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Instituto de Prevenção do Hospital de Amor realiza projeto de busca ativa no combate ao câncer bucal

Referência no tratamento oncológico, o Hospital de Amor realiza, há mais de 20 anos, um trabalho pioneiro de prevenção. Sabendo da importância do diagnóstico precoce do câncer, a instituição desenvolve diversos projetos na tentativa de oferecer um atendimento qualificado e humanizado na realização de exames preventivos à população.

Desde 2017, o Instituto de Prevenção do HA vem realizando um projeto de busca ativa no combate ao câncer bucal, com o objetivo de diagnosticar precocemente a doença e lesões potencialmente malignas, além de levar informações à população sobre o câncer de boca e hábitos nocivos. O trabalho abrange o Departamento Regional de Saúde (DRS V), ou seja, os 18 municípios da região de Barretos (SP).

Através da van odontológica (unidade móvel equipada com cadeira e aparelhos odontológicos), uma equipe de dentistas e enfermeiros do hospital visita as Unidades Básicas de Saúde (UBS), domicílios, indústrias, usinas, áreas rurais, alojamentos e outros locais propícios onde encontram-se os pacientes com fatores de risco: homens e mulheres acima de 40 anos, etilistas (viciados em bebidas alcoólicas) ou tabagistas – que tenham abandonado o hábito em até 20 anos – e pessoas de qualquer idade que apresente lesões orais.

Graças ao programa de rastreamento, o serralheiro Osvaldo Carvalho, de 58 anos, conseguiu diagnosticar a doença.

Foi graças ao programa de rastreamento, que o serralheiro Osvaldo Carvalho, de 58 anos, conseguiu diagnosticar a doença e salvar sua vida! O barretense estava em um bar, localizado em um bairro periférico da cidade, quando os profissionais do Hospital de Amor chegaram com a van para iniciar a busca ativa. “ Eu estava em um boteco, comendo uma coxinha, quando a equipe chegou e examinou minha boca. Após fazerem uma análise, eles solicitaram para eu comparecer imediatamente ao Instituto de Prevenção, pois seria necessário fazer uma biópsia. Em dois dias, eu já tinha recebido o atendimento necessário”, contou Osvaldo.

Menos de um mês depois, ele recebeu o resultado de seu exame: foi diagnosticado com câncer na úvula e no assoalho da boca. A partir daí, Osvaldo iniciou seu tratamento na instituição. Fumante desde os 14 anos de idade, foi necessária a utilização de adesivos que auxiliam no tratamento da dependência. Em junho deste ano, o serralheiro realizou a remoção do tumor e passou por sessões de radioterapia. Hoje, o paciente segue em acompanhamento no HA e encontra-se em ótimo estado de saúde. “A agilidade no meu atendimento foi muito importante para iniciar os procedimentos e ter sucesso no meu tratamento”, declarou.

Segundo a dentista e coordenadora do projeto, Kenya Firmino, a expetativa é de que a conscientização aumente para que seja possível diagnosticar precocemente a doença ainda mais, diminuindo suas taxas de mortalidade. “Quando detectado em estágios iniciais, a chance de cura desse tipo de tumor chega a ser maior que 80%. Em estágios avançados, a sobrevida pode ser menor do que 5 anos”, afirmou Kenya.

Dentro da boca, é importante observar gengivas, mucosa jugal (bochechas), palato duro (céu da boca) e língua (principalmente as bordas e o assoalho – região de baixo).

Câncer de Boca
De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), são estimados 14.700 novos casos de câncer de boca ainda neste ano, sendo 11.200 em homens e 3.500 em mulheres. Estes tumores são formados por células que se multiplicam rápida e descontroladamente, destruindo órgãos e se espalhando para os linfonodos do pescoço (conhecidos como ínguas), afetando lábios e o interior da cavidade oral. Dentro da boca, é importante observar gengivas, mucosa jugal (bochechas), palato duro (céu da boca) e língua (principalmente as bordas e o assoalho – região de baixo).

Uma das principais causas desse tipo de tumor é o tabagismo. Cigarro, charuto, cachimbo, narguilé e maconha estão diretamente relacionados ao câncer de boca. As bebidas alcoólicas, em especial, as destiladas, quando associadas ao uso do cigarro, podem aumentar em até quatro vezes o risco de se desenvolver a doença. Outras causas estão relacionadas às más condições de higiene bucal, alimentação carente de frutas e verduras frescas, além de fatores genéticos.

