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Oncologia Clínica: A quimioterapia e seus efeitos colaterais

No Hospital de Amor, são realizados mais de 300 procedimentos quimioterápicos por dia.

A quimioterapia é um dos principais tipos de tratamento no combate ao câncer. Trata-se de uma terapia que utiliza medicamentos para destruir as células doentes que formam um tumor. Estes remédios se misturam com o sangue e são levados a todas as partes do corpo, destruindo as células ruins que estão formando a doença e impedindo, também, que elas se espalhem pelo organismo.
Para esclarecer as principais dúvidas sobre a quimioterapia e sua importância na luta contra o câncer, eliminar os mitos envolvendo esse tipo de tratamento e ainda saber mais informações sobre seus efeitos colaterais, o Hospital de Amor traz uma entrevista exclusiva com o oncologista clínico da instituição, Dr. Luís Eduardo Zucca. Confira!

1) Qual é o principal objetivo da quimioterapia no tratamento de câncer?
R.: Existem 4 tipos de tratamento com quimioterapia:
• A quimioterapia neoadjuvante: esse tipo de quimioterapia é utilizado antes de um tratamento curativo para um tumor localizado. Geralmente, faz-se sessões de quimioterapia para tentar a redução do tumor e, assim, no tratamento curativo (seja ele com radioterapia ou cirurgia), o resultado ser mais efetivo e eficaz. Dessa forma, há menos riscos do desenvolvimento de comorbidades (surgimento de outras doenças em simultâneo) para o paciente.

• A quimioterapia adjuvante: utilizada após um tratamento curativo (seja ele em cirurgia ou radioterapia), tem o objetivo de diminuir e tentar matar todas as micrometástases (células cancerígenas se multiplicam num local distante para formar pequenos tumores) que possivelmente possam ter ficado no corpo, diminuindo assim as chances do câncer voltar.

• A quimioterapia paliativa: como o próprio nome diz, serve para paliar (amenizar) os sintomas dos pacientes. Podem ser pacientes que estejam com dor (proporcionando a melhora a deles com o uso da quimioterapia) e, por última instância, para melhorar a sobrevida com medicamentos quimioterápicos paliativos nos casos de pacientes com tumores metastáticos (quando o câncer se espalha além do local de origem para outras partes do corpo).

• A quimioterapia concomitante à radioterapia: nestes casos, a quimioterapia serve como um veículo para aumentar a potência da radioterapia.

2) Ela é indicada para quais tipos de tumores?
R.: A quimioterapia (seja ela neoadjuvante, adjuvante, paliativa ou concomitante à radioterapia) é indicada para a maioria dos tumores malignos.

3) Como é realizado o procedimento?
R.: Existem, basicamente, 2 tipos principais de procedimentos quimioterápicos: a quimioterapia intravenosa (pela veia), na qual o paciente é puncionado por uma veia periférica ou mesmo por um port-a-cath (dispositivo colocado pelo cirurgião dentro de uma veia mais calibrosa – aquelas com maior dilatação – no corpo do paciente); e a quimioterapia injetável, que é feita em ambientes preparados para receber a quimioterapia com um enfermeiro especializado. Geralmente, os pacientes ficam de 30 minutos até 6 horas fazendo quimioterapia intravenosa. Além disso, existem também as quimioterapias administradas por via oral, nas quais o paciente leva para casa os comprimidos orais e ingere de acordo com o esquema quimioterápico que o médico fornece para ele.

4) Existe mais de um tipo de quimioterapia?
R.: Existem vários tipos de quimioterapias, desde as específicas para certo tipo de tumor, até a quimioterapia que nós tratamos para uma variedade de tumores.

5) Existem efeitos colaterais na utilização da quimioterapia? Quais?
R.: As quimioterapias têm alguns efeitos colaterais manejáveis. Dependendo do esquema de quimioterapia que o paciente recebe, podem ocasionar náuseas, vômitos, cansaço, fadiga e baixa energia. A questão central, também dependendo do esquema de quimioterapia, é que geralmente os tratamentos quimioterápicos não matam apenas as células ruins, atingindo células boas que se multiplicam rapidamente (como cabelo e unha). Então, alguns esquemas quimioterápicos podem ocasionar a queda de cabelo e algumas alterações, mas também as células de defesa do nosso corpo. Dessa forma, em alguns casos, elas podem deixar o nosso corpo mais vulnerável a infecções.

6) Quando esses efeitos aparecem, o que é preciso fazer?
R.: Quando qualquer um desses efeitos aparecer é necessário procurar o seu médico e procurar o hospital. Por exemplo, para os pacientes que estão fazendo quimioterapia e têm febre, a primeira recomendação indicada é a procura do Hospital para passar pela avaliação do médico, pois como a quimioterapia também mata as células boas, o corpo fica vulnerável à infecção. Uma vez que o paciente tenha infecção e células de defesa baixa, nós, médicos, precisamos iniciar antibióticos e terapias o mais rápido possível. Mas, existem outros efeitos colaterais também manejáveis, como náuseas, vômitos, fadigas, inclusive queda de cabelo.

