
Há certas notícias que chegam sem pedir licença em nossas vidas; elas têm o poder de trazer confronto na rotina como um vendaval que desarruma todas as certezas. Quase como uma forte e inesperada chuva de verão, que costuma fazer muitos estragos. Para a jovem arquiteta Priscila Forcel, de Itápolis, no interior de São Paulo, essa tempestade veio em janeiro de 2022. Aos 27 anos, ela se viu diante de um diagnóstico que ninguém espera: o câncer do colo do útero.
O Hospital de Amor, em Barretos (SP), não surgiu em sua vida por acaso; surgiu como um porto seguro após um exame de rotina, o Papanicolaou, que Priscila realizou durante uma campanha municipal. Ali, a arquiteta, acostumada a traçar linhas para desenvolver suas plantas de construção, viu na ciência, ao lado da fé, uma nova história em sua vida.
“No início, senti medo, confusão e revolta”, confessa a jovem, hoje com 30 anos. É a reação humana, o primeiro degrau do enfrentamento. Mas, para ela, o diagnóstico não foi um ponto final, e sim uma ‘virada de chave’. Onde muitos veem o abismo, a arquiteta buscou os alicerces de sua fé. “Entendi que Deus iria me fortalecer e tirar algo de bom daquela situação. O diagnóstico foi doloroso, mas o Senhor me sustentou quando eu não tinha forças”, revela.
Nesse processo de tratamento e cura, a paciente descobriu que o Hospital de Amor faz jus ao nome que carrega. Para além da excelência técnica e dos equipamentos de ponta, o que a marcou foi o olhar. Ela descreve uma medicina que não se limita a tratar o tumor, mas que se ocupa da alma, do emocional e da esperança de quem está no leito.
Um tempo para desacelerar
A mulher que antes vivia no ‘automático’, como tantos de nós, abarrotados pela urgência do mundo, encontrou no tratamento uma nova ‘passada’ para o tempo. Priscila redescobriu o prazer nas mãos. Ela encontrou no crochê e na pintura, cores para aguardar durante os atendimentos, para colocar os pensamentos em ordem. Na fotografia, viu a oportunidade de criar memórias infinitas, e na cozinha, aprendeu mais sobre o poder da comunhão no convívio familiar. “Aprendi que o tempo é precioso e que a vida é um presente diário”, diz ela. O câncer, em sua visão, foi um processo de renascimento.
O futuro está logo ali
Longe de se deixar entristecer, a mestra em Engenharia Urbana projeta o amanhã com a fé de quem conhece bem o terreno onde pisa. Seu maior sonho? Conseguir transformar sua experiência pessoal em motivação para produzir conhecimento que mude realidades de fato.
Para as mulheres que hoje recebem a notícia que ela recebeu há três anos, o conselho de Priscila é direto e carregado de uma serenidade conquistada com lágrimas e muita resiliência: “O câncer não é um castigo, nem o fim da história. Ele é um processo, e processos passam”.
Ao falar da equipe que a atendeu em Barretos, a emoção transborda. Os olhos brilham de gratidão. Para Priscila, a equipe que cuidou dela são “anjos por toda parte” e “respostas de oração”. Na ‘planta’ da cura desenhada por ela, o Hospital de Amor é mais que um hospital; é o lugar onde a ciência de ponta se curva diante do milagre da dedicação e o amor ao próximo.
Priscila Kauana Barelli Forcel sobreviveu. Mais do que isso: ela aprendeu a viver com presença. E, em sua história, a arquitetura da vida revelou-se muito mais bela e resistente do que qualquer estrutura de concreto. “Meu maior sonho é seguir como pesquisadora, produzir conhecimento que ajude a transformar realidades e, ao mesmo tempo, viver uma vida com propósito, saúde e fé. Quero usar tudo o que vivi, inclusive o câncer, como combustível para fazer algo maior”. É com estas palavras que Priscila nos encoraja a continuar salvando vidas!