Na maioria dos casos, o câncer de boca apresenta-se como uma área endurecida ou uma ferida que sangra, podendo causar dor durante a fala e alimentação. O aumento dos linfonodos no pescoço, dor de ouvido, dor de garganta e dentes amolecidos são outros sinais de alerta.

Hábitos saudáveis, não fumar, não beber, cuidar da higiene bucal e fazer visitas regularmente ao dentista, são atitudes que contribuem para a saúde adequada da boca e, consequentemente, previnem o câncer de boca.

Quem deve fazer o exame de prevenção?
Pessoas com feridas na boca que não cicatrizam há mais de 15 dias, fumantes (ou não fumantes em até 20 anos) e consumidores de bebida alcoólica devem fazer o exame preventivo.

Através da van odontológica, uma equipe de dentistas e enfermeiros do hospital visita as Unidades Básicas de Saúde (UBS), domicílios, indústrias, usinas, áreas rurais, alojamentos e outros locais propícios onde encontram-se os pacientes com fatores de risco.
Dra. Eliana Lourenço, médica pneumologista do Hospital de Amor.

De acordo com o DATASUS, o tabagismo é considerado a maior causa isolada evitável de adoecimento e mortes no mundo. Neste “Dia Nacional de Combate ao Fumo”, o Hospital de Amor traz uma entrevista completa abordando esse assunto com a pneumologista da instituição, Dra. Eliana Lourenço.

Qual a importância de considerarmos o “Dia Nacional de Combate ao Fumo” e qual o objetivo dessa data?
R.: Quando criamos uma discussão sobre esse importante assunto, toda mobilização é válida! Desta forma, conseguimos colocar em foco as consequências, malefícios e doenças que o cigarro pode causar. O objetivo principal dessa data é conscientizar a população sobre os danos que o tabaco pode acarretar na vida e na saúde das pessoas, na tentativa de parar esse consumo tóxico o quanto antes.

Quais os malefícios causados pelo cigarro?
R.: Costumo dizer para os pacientes que o cigarro não tem nenhum componente que faz bem à saúde. Desde do seu papel, até a liberação das substâncias tóxicas, tudo traz prejuízo ao organismo. Para se ter uma ideia, quando uma pessoa inala o cigarro, aproximadamente 5 mil componentes são liberados. Desses, temos a certeza de que 800 causam câncer. Além disso, o calor da fumaça chega até a 800º C e, ao entrar no organismo, queima a mucosa, agredindo-a consideravelmente.

Desde que uma pessoa começa a fumar, quanto tempo ela leva para desenvolver uma doença causada pelo tabaco?
R.: Isso pode variar de um indivíduo para o outro, pois existem pessoas que possuem o organismo mais suscetível para desenvolver doenças do que outras. O que observamos na prática é que elas podem demorar de 10 até 20 anos para se manifestar. É importante entendemos que, a partir do momento que em o cigarro entra no organismo, imediatamente ele já começa a causar alterações perceptíveis, tais como: surgimento de rinite (inflamação na mucosa nasal), espirros e tosses. Já as doenças mais estabelecidas levam de 5 a 10 anos para surgir.

Quais são as doenças mais frequentes causadas por esse vício?
R.: As principais doenças ocasionadas pelo cigarro são as que estão diretamente relacionadas com a fumaça: rinite, bronquite, faringite e várias outras na área da garganta. Sem contar as alterações nas pregas vocais, na voz (onde as pessoas vão ficando roucas), aparecimento de nódulos nessa região, etc.
Existe ainda o aumento da incidência de doenças pulmonares, como o câncer de pulmão, doença pulmonar obstrutiva crônica e enfisemas; e as doenças venosas (já que o cigarro aumenta a viscosidade do sangue), como insuficiência venosa, arterial, aumento das chances de infarto e acidentes vasculares.

No Hospital de Amor, é possível encontrar muitos pacientes que desenvolveram câncer por conta do cigarro?
R.: Em relação aos pacientes atendidos pela equipe de pneumologia do hospital, nós temos uma estimativa de que aproximadamente 90% deles têm uma doença relacionada ao uso do cigarro, seja no passado ou no presente.