7) Qual é o tempo mínimo e qual é o tempo máximo de duração da quimioterapia?
R.: Existem vários tempos de quimioterapia, desde as que duram 15 minutos, como a blaumicina; aquelas que podem durar o dia inteiro, como a cisplatina; ou até a quimioterapia que o paciente vai para casa com um dispositivo e a quimioterapia fica correndo durante 48 horas dentro do seu organismo.

8) O paciente que é submetido a esse tipo de tratamento pode seguir sua rotina de atividades/trabalho normalmente?
R.: Dependendo do tipo de quimioterapia e do esquema quimioterápico, sim, é possível viver normalmente, inclusive trabalhando, estudando, fazendo as atividades diárias. Isso porque, hoje em dia, a maioria dos efeitos colaterais é bastante controlável, porém, sempre é necessário respeitar o próprio corpo.

9) Em média, quais são os custos da quimioterapia?
R.: O custo da quimioterapia também é variável, desde quimioterapias mais baratas, até aquelas que custam de 20 a 30 mil reais por mês.

A quimioterapia é um dos principais tipos de tratamento no combate ao câncer. Trata-se de uma terapia que utiliza medicamentos para destruir as células doentes que formam um tumor.

Desde 2015, o Hospital de Amor conta com um programa de rastreamento para a detecção precoce do câncer colorretal – aquele que acomete o trato digestivo (intestino grosso e reto). De lá para cá, já foram alcançadas 12.723 pessoas, sendo 48 pacientes diagnosticados com esse tipo de tumor.

Conheça mais sobre o câncer colorretal, seus sintomas e saiba como se prevenir.

O que é câncer colorretal?
Os cânceres colorretais são aqueles que acometem o trato digestivo (intestino grosso e reto). Esses tumores são considerados mais passíveis de prevenção, pois a evolução natural deles é bem conhecida pela medicina: eles começam com lesões precursoras, ou seja, lesões pré-malignas (também conhecidas como pólipos) que são detectáveis e que podem ser removidas. Com essas medidas, é possível interromper a progressão da doença. Geralmente, as chamadas ‘lesões precursoras’ não apresentam sintomas (como sangramentos ou dores abdominais), por isso, para identificá-las, é necessário submeter o indivíduo a um rastreamento para prevenir a evolução da doença.

O que são pólipos?
São tumores benignos, parecidos com verrugas, que se desenvolvem na parte interna do cólon e reto. Cerca de 60% dos pólipos do intestino são adenomas e podem apresentar potencial para se tornarem tumores malignos. É importante que o diagnóstico e o tratamento sejam feitos precocemente, principalmente após os 50 anos e em caso de história de câncer colorretal na família.

Colonoscopia: procedimento de vídeo utilizado para visualizar o interior do intestino grosso e a parte final do intestino delgado.

Quais são os sinais e sintomas do câncer colorretal?
Os principais sintomas da doença são: mudança do hábito intestinal, isto é, constipação ou diarreia sem associação com o alimento ingerido; anemia sem causa aparente, principalmente em pessoas com idade acima de 50 anos; fraqueza; desconforto abdominal (com gases ou cólicas); emagrecimento intenso e inexplicável; sangramento pelo reto; e sensação de evacuação incompleta.
Qualquer pessoa que apresentar um desses sintomas deve procurar o médico, principalmente se houver sangramento anal, para que os exames clínicos necessários sejam realizados. Entre os exames estão: realização do toque retal e do exame de colonoscopia (procedimento de vídeo utilizado para visualizar o interior do intestino grosso e a parte final do intestino delgado).

Quais os fatores de risco para o desenvolvimento da doença?
Uma alimentação rica em carnes vermelhas, carnes processadas (como salsichas e mortadelas) e gorduras, além da ausência de atividade física regularmente (como o sedentarismo), ingestão abusiva de álcool, tabagismo, sobrepeso e obesidade, são alguns fatores externos que podem contribuir para o desenvolvimento da doença.
Pessoas com idade superior a 50 anos, ou que já tenham tido pólipos ou doença inflamatória intestinal, ou que tenham histórico de ocorrência de câncer colorretal em familiares, devem ficar atentas aos sinais.

Como se prevenir deste tipo de câncer?
Prevenir significa evitar os fatores que estão relacionados com o desenvolvimento de câncer colorretal. Adotar uma alimentação rica em frutas, verduras e vegetais, evitar o consumo de carnes vermelhas e embutidos, praticar exercício físico, evitar a obesidade, evitar o consumo de bebidas alcoólicas e cigarros, são importantes atitudes de prevenção. Os alimentos ricos em fibras protegem o intestino, pois facilitam a evacuação, aceleram o trânsito intestinal e diminuem o tempo de contato das substâncias carcinogênicas (que levam à formação do câncer) com a parede do intestino.
Refletir sobre os hábitos e estilo de vida é sempre uma forma de se prevenir de qualquer tipo de câncer e conquistar uma vida mais saudável. Confira algumas dicas:
– Praticar exercícios físicos regulares;
– Não fumar;
– Não ingerir bebidas alcóolicas;
– Não ingerir alimentos defumados, enlatados ou embutidos;
– Não ingerir alimentos com corantes e/ou conservantes;
– Se diagnosticado, remover pólipos através do exame de colonoscopia;
– Ingerir alimentos ricos em vitaminas C e E.
Porém, apesar de todos esses cuidados, também é necessário participar dos programas de rastreamento, pois essas medidas não são 100% eficazes. Existem dois exames que podem ser utilizados para rastrear esse tipo de tumor, sendo eles: o teste de imunoquímica fecal (conhecido também como teste FIT ou exame de sangue oculto nas fezes) e a colonoscopia (que é um exame de vídeo para visualizar o interior do intestino grosso e a parte final do intestino delgado). Recomenda-se iniciar o rastreamento a partir dos 50 anos, mas, cabe ao médico indicar qual é a melhor opção de procedimento para cada paciente.

