, pois era professora do fundamental.
Mesmo com a vida mudando completamente, Priscila continua muito grata e mantém a alegria em viver. “Sou grata a Deus, ao Hospital de Amor e a toda equipe médica e multidisciplinar, que me acolheu com tanto carinho, amor, dedicação e paciência. Agradeço a Deus por ter me sustentado até aqui, por me dar força e ânimo, e por não tirar de mim o sorriso e a alegria de viver.”
Grupo terapêutico de fisioterapia
Para fortalecer ainda mais esse cuidado, o Hospital de Amor criou um grupo terapêutico de fisioterapia voltado a mulheres que convivem com as sequelas do tratamento do câncer de mama, especialmente o linfedema. Na unidade de Barretos (SP), esse trabalho é desenvolvido há mais de 20 anos, e foi levado para outras unidades, como no Diretório Moderno em Reabilitação (DREAM), do Hospital de Amor Amazônia, em Porto Velho (RO).
“O grupo terapêutico é formado por mulheres que compartilham o mesmo diagnóstico de câncer de mama, que já passaram por mastectomia e convivem com o linfedema. O grupo promove acolhimento, incentivo mútuo e fortalecimento emocional, em um ambiente onde uma inspira a outra a seguir firme no processo de reabilitação fisioterapêutica”, explica a fisioterapeuta do DREAM, do HA Amazônia, Daiane Cavalcante.
Marly Calixto participou do grupo terapêutico de fisioterapia do DREAM, do HA Amazônia, e destaca a importância dele na recuperação, principalmente porque une pacientes que têm as mesmas sequelas. “É sabido que o linfedema crônico não tem cura, e poder participar do grupo foi maravilho, pois todas têm as mesmas sequelas e o grupo ajudou muito, principalmente em trocas de experiências, e uma sempre apoiando a outra”, declara Marly.
Durante as sessões, além do fortalecimento emocional, o foco principal é a reabilitação física e funcional das pacientes. O tratamento inclui:
– Atendimento fisioterapêutico direcionado às disfunções motoras, com o objetivo de gerar maior aumento de amplitude de movimentos;
– Terapia manual e drenagem linfática para alívio da dor e diminuição do inchaço;
– Controle do linfedema com eletroterapia e aplicação de linfotaping;
– Treinamento com robótica também é um diferencial no tratamento. Quando indicado, as pacientes utilizam o Armeo Spring, um sistema de reabilitação robótica para membros superiores, que auxilia no ganho de força, amplitude e coordenação motora.
A união entre o atendimento clínico e o cuidado emocional mostra que reabilitar vai muito além do movimento físico. “Nosso trabalho ajuda a diminuir o medo do desuso do braço, promove mobilidade, força e autoconfiança. Cada conquista é um passo a mais rumo à superação”, destaca Daiane.


Outubro é marcado por várias campanhas do “Outubro Rosa”, com o objetivo de conscientizar a população sobre a prevenção do câncer de mama. Em parceria com o Instituto Sociocultural do Hospital de Amor, a unidade de negócios da Azul realiza, todos os anos, um concurso para as pacientes do HA que fazem tratamento de câncer de mama.
No último dia 15 de outubro, foi realizada a cerimônia oficial da oitava edição desse projeto, que tem como público-alvo mulheres acima de 18 anos que fazem tratamento há pelo menos dois anos nas unidades de Barretos (SP), Jales (SP), Fernandópolis (SP), Palmas (TO) ou Porto Velho (RO).
Com essa ação, as instituições buscam incentivar as pacientes a escreverem suas histórias, evidenciando momentos, situações e sentimentos que lhes trouxeram força e coragem a partir do diagnóstico de câncer de mama, além de estimular outras mulheres que enfrentam a mesma realidade. Para a premiação, três cartas foram escolhidas, e cada paciente ganhou uma viagem com direito a passagem aérea, hospedagem e café da manhã, para ela e um acompanhante.