Ao inalarmos um cigarro, o que acontece com nosso organismo?
R.: Geralmente, a fumaça entra e as substâncias tóxicas são absorvidas. O grande problema é que existem vários compostos no tabaco, como por exemplo: o tolueno, benzeno, cádmio, níquel, fósforo, arsênio e várias outras substâncias que estão presentes em outros produtos, como: tintas, solventes, chumbo e tíner, que são altamente tóxicos para nosso organismo. Além disso, os gases e metais que compõem o cigarro, entram no organismo causando lesões, alterações nas células, irritações e inflamações, principalmente no trato respiratório. Apesar de serem consumidas doses pequenas, são doses diárias. Quando a célula é agredida, ela se regenera, mas, chega um ponto em que essa regeneração começa a ser defeituosa. Inicia-se a produção de células alteradas e o câncer é desenvolvido.

O fumante passivo também tem grandes chances de desenvolver doenças causadas pelo cigarro?
R.: O fumante passivo (aquele não-fumante que convive com fumantes em ambientes fechados, ficando assim, expostos aos componentes tóxicos) é tão prejudicado quanto o fumante ativo. Ao inalar essa fumaça, ele pode absorver uma quantidade maior do que o próprio fumante. Em alguns casos, dependendo do contato, o fumante passivo absorve 2/3 da carga que está sendo exalada. Por exemplo: se uma pessoa fumar 20 cigarros dentro de um quarto, o não-fumante que está ali tem uma absorção de 15 cigarros. É assustador!

Por que é tão fácil viciar-se no cigarro?
R.: A razão do cigarro ser tão atraente está numa substância chamada “nicotina”. A partir do momento em que a fumaça do tabaco é inalada, ela demora 7 segundos para chegar ao cérebro, e lá ela é absorvida. A explicação é simples: a nicotina chega e se liga aos receptores do cérebro que estão relacionados ao sentimento de prazer. Essa sensação (deliciosa para os fumantes) possui um grau de tolerância, ou seja, vai chegar um momento em que essa mesma quantidade de cigarro não proporciona o mesmo prazer, e aí é necessário aumentar o volume de tabaco. É onde nasce o vício.

Quantos cigarros são necessários para uma pessoa ficar viciada?
R.: Um único cigarro já é suficiente. Dependente muito da vulnerabilidade da pessoa, pois existem aquelas que tendem a se viciar muito rapidamente e outras que fazem isso em um grau menor. Mas, no geral, basta um cigarro.

É possível parar de fumar?
R.: Com certeza é possível parar de fumar, porém, não é uma tarefa fácil. As pessoas com maior nível de dependência, ou seja, as consideradas viciadas, possuem mais dificuldade, pois o prazer que elas sentem com o ato é maior. Quando tiramos a nicotina da rotina das pessoas, elas desenvolvem sintomas de abstinência – assim como acontece com outras drogas: dores de cabeça, suores, febre, tristeza, nervosismo intenso, depressão, entre outros. A dificuldade em parar está na dificuldade em se ver livre daquele círculo vicioso do prazer da nicotina.
É justamente por esse motivo, que consideramos o cigarro como uma das piores drogas que existem, pois, além da dependência da substância, há também a dependência de hábito (aquele prazer oral de colocar o cigarro na boca) e a dependência psicológica (momento que em a pessoa enxerga-o com um bom companheiro). Esses indivíduos veem o cigarro como um apoio, uma válvula de escape e, em uma situação de estresse, elas recorrem a ele como forma de se acalmar.

Existem tratamentos para acabar com esse vício?
R.: Uma das principais formas de tratamento está relacionada à tentativa de evitar esse prazer. Para isso, utilizamos duas medicações que atuam na tentativa de bloquear a ação da nicotina no cérebro, diminuindo ou até evitando a sensação prazerosa. Ao ingerir esses remédios, a pessoa passa a sentir um amargor ao fumar, ajudando na diminuição do consumo. Além disso, existe também uma terapia de reposição: tenta-se oferecer a nicotina em um período inicial (através de adesivos, gomas e pastilhas), para que o paciente não sinta tanta falta do cigarro, até ele ir se libertando do vício.
É claro que esses tratamentos não dão tanto prazer como o uso do cigarro. Isso significa que, mesmo usando as medicações, o fumante acaba passando por alguns sintomas da abstinência. Um tratamento completo é o medicamentoso e o psicológico. No HA, são realizados encontros em grupos para que o paciente veja que não está vivendo aquela fase difícil sozinho e encontre mais força para combater o vício.

Em quanto tempo o paciente começa a sentir os benefícios de largar o cigarro?
R.: Geralmente, em 24 horas, a pessoa já sente a diferença! Ela passa a respirar melhor; em 3 dias, a frequência e a pressão cardíacas já se normalizam; em 1 mês, a coloração da pele melhora e o paladar volta ao normal, aumentando o apetite. Em alguns casos, como a comida fica muito saborosa, a pessoa come mais ou acaba substituindo a ansiedade (antes depositada no uso do cigarro) para a comida. Dessa forma, é comum que essas pessoas engordem, em média, de 5 a 6 kg.