Como é o teste FIT?
Também conhecido como exame de sangue oculto nas fezes, o teste FIT é indicado para um público bem específico: homens e mulheres que tenham entre 50 e 65 anos, que não tenham feito nenhum exame de colonoscopia ou de retossigmoidoscopia nos últimos 5 anos, não tenham nenhum histórico de doença inflamatória intestinal e de pólipos colorretais.
São necessárias três amostras de fezes consecutivas. Alguns dias antes do exame, alguns tipos de alimentos devem ser evitados. Além disso, medicamentos como AAS e anti-inflamatórios não devem ser tomados 7 dias antes do exame, e frutas cítricas e carne vermelha não devem ser consumidas três dias antes do procedimento. Se o resultado para o sangue oculto for positivo, será necessário realizar o exame de colonoscopia.

Como é a colonoscopia?
É um exame realizado por um aparelho de fibra ótica, longo (180 cm) e flexível, que é introduzido através do ânus e permite a visualização completa do reto e do cólon. Essa visualização ocorre por uma câmera inserida na extremidade do colonoscópio, cuja imagem é enviada para um monitor, permitindo assim, a análise simultânea do interior do cólon. O equipamento também permite a inserção de outros instrumentos especiais para a remoção de possíveis pólipos ou biópsias. O exame é feito sob sedação e analgesia, permitindo que o médico examine detalhadamente o cólon. Os riscos do procedimento são pequenos e estão vinculados ao sangramento depois da retirada de pólipos, biópsias e perfuração intestinal.

Como é tratamento para o câncer colorretal?
O tratamento para os tumores iniciais, geralmente, é menos agressivo, com a retirada de pólipos e lesões através da colonoscopia ou das cirurgias com ressecções locais dos tumores.
Nos tumores maiores do cólon, há a necessidade de cirurgia (convencional, laparoscópica ou robótica).
Nos tumores do reto, pode ser necessário realizar procedimentos radioterápicos e quimioterápicos antes da cirurgia.
Em resumo, o tratamento para o câncer colorretal envolve radioterapia, quimioterapia e/ou cirurgia, dependendo do local, do tamanho e da extensão da doença no cólon ou em outros órgãos (no caso de metástases – aparecimento do tumor em outros órgãos, como fígado ou pulmão, por exemplo). Quanto mais precocemente a doença for diagnosticada, menor a agressividade e o tempo de tratamento, proporcionando melhor qualidade de vida ao paciente.

Também conhecido como exame de sangue oculto nas fezes, o teste FIT é indicado para um público bem específico: homens e mulheres que tenham entre 50 e 65 anos, que não tenham feito nenhum exame de colonoscopia ou de retossigmoidoscopia nos últimos 5 anos, não tenham nenhum histórico de doença inflamatória intestinal e de pólipos colorretais.
Presidente do HA, Henrique Prata, e diretor executivo da MSD, Nicolás Villar após a formalização da parceria. Foto: Márcio Oliveira
Dr. Antônio Buzaid, durante a cerimônia de assinatura da parceria. Foto: Márcio Oliveira.

Os milhares de pacientes que realizam tratamento no Hospital de Amor Barretos agora contam com uma nova alternativa de medicação para os tratamentos de cânceres de pulmão e melanoma (tipo mais grave de câncer de pele) em estágios avançados. Graças à parceria firmada com a farmacêutica MSD, a instituição poderá oferecer aos pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) o tratamento com a terapia anti-PD-1, conhecida como pembrolizumabe (Keytruda). O Hospital de Amor é a primeira entidade de saúde pública no Brasil a oferecer a imunoterapia.

A assinatura do termo aconteceu na última segunda-feira, dia 3 de setembro, reunindo médicos, o presidente do Hospital, Henrique Prata, e o diretor-geral do Centro Oncológico “Antônio Ermírio de Moraes” – Beneficência Portuguesa, de São Paulo, e membro do comitê de direção do Centro Oncológico do Hospital Israelita Albert Einstein, Dr. Antônio Buzaid.

De acordo com Buzaid, o tratamento imunoterápico é uma nova alternativa para a quimioterapia, além de possuir efeitos colaterais menores. “Quando aplicamos o Anti-PD-1, estimulamos uma sobrevida no paciente. Por isso, é tão importante investir em pesquisas clínicas para aumentar a receita da instituição e melhorar o tratamento básico. Para nós, o Hospital de Amor é um motivo de muito orgulho”, afirmou.