Após cinco anos, a equipe do Hospital de Amor recebeu o procurador do Ministério Público do Trabalho, Dr. Ronaldo de Lira, para apresentar os principais resultados do desenvolvimento do projeto ‘Pesquisa, Prevenção e Educação em Câncer relacionado ao Trabalho nas Regiões de Campinas e Interior do Estado de São Paulo’, que foi possibilitado pela destinação de aproximadamente R$ 70 milhões feita pelo MPT da 15ª região de Campinas. A verba foi oriunda do dano moral coletivo advindo do acordo judicial firmado entre o órgão e as empresas Raízen S.A (antiga Shell Química) e Basf S.A.
A doação possibilitou ao HA a construção e estruturação do Centro de Pesquisa em Oncologia Molecular, localizado em Barretos (SP), ampliando as atividades de pesquisa e diagnóstico; a construção do Instituto de Prevenção do HA em Campinas (SP); a ampliação do programa de prevenção em câncer por meio das unidades móveis e o fortalecimento do trabalho de educação realizado pela instituição.
“A cerimônia de prestação de contas foi um marco importante para celebrar, retribuir e agradecer ao MPT de Campinas, na pessoa do Dr. Ronaldo Lira, pela realização deste projeto, deste sonho. Nestes 5 anos, o projeto, transformou a vida de milhares de pacientes, alavancou o conhecimento científico oncológico nacional e permitiu a formação de centenas de profissionais de saúde. Este tremendo impacto, permitiu consolidar o HA como referência de excelência nacional e internacional, não só na Assistência, mas também no Ensino e Pesquisa do câncer. Sobre estes alicerces, iremos construir um futuro melhor para o paciente SUS e, assim, honrar os trabalhadores e familiares do caso Shell/Basf, que infelizmente foram a causa deste processo”, destacou o diretor científico do Instituto de Ensino e Pesquisa do HA, Dr. Rui Manuel Reis.

Estiveram presentes também na cerimônia de prestação de contas, o presidente do Hospital de Amor, Henrique Prata, o Diretor Executivo do Instituto de Ensino e Pesquisa do HA, Dr. Vinicius Vazquez, profissionais e pesquisadores envolvidos com o projeto, além de autoridades e representantes de outras entidades que também beneficiadas pelo MPT.
Quer saber sobre os resultados alcançados nestes cinco anos? Assista o vídeo abaixo:
O Centro de Pesquisa em Oncologia Molecular (CPOM) do Hospital de Amor, ligado ao Instituto de Ensino e Pesquisa (IEP), realizou, nos últimos dias 13 e 14, seu “VII Simpósio Internacional de Oncologia Translacional”, que reuniu cerca de 180 participantes e mais de 100 trabalhos científicos, entre pôsteres e apresentações orais. O evento trouxe para Barretos (SP) vinte palestrantes que são referência no mundo em pesquisas relacionadas à oncologia.

Entre os temas debatidos, estiveram os últimos desenvolvimentos científicos e tecnológicos da área, como a imunoterapia translacional e novos modelos experimentais promissores, entre os quais, o potencial uso terapêutico do vírus da Zika, trazido pela bióloga molecular e geneticista Mayana Zatz, reconhecida internacionalmente pela defesa e pioneirismo no estudo com células-tronco no Brasil. A pesquisadora, que aproveitou a estadia em Barretos para conhecer a estrutura oferecida pelo HA, tanto em pesquisa quanto em assistência, mostrou-se impressionada com a ciência realizada pela instituição e ressaltou a importância de continuar dedicando esforços nesse campo. “Investir em ciência é, absolutamente, essencial. Naturalmente, é mais compreensível quando se investe em ciência aplicada à parte clínica, mas não podemos esquecer da ciência básica. Estar aqui me trouxe uma visão extremamente otimista sobre como é possível fazer ciência de primeiro mundo, apesar das dificuldades, e as possibilidades de expandir isso”.
Para o diretor executivo e científico do IEP e coordenador do CPOM, Dr. Rui Reis, a participação de palestrantes que apresentaram suas próprias experiências e resultados em temas altamente relevantes dentro da oncologia translacional, que faz a ponte entre a pesquisa básica e sua aplicação clínica, foi o grande diferencial do evento, além da descentralização do conhecimento que, no Brasil, acaba de restringindo aos grandes centros e capitais. “O simpósio, em sua sétima edição, tem gerado vários frutos e parcerias nacionais e internacionais entre os centros de referência de todo o mundo, o que traz, consequentemente, mais know-how e expertise para os grupos envolvidos. Acima de tudo, cria-se uma cultura científica com um alto padrão de excelência, que leva certamente ao crescimento de todos”.
O evento se encerrou com a promessa de uma próxima edição para 2021, que deverá acontecer novamente no mês de setembro.
Confira também o vídeo sobre o encontro:

O Centro de Pesquisa em Oncologia Molecular (CPOM), ligado ao Instituto de Ensino e Pesquisa (IEP) do Hospital de Amor, realizou, entre os dias 22 e 26 de julho, a quinta edição do Curso de Inverno em Oncologia Molecular (CIOM), que recebe anualmente 60 alunos de graduação e mestrado de todo o Brasil, interessados em conhecer as linhas de pesquisa, pós-graduação e projetos realizados na instituição. O intuito é permitir o contato mais próximo destes alunos com toda a estrutura de ciência, ensino e pesquisa do HA.
O curso intensivo oferece conteúdos sobre oncologia e biologia molecular, por meio de aulas e palestras com pesquisadores do HA, que também ficam disponíveis para atender aos participantes durante todo o decorrer do evento. Segundo a integrante da comissão organizadora do CIOM, Flávia Fernandes, neste ano, o curso foi pensado para tornar a ciência mais próxima da realidade dos estudantes, com palestras que foram na aplicação da pesquisa na prática clínica. “Nós trouxemos temas como câncer hereditário e imunoterapia, que foram apresentados por médicos oncologistas da instituição. Com isso, os alunos conseguiram ver, de fato, o impacto e importância da pesquisa e como ela muda a vida dos pacientes. Além de conhecerem um pouco da rotina do hospital, que se equipara aos melhores do mundo”.
Outra novidade deste ano foi a utilização de um aplicativo que propiciou um maior envolvimento dos alunos, que puderam compartilhar opiniões, tirar suas dúvidas e também votar sobre a qualidade das atividades de forma anônima em tempo real. A intenção, de acordo com a comissão organizadora, foi criar um ambiente mais confortável de interação. “Percebemos que os alunos mais introvertidos puderam também ter voz e participar das discussões, em um espaço onde ficaram bastante à vontade para elogiar, criticar e perguntar ao final de cada palestra. O aplicativo realmente trouxe contribuições relevantes que talvez não teriam surgido sem ele”, ressaltou Flávia.
Muitos dos atuais pesquisadores e discentes do programa de pós-graduação do HA passaram pelo Curso de Inverno em Oncologia Molecular em edições passadas, o que serve de incentivo aos futuros alunos e contribui para a divulgação e avanço da pesquisa instituição.


No último dia 28 dezembro de 2018, o Hospital de Amor deu um grande passo tecnológico, um avanço em ciência e desenvolvimento ao criar o ‘Centro de Inovação em Tecnologias para a Oncologia 4.0’ – projeto nomeado smartAMOR, que permitirá maior agilidade no atendimento, diagnóstico e tratamento dos pacientes oncológicos por meio da integração de dados em prontuários eletrônicos e da patologia digital, que faz uso de Inteligência Artificial para otimizar a integração e operacionalização em larga escala.
Financiado pelo Ministério da Saúde, através do Departamento do Complexo Industrial e Inovação da Saúde (DECIIS), e coordenado pelo Instituto de Ensino e Pesquisa (IEP) do Hospital de Amor, o projeto conta com as parcerias da Escola Politécnica da USP (Poli-USP), por meio da Gestão e Automação em TI (GAESI), e do Instituto e Tecnologia de Software (ITS). A cerimônia de lançamento do smartAMOR teve a participação do presidente do HA, Henrique Prata, do então Ministro da Saúde, Gilberto Occhi, e de outras autoridades.
Para Prata, a criação do centro é um marco na história da instituição e um avanço muito importante em ciência e tecnologia. “Sempre foi um sonho do meu pai que o hospital oferecesse para o paciente muito além do tratamento do câncer, abrangendo áreas como prevenção e pesquisa. E hoje, cada vez mais, eu consigo ver o quanto dar esses passos é realmente é importante. É uma alegria e um orgulho muito grande pra mim saber que estamos indo no caminho certo”.