O ‘narguilé’ é tão perigoso quanto o cigarro?
R.: A maioria dos narguilés possui nicotina em sua essência. Consideramos que cada 1 hora de uso do narguilé equivale ao uso de 100 cigarros. O malefício é tão grande que o usuário pode passar mal, ter uma parada cardíaca, entre outras complicações, principalmente os que são muito jovens. Esse é o primeiro contato com a nicotina, ou seja, o cérebro começa a se familiarizar com aquela sensação de prazer e, em um segundo momento, o indivíduo vai procurar por uma dose maior daquele sentimento, acabando no cigarro. Isso sem contar outras questões que devemos levar em consideração: em um grupo, o usuário do narguilé passa o mesmo bocal para outra pessoa e acaba disseminando outras doenças infecciosas transmitidas pela saliva, como herpes, mononucleose (conhecida como a ‘doença do beijo’) e hepatites.

Como médica pneumologista, qual é o recado que você deixa para os fumantes nesta data de conscientização?
R.: O ideal seria nunca ter entrado nesse vício, mas, independente disso, não se deixe abater. Não diga frases como: “Eu já estou fumando há muitos anos. Não adianta parar agora, pois meu organismo não vai se recuperar”. Sabemos que existem compostos do cigarro que demoram até 30 anos para sair do organismo, porém, trata-se de uma dose acumulativa, ou seja, a partir do primeiro momento em que você inala o cigarro, aquela dose vai se acumulando. Independentemente da idade, o ideal é parar de fumar, pois é importante não acumular essas substâncias tóxicas dentro do seu organismo.

Foto: Pexels.

Publicado em 29 de ago de 2018   |   Artigos, Destaques, Prevenção

Referência no tratamento oncológico, o Hospital de Amor realiza, há mais de 20 anos, um trabalho pioneiro de prevenção. Sabendo da importância do diagnóstico precoce do câncer, a instituição desenvolve diversos projetos na tentativa de oferecer um atendimento qualificado e humanizado na realização de exames preventivos à população.

Desde 2017, o Instituto de Prevenção do HA vem realizando um projeto de busca ativa no combate ao câncer bucal, com o objetivo de diagnosticar precocemente a doença e lesões potencialmente malignas, além de levar informações à população sobre o câncer de boca e hábitos nocivos. O trabalho abrange o Departamento Regional de Saúde (DRS V), ou seja, os 18 municípios da região de Barretos (SP).

Através da van odontológica (unidade móvel equipada com cadeira e aparelhos odontológicos), uma equipe de dentistas e enfermeiros do hospital visita as Unidades Básicas de Saúde (UBS), domicílios, indústrias, usinas, áreas rurais, alojamentos e outros locais propícios onde encontram-se os pacientes com fatores de risco: homens e mulheres acima de 40 anos, etilistas (viciados em bebidas alcoólicas) ou tabagistas – que tenham abandonado o hábito em até 20 anos – e pessoas de qualquer idade que apresente lesões orais.

Graças ao programa de rastreamento, o serralheiro Osvaldo Carvalho, de 58 anos, conseguiu diagnosticar a doença.

Foi graças ao programa de rastreamento, que o serralheiro Osvaldo Carvalho, de 58 anos, conseguiu diagnosticar a doença e salvar sua vida! O barretense estava em um bar, localizado em um bairro periférico da cidade, quando os profissionais do Hospital de Amor chegaram com a van para iniciar a busca ativa. “ Eu estava em um boteco, comendo uma coxinha, quando a equipe chegou e examinou minha boca. Após fazerem uma análise, eles solicitaram para eu comparecer imediatamente ao Instituto de Prevenção, pois seria necessário fazer uma biópsia. Em dois dias, eu já tinha recebido o atendimento necessário”, contou Osvaldo.

Menos de um mês depois, ele recebeu o resultado de seu exame: foi diagnosticado com câncer na úvula e no assoalho da boca. A partir daí, Osvaldo iniciou seu tratamento na instituição. Fumante desde os 14 anos de idade, foi necessária a utilização de adesivos que auxiliam no tratamento da dependência. Em junho deste ano, o serralheiro realizou a remoção do tumor e passou por sessões de radioterapia. Hoje, o paciente segue em acompanhamento no HA e encontra-se em ótimo estado de saúde. “A agilidade no meu atendimento foi muito importante para iniciar os procedimentos e ter sucesso no meu tratamento”, declarou.