Para a diretora médica de oncologia da MSD Brasil, Dra. Márcia Datz Abadi, “o pembrolizumabe representa um avanço importante no tratamento do câncer e é um orgulho poder oferecer essa inovação aos pacientes do SUS. Nos sentimos honrados pela parceria e pioneirismo do Hospital de Amor”.

Após essa conquista, o HA poderá facilitar o acesso ao medicamento, acelerar o tratamento e as chances de cura e sobrevida dos pacientes. A estimativa é de que em duas semanas essa alternativa já esteja sendo aplicada na instituição. Segundo Henrique Prata, a assinatura do convênio representa um marco histórico nos mais de 50 anos de trajetória do Hospital e também para a oncologia brasileira. “Todas as pessoas têm direito de ter um tratamento digno. Portanto, temos muito o que comemorar com essa conquista”, declarou.

Embalagem do pembrolizumabe (Keytruda).

Câncer de Pulmão
O câncer de pulmão é considerado o mais comum e letal entre todos os tumores malignos. A estimativa do Instituto Nacional do Câncer (INCA) para este ano é de que 30 mil novos casos sejam diagnosticados no Brasil, sendo o de células não pequenas o mais comum – correspondente a 85% de todos os casos. Estimativas globais apontam que apenas 1% dos pacientes com câncer de pulmão avançado estão vivos, cinco anos após o diagnóstico.

Em junho, o Brasil se tornou o primeiro país do mundo a aprovar, baseado em um estudo de fase 3, o uso combinado de pembrolizumabe e quimioterapia para tratamento de pacientes com câncer de pulmão de células não pequenas (CPNPC) em estágio avançado ou metastático. De acordo com o estudo KEYNOTE-189, publicado no New England Journal of Medicine, o uso de pembrolizumabe associado à quimioterapia (pemetrexede e cisplatina ou carboplatina), quando utilizado em primeira linha de tratamento, reduz em 51% o risco de morte.

Para o oncologista clínico do HA, Dr. Pedro de Marchi, poder oferecer esse medicamento gratuitamente aos pacientes é um motivo de grande alegria. “Sem dúvida, estamos falando de um marco na história do Brasil. Com essa nova alternativa, a sobrevida é de 8 meses a 3 anos”, ressaltou.

O oncologista explica ainda que o Hospital de Amor recebe cerca de 600 novos pacientes com câncer de pulmão, por ano. Desses, 450 irão precisar de tratamento sistêmico. Entre eles, 360 possuem doença metastática. Desses, 320 não têm mutações. “Isso quer dizer que, desses 320 pacientes, 17% apresenta PD-L1 maior que 50% e seriam candidatos a esse tipo de tratamento, o que resultaria em, aproximadamente, 54 pacientes novos por ano”, finalizou Dr. Pedro de Marchi.

Câncer Melanoma
O melanoma é caracterizado pelo crescimento descontrolado de células que compõem a pele. A incidência deste tipo de câncer tem aumentado nas últimas quatro décadas. Só o Brasil registra, anualmente, cerca de 5.500 novos casos da doença e, aproximadamente, 1.547 óbitos, segundo o INCA. Esse tipo de câncer é considerado o mais comum entre jovens adultos, mas também pode ser diagnosticado em crianças, adolescentes e idosos.

De acordo com o estudo Keynote-001, em 655 pacientes com melanoma metastático, 34% de todos eles e 41% dos que não haviam tido qualquer tratamento prévio, permanecem vivos após 5 anos do uso de pembrolizumabe, em uma doença em que a quimioterapia oferecia apenas poucos meses de sobrevida. Já o estudo KEYNOTE-006 mostrou que 42% dos pacientes tratados com pembrolizumabe estavam vivos após quatro anos de diagnóstico.

“É trágico saber que somente pacientes que possuem convênios ou acesso aos atendimentos privados, conseguem ter acesso a esse tipo de tratamento. Agora, pela primeira vez, os pacientes do SUS, atendidos no Hospital de Amor, poderão contar com uma medicação inovadora. É uma luz de esperança para que, em pouco tempo, mais pacientes possam conseguir esta e todas as outras medicações que ainda não estão disponíveis gratuitamente”, declarou o oncologista clínico do HA, Dr. Sérgio Serrano.

O medicamento
O medicamento (pembrolizumabe) já pode ser utilizado no Brasil para o tratamento em primeira linha de melanoma avançado para pacientes com câncer de pulmão avançado, do tipo CPCNP, com expressão elevada ou moderada do biomarcador PD-L1 no tumor (expressão ≥50% ou 1%<49%) e tratamento de câncer urotelial (o mais comum é o câncer de bexiga). Ele também foi aprovado este ano para tratamento de câncer gástrico (o mais comum é o de estômago), após falha de duas terapias prévias.
A imunoterapia anti-PD-1 da MSD está sendo avaliada para mais de 30 tipos de tumores em 790 estudos clínicos. No Brasil, o medicamento está sendo pesquisado em mais de 29 ensaios clínicos, com cerca de 232 instituições envolvidas e mais de 500 pacientes em tratamento.

Representantes da diretoria da farmacêutica MSD com presidente do HA, Henrique Prata. Foto: Márcio Oliveira.