A cerimônia contou com a presença especial dos Palhaços da Alegria, do Instituto Sociocultural, que apresentaram a esquete “O Tubo Rosa”, com o objetivo de esclarecer fake news e reforçar a importância da prevenção. Além dos profissionais da instituição, participaram representantes das duas organizações, as vencedoras e seus acompanhantes. O mastologista do Hospital de Amor, Dr. Idam de Oliveira Jr., destacou a importância da prevenção e do diagnóstico precoce. “A restrição de acesso a exames preventivos continua sendo um grave problema de saúde pública, porém, é fundamental continuarmos alertando e conscientizando a população sobre o câncer de mama. A campanha ‘Outubro Rosa’ é a continuidade de um trabalho que precisa ser realizado durante todo o ano”, afirmou o especialista.
Após momentos de descontração e informação, a cerimonialista responsável pelo evento, Luciana Gomes, emocionou o público ao compartilhar seu depoimento pessoal. Natural de Barretos (SP), Luciana era apresentadora de um programa do Hospital de Amor e relembrou um episódio marcante de sua vida. “Eu fiz uma entrevista sobre câncer de mama e, após a gravação, chorei muito e me senti hipócrita por nunca ter feito uma mamografia. Então, comecei a realizá-la anualmente e, em um desses exames, fui diagnosticada com câncer de mama na fase inicial”. Ela finalizou seu relato destacando que, quando descoberto precocemente, o tratamento pode ser rápido e menos invasivo.
Representantes da Azul Viagens também estiveram presentes no evento. A gerente geral de pessoas da Azul, Talita Nantes, destacou a emoção das histórias. “As cartas tocam a nossa alma e inspiram essa ação. Sou muito grata por essa parceria”. Já a gerente comercial da Azul Viagens, Alessandra Castro, ressaltou a importância do apoio da empresa ao concurso desde sua criação. “Quando falamos de viagens, falamos de sonhos. Para a Azul Viagens, fazer parte dessa ação é um privilégio e um grande sonho”.
Das 16 cartas recebidas, três foram selecionadas e premiadas com pacotes completos de viagens, oferecidos pela Azul Viagens. Durante a premiação, as ganhadoras compartilharam brevemente suas experiências com o público.

Em terceiro lugar, a carta da paciente Teresa Marina Gonçalves Aziz, natural de Olímpia (SP), foi escolhida. Ganhadora de uma viagem para Porto de Galinhas (PE), ela relatou sua história de forma breve e emotiva: “Quando recebi o diagnóstico de câncer, estava em plena pandemia da COVID-19. Foi muito difícil, pois praticamente as portas estavam fechadas e todos sentiam medo do que viria pela frente. Quando consegui uma consulta de encaixe no HA e a cirurgia foi marcada, senti que as portas voltaram a se abrir para mim. Aqui no Hospital de Amor, eu falo que existe um portal, um portal de anjos”.
Leia a carta da paciente Teresa Aziz.

De Severínia (SP), Idalina Aparecida Leite Palácios ficou em segundo lugar e vai desfrutar de uma viagem para Natal (RN). Ela compartilhou sua trajetória e o detalhamento do tratamento: “A gente tem muitos amigos… Durante o tratamento, tive apoio de amigos em Brasília (DF); casa para morar junto com minha neta e meu esposo, e aqui em Barretos (SP) não foi diferente, meus amigos daqui me acolheram muito. No Hospital de Amor, também tive esse acolhimento. Os médicos são maravilhosos, as enfermeiras também, e tem uma farmacêutica que me trata com muito carinho. A gente precisa de acolhimento, né? Independentemente da doença, acho que todos nós precisamos. Para mim, esse carinho tem sido fundamental para me levantar todos os dias”.
Leia a carta da paciente Idalina Palácios.

Em primeiro lugar, ficou a paciente Rosaly Cristina Campos dos Santos Borges, de Rio Verde (GO). Acompanhada pela mãe, ela compartilhou seu depoimento especial: “Eu quis vir para o Hospital de Amor, porque já tinha ouvido falar de Barretos por amigos e pessoas próximas. Diziam que aqui eu teria uma possibilidade de cura e um tratamento digno. Quando cheguei, meu estado de saúde estava muito crítico, mas os profissionais da instituição me acolheram. Eles foram uma bênção na minha vida, porque, se não tivessem me acolhido, eu não estaria mais aqui”.
Leia a carta da paciente Rosaly Borges.
Parceria
Unidos desde 2017, a Azul realiza, além desse concurso, outras ações que auxiliam os pacientes do Hospital de Amor e promovem mais qualidade e humanização em seus tratamentos, entre elas a ‘Conexão Azul Rosa’ e o programa ‘Voando Alto’.
A ‘Conexão Azul Rosa’ proporciona às mulheres diagnosticadas com câncer de mama, vindas de diversas regiões do Brasil, a oportunidade de chegar a um centro especializado de tratamento com o conforto e agilidade que uma viagem aérea pode oferecer.
Já o programa ‘Voando Alto’ é um voluntariado corporativo no qual o time da Azul Linhas Aéreas, formado por pilotos e aeromoças, conversa com crianças e adolescentes que fazem tratamento oncológico na unidade infantojuvenil do Hospital de Amor, em Barretos (SP). O objetivo é compartilhar experiências da profissão e despertar sonhos, além de realizar brincadeiras educativas e visitas institucionais.