Benefícios
O modelo de oncologia 4.0 irá agilizar a tomada de decisões nos pontos de atendimento aos pacientes, possibilitando a intervenção precoce e a cura de lesões. Sem tratamento imediato e de baixo custo, as chances de cura são reduzidas e têm um grande impacto financeiro no Sistema Único de Saúde (SUS). Com a implantação do centro, a rede de cuidados do Hospital de Amor (5 hospitais, 11 unidades fixas de prevenção e 18 unidades móveis para fazer rastreamento oncológico) e as outras instituições envolvidas no projeto irão atuar de maneira inter e multidisciplinar.
O smartAMOR contará com três núcleos temáticos: Integração, Imagem e Ômica (análise global dos sistemas biológicos), com distintos projetos dentro de cada um deles. “ A revolução 4.0, que prevê cruzar os limites entre o mundo digital, físico e biológico, também está se materializando no âmbito da saúde, com a convergência tecnológica de universos como a internet das coisas, inteligência artificial, big data e realidade aumentada. A Saúde 4.0 engloba a digitalização de dados, a interconectividade entre máquinas e comandos, bancos de dados mais eficientes e, principalmente, uma maior autonomia dos pacientes em relação à própria saúde”, afirmou o diretor executivo e científico do IEP, Dr. Rui Manuel Reis.
Durante a solenidade, Gilberto Occhi realizou um dos últimos atos como ministro da saúde e assinou um convênio de R$ 28 milhões para a implantação do Centro de Inovação em Tecnologia. “Assino, no último dia de gestão, essa parceria para o desenvolvimento da ciência e da tecnologia. Será o início da grande mudança que ajudará a saúde. Com esse projeto, teremos capacidade para armazenar as informações necessárias que irão contribuir com os tratamentos. O trabalho que é desenvolvido no Hospital de Amor traz esperança, e eu creio que é o amor e a fé que os movem. Eu já lutei contra o câncer e gostaria de ter tido o apoio desse hospital. Aqui é diferente, é especial. Foi uma grande honra poder contribuir. Desejo um grande ano para toda essa equipe”, declarou Occhi.

De acordo com o coordenador do GAESI, Eduardo Mário Dias, a implantação do smartAMOR é importante não só para o Hospital de Amor, mas para todo o país, pois representa uma revolução positiva no SUS. Trata-se de uma inovação mundial e, por isso, é necessária muita precisão em sua aplicação. “Vai ser um desafio muito grande integrar a base de dados de diversos setores, mas nós vamos trazer o conhecimento de outras áreas. Ao todo, são 12 profissionais da USP envolvidos no projeto, além da minha participação acadêmica e de outro professor. Agradeço à equipe do HA por nos permitir desenvolver algo tão importante, com esse grau de ousadia”, contou.
Tecnologia
Para o gerente do departamento de Tecnologia da Informação (TI) do Hospital de Amor, Luís Alexandre Covello, o projeto irá possibilitar que a instituição continue evoluindo na busca por conhecimento na luta contra o câncer. “Só para termos uma ideia da importância do smartAMOR: em 2005, quando o Hospital ainda dava seus primeiros passos na área de informática, nós tínhamos 2 equipamentos dessa ‘camada’ que vamos ter em 2019, ou seja, eram 2 servidores para sustentar 300 pontos de rede. Agora, contamos com mais de 30 servidores e 300 pontos de rede, com infraestrutura e de maneira integrada. Esses 14 anos de crescimento da TI (que também acompanha a evolução do HA) mostram o valor do projeto e dessa revolução”, finalizou Covello.
A estimativa é de que o smartAMOR inicie suas atividades após a instalação de toda a infraestrutura de tecnologia e da implementação da patologia digital de milhares de exames realizados anualmente.