Publicado em 06 de set de 2018   |   Artigos, Destaques, Institucional, Ensino e Pesquisa, Diagnóstico e Tratamento
No Hospital de Amor, são realizados mais de 300 procedimentos quimioterápicos por dia.

A quimioterapia é um dos principais tipos de tratamento no combate ao câncer. Trata-se de uma terapia que utiliza medicamentos para destruir as células doentes que formam um tumor. Estes remédios se misturam com o sangue e são levados a todas as partes do corpo, destruindo as células ruins que estão formando a doença e impedindo, também, que elas se espalhem pelo organismo.
Para esclarecer as principais dúvidas sobre a quimioterapia e sua importância na luta contra o câncer, eliminar os mitos envolvendo esse tipo de tratamento e ainda saber mais informações sobre seus efeitos colaterais, o Hospital de Amor traz uma entrevista exclusiva com o oncologista clínico da instituição, Dr. Luís Eduardo Zucca. Confira!

1) Qual é o principal objetivo da quimioterapia no tratamento de câncer?
R.: Existem 4 tipos de tratamento com quimioterapia:
• A quimioterapia neoadjuvante: esse tipo de quimioterapia é utilizado antes de um tratamento curativo para um tumor localizado. Geralmente, faz-se sessões de quimioterapia para tentar a redução do tumor e, assim, no tratamento curativo (seja ele com radioterapia ou cirurgia), o resultado ser mais efetivo e eficaz. Dessa forma, há menos riscos do desenvolvimento de comorbidades (surgimento de outras doenças em simultâneo) para o paciente.

• A quimioterapia adjuvante: utilizada após um tratamento curativo (seja ele em cirurgia ou radioterapia), tem o objetivo de diminuir e tentar matar todas as micrometástases (células cancerígenas se multiplicam num local distante para formar pequenos tumores) que possivelmente possam ter ficado no corpo, diminuindo assim as chances do câncer voltar.

• A quimioterapia paliativa: como o próprio nome diz, serve para paliar (amenizar) os sintomas dos pacientes. Podem ser pacientes que estejam com dor (proporcionando a melhora a deles com o uso da quimioterapia) e, por última instância, para melhorar a sobrevida com medicamentos quimioterápicos paliativos nos casos de pacientes com tumores metastáticos (quando o câncer se espalha além do local de origem para outras partes do corpo).

• A quimioterapia concomitante à radioterapia: nestes casos, a quimioterapia serve como um veículo para aumentar a potência da radioterapia.

2) Ela é indicada para quais tipos de tumores?
R.: A quimioterapia (seja ela neoadjuvante, adjuvante, paliativa ou concomitante à radioterapia) é indicada para a maioria dos tumores malignos.

3) Como é realizado o procedimento?
R.: Existem, basicamente, 2 tipos principais de procedimentos quimioterápicos: a quimioterapia intravenosa (pela veia), na qual o paciente é puncionado por uma veia periférica ou mesmo por um port-a-cath (dispositivo colocado pelo cirurgião dentro de uma veia mais calibrosa – aquelas com maior dilatação – no corpo do paciente); e a quimioterapia injetável, que é feita em ambientes preparados para receber a quimioterapia com um enfermeiro especializado. Geralmente, os pacientes ficam de 30 minutos até 6 horas fazendo quimioterapia intravenosa. Além disso, existem também as quimioterapias administradas por via oral, nas quais o paciente leva para casa os comprimidos orais e ingere de acordo com o esquema quimioterápico que o médico fornece para ele.

4) Existe mais de um tipo de quimioterapia?
R.: Existem vários tipos de quimioterapias, desde as específicas para certo tipo de tumor, até a quimioterapia que nós tratamos para uma variedade de tumores.

5) Existem efeitos colaterais na utilização da quimioterapia? Quais?
R.: As quimioterapias têm alguns efeitos colaterais manejáveis. Dependendo do esquema de quimioterapia que o paciente recebe, podem ocasionar náuseas, vômitos, cansaço, fadiga e baixa energia. A questão central, também dependendo do esquema de quimioterapia, é que geralmente os tratamentos quimioterápicos não matam apenas as células ruins, atingindo células boas que se multiplicam rapidamente (como cabelo e unha). Então, alguns esquemas quimioterápicos podem ocasionar a queda de cabelo e algumas alterações, mas também as células de defesa do nosso corpo. Dessa forma, em alguns casos, elas podem deixar o nosso corpo mais vulnerável a infecções.

6) Quando esses efeitos aparecem, o que é preciso fazer?
R.: Quando qualquer um desses efeitos aparecer é necessário procurar o seu médico e procurar o hospital. Por exemplo, para os pacientes que estão fazendo quimioterapia e têm febre, a primeira recomendação indicada é a procura do Hospital para passar pela avaliação do médico, pois como a quimioterapia também mata as células boas, o corpo fica vulnerável à infecção. Uma vez que o paciente tenha infecção e células de defesa baixa, nós, médicos, precisamos iniciar antibióticos e terapias o mais rápido possível. Mas, existem outros efeitos colaterais também manejáveis, como náuseas, vômitos, fadigas, inclusive queda de cabelo.

7) Qual é o tempo mínimo e qual é o tempo máximo de duração da quimioterapia?
R.: Existem vários tempos de quimioterapia, desde as que duram 15 minutos, como a blaumicina; aquelas que podem durar o dia inteiro, como a cisplatina; ou até a quimioterapia que o paciente vai para casa com um dispositivo e a quimioterapia fica correndo durante 48 horas dentro do seu organismo.

8) O paciente que é submetido a esse tipo de tratamento pode seguir sua rotina de atividades/trabalho normalmente?
R.: Dependendo do tipo de quimioterapia e do esquema quimioterápico, sim, é possível viver normalmente, inclusive trabalhando, estudando, fazendo as atividades diárias. Isso porque, hoje em dia, a maioria dos efeitos colaterais é bastante controlável, porém, sempre é necessário respeitar o próprio corpo.

9) Em média, quais são os custos da quimioterapia?
R.: O custo da quimioterapia também é variável, desde quimioterapias mais baratas, até aquelas que custam de 20 a 30 mil reais por mês.

A quimioterapia é um dos principais tipos de tratamento no combate ao câncer. Trata-se de uma terapia que utiliza medicamentos para destruir as células doentes que formam um tumor.

Desde 2015, o Hospital de Amor conta com um programa de rastreamento para a detecção precoce do câncer colorretal – aquele que acomete o trato digestivo (intestino grosso e reto). De lá para cá, já foram alcançadas 12.723 pessoas, sendo 48 pacientes diagnosticados com esse tipo de tumor.

Conheça mais sobre o câncer colorretal, seus sintomas e saiba como se prevenir.

O que é câncer colorretal?
Os cânceres colorretais são aqueles que acometem o trato digestivo (intestino grosso e reto). Esses tumores são considerados mais passíveis de prevenção, pois a evolução natural deles é bem conhecida pela medicina: eles começam com lesões precursoras, ou seja, lesões pré-malignas (também conhecidas como pólipos) que são detectáveis e que podem ser removidas. Com essas medidas, é possível interromper a progressão da doença. Geralmente, as chamadas ‘lesões precursoras’ não apresentam sintomas (como sangramentos ou dores abdominais), por isso, para identificá-las, é necessário submeter o indivíduo a um rastreamento para prevenir a evolução da doença.

O que são pólipos?
São tumores benignos, parecidos com verrugas, que se desenvolvem na parte interna do cólon e reto. Cerca de 60% dos pólipos do intestino são adenomas e podem apresentar potencial para se tornarem tumores malignos. É importante que o diagnóstico e o tratamento sejam feitos precocemente, principalmente após os 50 anos e em caso de história de câncer colorretal na família.

Colonoscopia: procedimento de vídeo utilizado para visualizar o interior do intestino grosso e a parte final do intestino delgado.

Quais são os sinais e sintomas do câncer colorretal?
Os principais sintomas da doença são: mudança do hábito intestinal, isto é, constipação ou diarreia sem associação com o alimento ingerido; anemia sem causa aparente, principalmente em pessoas com idade acima de 50 anos; fraqueza; desconforto abdominal (com gases ou cólicas); emagrecimento intenso e inexplicável; sangramento pelo reto; e sensação de evacuação incompleta.
Qualquer pessoa que apresentar um desses sintomas deve procurar o médico, principalmente se houver sangramento anal, para que os exames clínicos necessários sejam realizados. Entre os exames estão: realização do toque retal e do exame de colonoscopia (procedimento de vídeo utilizado para visualizar o interior do intestino grosso e a parte final do intestino delgado).

Quais os fatores de risco para o desenvolvimento da doença?
Uma alimentação rica em carnes vermelhas, carnes processadas (como salsichas e mortadelas) e gorduras, além da ausência de atividade física regularmente (como o sedentarismo), ingestão abusiva de álcool, tabagismo, sobrepeso e obesidade, são alguns fatores externos que podem contribuir para o desenvolvimento da doença.
Pessoas com idade superior a 50 anos, ou que já tenham tido pólipos ou doença inflamatória intestinal, ou que tenham histórico de ocorrência de câncer colorretal em familiares, devem ficar atentas aos sinais.

Como se prevenir deste tipo de câncer?
Prevenir significa evitar os fatores que estão relacionados com o desenvolvimento de câncer colorretal. Adotar uma alimentação rica em frutas, verduras e vegetais, evitar o consumo de carnes vermelhas e embutidos, praticar exercício físico, evitar a obesidade, evitar o consumo de bebidas alcoólicas e cigarros, são importantes atitudes de prevenção. Os alimentos ricos em fibras protegem o intestino, pois facilitam a evacuação, aceleram o trânsito intestinal e diminuem o tempo de contato das substâncias carcinogênicas (que levam à formação do câncer) com a parede do intestino.
Refletir sobre os hábitos e estilo de vida é sempre uma forma de se prevenir de qualquer tipo de câncer e conquistar uma vida mais saudável. Confira algumas dicas:
– Praticar exercícios físicos regulares;
– Não fumar;
– Não ingerir bebidas alcóolicas;
– Não ingerir alimentos defumados, enlatados ou embutidos;
– Não ingerir alimentos com corantes e/ou conservantes;
– Se diagnosticado, remover pólipos através do exame de colonoscopia;
– Ingerir alimentos ricos em vitaminas C e E.
Porém, apesar de todos esses cuidados, também é necessário participar dos programas de rastreamento, pois essas medidas não são 100% eficazes. Existem dois exames que podem ser utilizados para rastrear esse tipo de tumor, sendo eles: o teste de imunoquímica fecal (conhecido também como teste FIT ou exame de sangue oculto nas fezes) e a colonoscopia (que é um exame de vídeo para visualizar o interior do intestino grosso e a parte final do intestino delgado). Recomenda-se iniciar o rastreamento a partir dos 50 anos, mas, cabe ao médico indicar qual é a melhor opção de procedimento para cada paciente.