Há certas notícias que chegam sem pedir licença em nossas vidas; elas têm o poder de trazer confronto na rotina como um vendaval que desarruma todas as certezas. Quase como uma forte e inesperada chuva de verão, que costuma fazer muitos estragos. Para a jovem arquiteta Priscila Forcel, de Itápolis, no interior de São Paulo, essa tempestade veio em janeiro de 2022. Aos 27 anos, ela se viu diante de um diagnóstico que ninguém espera: o câncer do colo do útero.
O Hospital de Amor, em Barretos (SP), não surgiu em sua vida por acaso; surgiu como um porto seguro após um exame de rotina, o Papanicolaou, que Priscila realizou durante uma campanha municipal. Ali, a arquiteta, acostumada a traçar linhas para desenvolver suas plantas de construção, viu na ciência, ao lado da fé, uma nova história em sua vida.
“No início, senti medo, confusão e revolta”, confessa a jovem, hoje com 30 anos. É a reação humana, o primeiro degrau do enfrentamento. Mas, para ela, o diagnóstico não foi um ponto final, e sim uma ‘virada de chave’. Onde muitos veem o abismo, a arquiteta buscou os alicerces de sua fé. “Entendi que Deus iria me fortalecer e tirar algo de bom daquela situação. O diagnóstico foi doloroso, mas o Senhor me sustentou quando eu não tinha forças”, revela.
Nesse processo de tratamento e cura, a paciente descobriu que o Hospital de Amor faz jus ao nome que carrega. Para além da excelência técnica e dos equipamentos de ponta, o que a marcou foi o olhar. Ela descreve uma medicina que não se limita a tratar o tumor, mas que se ocupa da alma, do emocional e da esperança de quem está no leito.
Um tempo para desacelerar
A mulher que antes vivia no ‘automático’, como tantos de nós, abarrotados pela urgência do mundo, encontrou no tratamento uma nova ‘passada’ para o tempo. Priscila redescobriu o prazer nas mãos. Ela encontrou no crochê e na pintura, cores para aguardar durante os atendimentos, para colocar os pensamentos em ordem. Na fotografia, viu a oportunidade de criar memórias infinitas, e na cozinha, aprendeu mais sobre o poder da comunhão no convívio familiar. “Aprendi que o tempo é precioso e que a vida é um presente diário”, diz ela. O câncer, em sua visão, foi um processo de renascimento.
O futuro está logo ali
Longe de se deixar entristecer, a mestra em Engenharia Urbana projeta o amanhã com a fé de quem conhece bem o terreno onde pisa. Seu maior sonho? Conseguir transformar sua experiência pessoal em motivação para produzir conhecimento que mude realidades de fato.
Para as mulheres que hoje recebem a notícia que ela recebeu há três anos, o conselho de Priscila é direto e carregado de uma serenidade conquistada com lágrimas e muita resiliência: “O câncer não é um castigo, nem o fim da história. Ele é um processo, e processos passam”.
Ao falar da equipe que a atendeu em Barretos, a emoção transborda. Os olhos brilham de gratidão. Para Priscila, a equipe que cuidou dela são “anjos por toda parte” e “respostas de oração”. Na ‘planta’ da cura desenhada por ela, o Hospital de Amor é mais que um hospital; é o lugar onde a ciência de ponta se curva diante do milagre da dedicação e o amor ao próximo.
Priscila Kauana Barelli Forcel sobreviveu. Mais do que isso: ela aprendeu a viver com presença. E, em sua história, a arquitetura da vida revelou-se muito mais bela e resistente do que qualquer estrutura de concreto. “Meu maior sonho é seguir como pesquisadora, produzir conhecimento que ajude a transformar realidades e, ao mesmo tempo, viver uma vida com propósito, saúde e fé. Quero usar tudo o que vivi, inclusive o câncer, como combustível para fazer algo maior”. É com estas palavras que Priscila nos encoraja a continuar salvando vidas!