Como é o teste FIT?
Também conhecido como exame de sangue oculto nas fezes, o teste FIT é indicado para um público bem específico: homens e mulheres que tenham entre 50 e 65 anos, que não tenham feito nenhum exame de colonoscopia ou de retossigmoidoscopia nos últimos 5 anos, não tenham nenhum histórico de doença inflamatória intestinal e de pólipos colorretais.
São necessárias três amostras de fezes consecutivas. Alguns dias antes do exame, alguns tipos de alimentos devem ser evitados. Além disso, medicamentos como AAS e anti-inflamatórios não devem ser tomados 7 dias antes do exame, e frutas cítricas e carne vermelha não devem ser consumidas três dias antes do procedimento. Se o resultado para o sangue oculto for positivo, será necessário realizar o exame de colonoscopia.

Como é a colonoscopia?
É um exame realizado por um aparelho de fibra ótica, longo (180 cm) e flexível, que é introduzido através do ânus e permite a visualização completa do reto e do cólon. Essa visualização ocorre por uma câmera inserida na extremidade do colonoscópio, cuja imagem é enviada para um monitor, permitindo assim, a análise simultânea do interior do cólon. O equipamento também permite a inserção de outros instrumentos especiais para a remoção de possíveis pólipos ou biópsias. O exame é feito sob sedação e analgesia, permitindo que o médico examine detalhadamente o cólon. Os riscos do procedimento são pequenos e estão vinculados ao sangramento depois da retirada de pólipos, biópsias e perfuração intestinal.

Como é tratamento para o câncer colorretal?
O tratamento para os tumores iniciais, geralmente, é menos agressivo, com a retirada de pólipos e lesões através da colonoscopia ou das cirurgias com ressecções locais dos tumores.
Nos tumores maiores do cólon, há a necessidade de cirurgia (convencional, laparoscópica ou robótica).
Nos tumores do reto, pode ser necessário realizar procedimentos radioterápicos e quimioterápicos antes da cirurgia.
Em resumo, o tratamento para o câncer colorretal envolve radioterapia, quimioterapia e/ou cirurgia, dependendo do local, do tamanho e da extensão da doença no cólon ou em outros órgãos (no caso de metástases – aparecimento do tumor em outros órgãos, como fígado ou pulmão, por exemplo). Quanto mais precocemente a doença for diagnosticada, menor a agressividade e o tempo de tratamento, proporcionando melhor qualidade de vida ao paciente.

Também conhecido como exame de sangue oculto nas fezes, o teste FIT é indicado para um público bem específico: homens e mulheres que tenham entre 50 e 65 anos, que não tenham feito nenhum exame de colonoscopia ou de retossigmoidoscopia nos últimos 5 anos, não tenham nenhum histórico de doença inflamatória intestinal e de pólipos colorretais.
Presidente do HA, Henrique Prata, e diretor executivo da MSD, Nicolás Villar após a formalização da parceria. Foto: Márcio Oliveira
Dr. Antônio Buzaid, durante a cerimônia de assinatura da parceria. Foto: Márcio Oliveira.

Os milhares de pacientes que realizam tratamento no Hospital de Amor Barretos agora contam com uma nova alternativa de medicação para os tratamentos de cânceres de pulmão e melanoma (tipo mais grave de câncer de pele) em estágios avançados. Graças à parceria firmada com a farmacêutica MSD, a instituição poderá oferecer aos pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) o tratamento com a terapia anti-PD-1, conhecida como pembrolizumabe (Keytruda). O Hospital de Amor é a primeira entidade de saúde pública no Brasil a oferecer a imunoterapia.

A assinatura do termo aconteceu na última segunda-feira, dia 3 de setembro, reunindo médicos, o presidente do Hospital, Henrique Prata, e o diretor-geral do Centro Oncológico “Antônio Ermírio de Moraes” – Beneficência Portuguesa, de São Paulo, e membro do comitê de direção do Centro Oncológico do Hospital Israelita Albert Einstein, Dr. Antônio Buzaid.

De acordo com Buzaid, o tratamento imunoterápico é uma nova alternativa para a quimioterapia, além de possuir efeitos colaterais menores. “Quando aplicamos o Anti-PD-1, estimulamos uma sobrevida no paciente. Por isso, é tão importante investir em pesquisas clínicas para aumentar a receita da instituição e melhorar o tratamento básico. Para nós, o Hospital de Amor é um motivo de muito orgulho”, afirmou.