Após cinco anos, a equipe do Hospital de Amor recebeu o procurador do Ministério Público do Trabalho, Dr. Ronaldo de Lira, para apresentar os principais resultados do desenvolvimento do projeto ‘Pesquisa, Prevenção e Educação em Câncer relacionado ao Trabalho nas Regiões de Campinas e Interior do Estado de São Paulo’, que foi possibilitado pela destinação de aproximadamente R$ 70 milhões feita pelo MPT da 15ª região de Campinas. A verba foi oriunda do dano moral coletivo advindo do acordo judicial firmado entre o órgão e as empresas Raízen S.A (antiga Shell Química) e Basf S.A.
A doação possibilitou ao HA a construção e estruturação do Centro de Pesquisa em Oncologia Molecular, localizado em Barretos (SP), ampliando as atividades de pesquisa e diagnóstico; a construção do Instituto de Prevenção do HA em Campinas (SP); a ampliação do programa de prevenção em câncer por meio das unidades móveis e o fortalecimento do trabalho de educação realizado pela instituição.
“A cerimônia de prestação de contas foi um marco importante para celebrar, retribuir e agradecer ao MPT de Campinas, na pessoa do Dr. Ronaldo Lira, pela realização deste projeto, deste sonho. Nestes 5 anos, o projeto, transformou a vida de milhares de pacientes, alavancou o conhecimento científico oncológico nacional e permitiu a formação de centenas de profissionais de saúde. Este tremendo impacto, permitiu consolidar o HA como referência de excelência nacional e internacional, não só na Assistência, mas também no Ensino e Pesquisa do câncer. Sobre estes alicerces, iremos construir um futuro melhor para o paciente SUS e, assim, honrar os trabalhadores e familiares do caso Shell/Basf, que infelizmente foram a causa deste processo”, destacou o diretor científico do Instituto de Ensino e Pesquisa do HA, Dr. Rui Manuel Reis.

Estiveram presentes também na cerimônia de prestação de contas, o presidente do Hospital de Amor, Henrique Prata, o Diretor Executivo do Instituto de Ensino e Pesquisa do HA, Dr. Vinicius Vazquez, profissionais e pesquisadores envolvidos com o projeto, além de autoridades e representantes de outras entidades que também beneficiadas pelo MPT.
Quer saber sobre os resultados alcançados nestes cinco anos? Assista o vídeo abaixo:
O Centro de Pesquisa em Oncologia Molecular (CPOM) do Hospital de Amor, ligado ao Instituto de Ensino e Pesquisa (IEP), realizou, nos últimos dias 13 e 14, seu “VII Simpósio Internacional de Oncologia Translacional”, que reuniu cerca de 180 participantes e mais de 100 trabalhos científicos, entre pôsteres e apresentações orais. O evento trouxe para Barretos (SP) vinte palestrantes que são referência no mundo em pesquisas relacionadas à oncologia.

Entre os temas debatidos, estiveram os últimos desenvolvimentos científicos e tecnológicos da área, como a imunoterapia translacional e novos modelos experimentais promissores, entre os quais, o potencial uso terapêutico do vírus da Zika, trazido pela bióloga molecular e geneticista Mayana Zatz, reconhecida internacionalmente pela defesa e pioneirismo no estudo com células-tronco no Brasil. A pesquisadora, que aproveitou a estadia em Barretos para conhecer a estrutura oferecida pelo HA, tanto em pesquisa quanto em assistência, mostrou-se impressionada com a ciência realizada pela instituição e ressaltou a importância de continuar dedicando esforços nesse campo. “Investir em ciência é, absolutamente, essencial. Naturalmente, é mais compreensível quando se investe em ciência aplicada à parte clínica, mas não podemos esquecer da ciência básica. Estar aqui me trouxe uma visão extremamente otimista sobre como é possível fazer ciência de primeiro mundo, apesar das dificuldades, e as possibilidades de expandir isso”.
Para o diretor executivo e científico do IEP e coordenador do CPOM, Dr. Rui Reis, a participação de palestrantes que apresentaram suas próprias experiências e resultados em temas altamente relevantes dentro da oncologia translacional, que faz a ponte entre a pesquisa básica e sua aplicação clínica, foi o grande diferencial do evento, além da descentralização do conhecimento que, no Brasil, acaba de restringindo aos grandes centros e capitais. “O simpósio, em sua sétima edição, tem gerado vários frutos e parcerias nacionais e internacionais entre os centros de referência de todo o mundo, o que traz, consequentemente, mais know-how e expertise para os grupos envolvidos. Acima de tudo, cria-se uma cultura científica com um alto padrão de excelência, que leva certamente ao crescimento de todos”.
O evento se encerrou com a promessa de uma próxima edição para 2021, que deverá acontecer novamente no mês de setembro.
Confira também o vídeo sobre o encontro:

O Centro de Pesquisa em Oncologia Molecular (CPOM), ligado ao Instituto de Ensino e Pesquisa (IEP) do Hospital de Amor, realizou, entre os dias 22 e 26 de julho, a quinta edição do Curso de Inverno em Oncologia Molecular (CIOM), que recebe anualmente 60 alunos de graduação e mestrado de todo o Brasil, interessados em conhecer as linhas de pesquisa, pós-graduação e projetos realizados na instituição. O intuito é permitir o contato mais próximo destes alunos com toda a estrutura de ciência, ensino e pesquisa do HA.
O curso intensivo oferece conteúdos sobre oncologia e biologia molecular, por meio de aulas e palestras com pesquisadores do HA, que também ficam disponíveis para atender aos participantes durante todo o decorrer do evento. Segundo a integrante da comissão organizadora do CIOM, Flávia Fernandes, neste ano, o curso foi pensado para tornar a ciência mais próxima da realidade dos estudantes, com palestras que foram na aplicação da pesquisa na prática clínica. “Nós trouxemos temas como câncer hereditário e imunoterapia, que foram apresentados por médicos oncologistas da instituição. Com isso, os alunos conseguiram ver, de fato, o impacto e importância da pesquisa e como ela muda a vida dos pacientes. Além de conhecerem um pouco da rotina do hospital, que se equipara aos melhores do mundo”.
Outra novidade deste ano foi a utilização de um aplicativo que propiciou um maior envolvimento dos alunos, que puderam compartilhar opiniões, tirar suas dúvidas e também votar sobre a qualidade das atividades de forma anônima em tempo real. A intenção, de acordo com a comissão organizadora, foi criar um ambiente mais confortável de interação. “Percebemos que os alunos mais introvertidos puderam também ter voz e participar das discussões, em um espaço onde ficaram bastante à vontade para elogiar, criticar e perguntar ao final de cada palestra. O aplicativo realmente trouxe contribuições relevantes que talvez não teriam surgido sem ele”, ressaltou Flávia.
Muitos dos atuais pesquisadores e discentes do programa de pós-graduação do HA passaram pelo Curso de Inverno em Oncologia Molecular em edições passadas, o que serve de incentivo aos futuros alunos e contribui para a divulgação e avanço da pesquisa instituição.


No último dia 28 dezembro de 2018, o Hospital de Amor deu um grande passo tecnológico, um avanço em ciência e desenvolvimento ao criar o ‘Centro de Inovação em Tecnologias para a Oncologia 4.0’ – projeto nomeado smartAMOR, que permitirá maior agilidade no atendimento, diagnóstico e tratamento dos pacientes oncológicos por meio da integração de dados em prontuários eletrônicos e da patologia digital, que faz uso de Inteligência Artificial para otimizar a integração e operacionalização em larga escala.
Financiado pelo Ministério da Saúde, através do Departamento do Complexo Industrial e Inovação da Saúde (DECIIS), e coordenado pelo Instituto de Ensino e Pesquisa (IEP) do Hospital de Amor, o projeto conta com as parcerias da Escola Politécnica da USP (Poli-USP), por meio da Gestão e Automação em TI (GAESI), e do Instituto e Tecnologia de Software (ITS). A cerimônia de lançamento do smartAMOR teve a participação do presidente do HA, Henrique Prata, do então Ministro da Saúde, Gilberto Occhi, e de outras autoridades.
Para Prata, a criação do centro é um marco na história da instituição e um avanço muito importante em ciência e tecnologia. “Sempre foi um sonho do meu pai que o hospital oferecesse para o paciente muito além do tratamento do câncer, abrangendo áreas como prevenção e pesquisa. E hoje, cada vez mais, eu consigo ver o quanto dar esses passos é realmente é importante. É uma alegria e um orgulho muito grande pra mim saber que estamos indo no caminho certo”.