Para a diretora médica de oncologia da MSD Brasil, Dra. Márcia Datz Abadi, “o pembrolizumabe representa um avanço importante no tratamento do câncer e é um orgulho poder oferecer essa inovação aos pacientes do SUS. Nos sentimos honrados pela parceria e pioneirismo do Hospital de Amor”.

Após essa conquista, o HA poderá facilitar o acesso ao medicamento, acelerar o tratamento e as chances de cura e sobrevida dos pacientes. A estimativa é de que em duas semanas essa alternativa já esteja sendo aplicada na instituição. Segundo Henrique Prata, a assinatura do convênio representa um marco histórico nos mais de 50 anos de trajetória do Hospital e também para a oncologia brasileira. “Todas as pessoas têm direito de ter um tratamento digno. Portanto, temos muito o que comemorar com essa conquista”, declarou.

Embalagem do pembrolizumabe (Keytruda).

Câncer de Pulmão
O câncer de pulmão é considerado o mais comum e letal entre todos os tumores malignos. A estimativa do Instituto Nacional do Câncer (INCA) para este ano é de que 30 mil novos casos sejam diagnosticados no Brasil, sendo o de células não pequenas o mais comum – correspondente a 85% de todos os casos. Estimativas globais apontam que apenas 1% dos pacientes com câncer de pulmão avançado estão vivos, cinco anos após o diagnóstico.

Em junho, o Brasil se tornou o primeiro país do mundo a aprovar, baseado em um estudo de fase 3, o uso combinado de pembrolizumabe e quimioterapia para tratamento de pacientes com câncer de pulmão de células não pequenas (CPNPC) em estágio avançado ou metastático. De acordo com o estudo KEYNOTE-189, publicado no New England Journal of Medicine, o uso de pembrolizumabe associado à quimioterapia (pemetrexede e cisplatina ou carboplatina), quando utilizado em primeira linha de tratamento, reduz em 51% o risco de morte.

Para o oncologista clínico do HA, Dr. Pedro de Marchi, poder oferecer esse medicamento gratuitamente aos pacientes é um motivo de grande alegria. “Sem dúvida, estamos falando de um marco na história do Brasil. Com essa nova alternativa, a sobrevida é de 8 meses a 3 anos”, ressaltou.

O oncologista explica ainda que o Hospital de Amor recebe cerca de 600 novos pacientes com câncer de pulmão, por ano. Desses, 450 irão precisar de tratamento sistêmico. Entre eles, 360 possuem doença metastática. Desses, 320 não têm mutações. “Isso quer dizer que, desses 320 pacientes, 17% apresenta PD-L1 maior que 50% e seriam candidatos a esse tipo de tratamento, o que resultaria em, aproximadamente, 54 pacientes novos por ano”, finalizou Dr. Pedro de Marchi.

Câncer Melanoma
O melanoma é caracterizado pelo crescimento descontrolado de células que compõem a pele. A incidência deste tipo de câncer tem aumentado nas últimas quatro décadas. Só o Brasil registra, anualmente, cerca de 5.500 novos casos da doença e, aproximadamente, 1.547 óbitos, segundo o INCA. Esse tipo de câncer é considerado o mais comum entre jovens adultos, mas também pode ser diagnosticado em crianças, adolescentes e idosos.

De acordo com o estudo Keynote-001, em 655 pacientes com melanoma metastático, 34% de todos eles e 41% dos que não haviam tido qualquer tratamento prévio, permanecem vivos após 5 anos do uso de pembrolizumabe, em uma doença em que a quimioterapia oferecia apenas poucos meses de sobrevida. Já o estudo KEYNOTE-006 mostrou que 42% dos pacientes tratados com pembrolizumabe estavam vivos após quatro anos de diagnóstico.

“É trágico saber que somente pacientes que possuem convênios ou acesso aos atendimentos privados, conseguem ter acesso a esse tipo de tratamento. Agora, pela primeira vez, os pacientes do SUS, atendidos no Hospital de Amor, poderão contar com uma medicação inovadora. É uma luz de esperança para que, em pouco tempo, mais pacientes possam conseguir esta e todas as outras medicações que ainda não estão disponíveis gratuitamente”, declarou o oncologista clínico do HA, Dr. Sérgio Serrano.

O medicamento
O medicamento (pembrolizumabe) já pode ser utilizado no Brasil para o tratamento em primeira linha de melanoma avançado para pacientes com câncer de pulmão avançado, do tipo CPCNP, com expressão elevada ou moderada do biomarcador PD-L1 no tumor (expressão ≥50% ou 1%<49%) e tratamento de câncer urotelial (o mais comum é o câncer de bexiga). Ele também foi aprovado este ano para tratamento de câncer gástrico (o mais comum é o de estômago), após falha de duas terapias prévias.
A imunoterapia anti-PD-1 da MSD está sendo avaliada para mais de 30 tipos de tumores em 790 estudos clínicos. No Brasil, o medicamento está sendo pesquisado em mais de 29 ensaios clínicos, com cerca de 232 instituições envolvidas e mais de 500 pacientes em tratamento.

Representantes da diretoria da farmacêutica MSD com presidente do HA, Henrique Prata. Foto: Márcio Oliveira.

Publicado em 06 de set de 2018   |   Artigos, Destaques, Institucional, Ensino e Pesquisa, Diagnóstico e Tratamento