Benefícios
O modelo de oncologia 4.0 irá agilizar a tomada de decisões nos pontos de atendimento aos pacientes, possibilitando a intervenção precoce e a cura de lesões. Sem tratamento imediato e de baixo custo, as chances de cura são reduzidas e têm um grande impacto financeiro no Sistema Único de Saúde (SUS). Com a implantação do centro, a rede de cuidados do Hospital de Amor (5 hospitais, 11 unidades fixas de prevenção e 18 unidades móveis para fazer rastreamento oncológico) e as outras instituições envolvidas no projeto irão atuar de maneira inter e multidisciplinar.
O smartAMOR contará com três núcleos temáticos: Integração, Imagem e Ômica (análise global dos sistemas biológicos), com distintos projetos dentro de cada um deles. “ A revolução 4.0, que prevê cruzar os limites entre o mundo digital, físico e biológico, também está se materializando no âmbito da saúde, com a convergência tecnológica de universos como a internet das coisas, inteligência artificial, big data e realidade aumentada. A Saúde 4.0 engloba a digitalização de dados, a interconectividade entre máquinas e comandos, bancos de dados mais eficientes e, principalmente, uma maior autonomia dos pacientes em relação à própria saúde”, afirmou o diretor executivo e científico do IEP, Dr. Rui Manuel Reis.
Durante a solenidade, Gilberto Occhi realizou um dos últimos atos como ministro da saúde e assinou um convênio de R$ 28 milhões para a implantação do Centro de Inovação em Tecnologia. “Assino, no último dia de gestão, essa parceria para o desenvolvimento da ciência e da tecnologia. Será o início da grande mudança que ajudará a saúde. Com esse projeto, teremos capacidade para armazenar as informações necessárias que irão contribuir com os tratamentos. O trabalho que é desenvolvido no Hospital de Amor traz esperança, e eu creio que é o amor e a fé que os movem. Eu já lutei contra o câncer e gostaria de ter tido o apoio desse hospital. Aqui é diferente, é especial. Foi uma grande honra poder contribuir. Desejo um grande ano para toda essa equipe”, declarou Occhi.

De acordo com o coordenador do GAESI, Eduardo Mário Dias, a implantação do smartAMOR é importante não só para o Hospital de Amor, mas para todo o país, pois representa uma revolução positiva no SUS. Trata-se de uma inovação mundial e, por isso, é necessária muita precisão em sua aplicação. “Vai ser um desafio muito grande integrar a base de dados de diversos setores, mas nós vamos trazer o conhecimento de outras áreas. Ao todo, são 12 profissionais da USP envolvidos no projeto, além da minha participação acadêmica e de outro professor. Agradeço à equipe do HA por nos permitir desenvolver algo tão importante, com esse grau de ousadia”, contou.
Tecnologia
Para o gerente do departamento de Tecnologia da Informação (TI) do Hospital de Amor, Luís Alexandre Covello, o projeto irá possibilitar que a instituição continue evoluindo na busca por conhecimento na luta contra o câncer. “Só para termos uma ideia da importância do smartAMOR: em 2005, quando o Hospital ainda dava seus primeiros passos na área de informática, nós tínhamos 2 equipamentos dessa ‘camada’ que vamos ter em 2019, ou seja, eram 2 servidores para sustentar 300 pontos de rede. Agora, contamos com mais de 30 servidores e 300 pontos de rede, com infraestrutura e de maneira integrada. Esses 14 anos de crescimento da TI (que também acompanha a evolução do HA) mostram o valor do projeto e dessa revolução”, finalizou Covello.
A estimativa é de que o smartAMOR inicie suas atividades após a instalação de toda a infraestrutura de tecnologia e da implementação da patologia digital de milhares de exames realizados anualmente.