Segundo a dentista e coordenadora do projeto, Kenya Firmino, a expetativa é de que a conscientização aumente para que seja possível diagnosticar precocemente a doença ainda mais, diminuindo suas taxas de mortalidade. “Quando detectado em estágios iniciais, a chance de cura desse tipo de tumor chega a ser maior que 80%. Em estágios avançados, a sobrevida pode ser menor do que 5 anos”, afirmou Kenya.

Dentro da boca, é importante observar gengivas, mucosa jugal (bochechas), palato duro (céu da boca) e língua (principalmente as bordas e o assoalho – região de baixo).

Câncer de Boca
De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), são estimados 14.700 novos casos de câncer de boca ainda neste ano, sendo 11.200 em homens e 3.500 em mulheres. Estes tumores são formados por células que se multiplicam rápida e descontroladamente, destruindo órgãos e se espalhando para os linfonodos do pescoço (conhecidos como ínguas), afetando lábios e o interior da cavidade oral. Dentro da boca, é importante observar gengivas, mucosa jugal (bochechas), palato duro (céu da boca) e língua (principalmente as bordas e o assoalho – região de baixo).

Uma das principais causas desse tipo de tumor é o tabagismo. Cigarro, charuto, cachimbo, narguilé e maconha estão diretamente relacionados ao câncer de boca. As bebidas alcoólicas, em especial, as destiladas, quando associadas ao uso do cigarro, podem aumentar em até quatro vezes o risco de se desenvolver a doença. Outras causas estão relacionadas às más condições de higiene bucal, alimentação carente de frutas e verduras frescas, além de fatores genéticos.

Na maioria dos casos, o câncer de boca apresenta-se como uma área endurecida ou uma ferida que sangra, podendo causar dor durante a fala e alimentação. O aumento dos linfonodos no pescoço, dor de ouvido, dor de garganta e dentes amolecidos são outros sinais de alerta.

Hábitos saudáveis, não fumar, não beber, cuidar da higiene bucal e fazer visitas regularmente ao dentista, são atitudes que contribuem para a saúde adequada da boca e, consequentemente, previnem o câncer de boca.

Quem deve fazer o exame de prevenção?
Pessoas com feridas na boca que não cicatrizam há mais de 15 dias, fumantes (ou não fumantes em até 20 anos) e consumidores de bebida alcoólica devem fazer o exame preventivo.

Através da van odontológica, uma equipe de dentistas e enfermeiros do hospital visita as Unidades Básicas de Saúde (UBS), domicílios, indústrias, usinas, áreas rurais, alojamentos e outros locais propícios onde encontram-se os pacientes com fatores de risco.
Dra. Eliana Lourenço, médica pneumologista do Hospital de Amor.

De acordo com o DATASUS, o tabagismo é considerado a maior causa isolada evitável de adoecimento e mortes no mundo. Neste “Dia Nacional de Combate ao Fumo”, o Hospital de Amor traz uma entrevista completa abordando esse assunto com a pneumologista da instituição, Dra. Eliana Lourenço.

Qual a importância de considerarmos o “Dia Nacional de Combate ao Fumo” e qual o objetivo dessa data?
R.: Quando criamos uma discussão sobre esse importante assunto, toda mobilização é válida! Desta forma, conseguimos colocar em foco as consequências, malefícios e doenças que o cigarro pode causar. O objetivo principal dessa data é conscientizar a população sobre os danos que o tabaco pode acarretar na vida e na saúde das pessoas, na tentativa de parar esse consumo tóxico o quanto antes.

Quais os malefícios causados pelo cigarro?
R.: Costumo dizer para os pacientes que o cigarro não tem nenhum componente que faz bem à saúde. Desde do seu papel, até a liberação das substâncias tóxicas, tudo traz prejuízo ao organismo. Para se ter uma ideia, quando uma pessoa inala o cigarro, aproximadamente 5 mil componentes são liberados. Desses, temos a certeza de que 800 causam câncer. Além disso, o calor da fumaça chega até a 800º C e, ao entrar no organismo, queima a mucosa, agredindo-a consideravelmente.

Desde que uma pessoa começa a fumar, quanto tempo ela leva para desenvolver uma doença causada pelo tabaco?
R.: Isso pode variar de um indivíduo para o outro, pois existem pessoas que possuem o organismo mais suscetível para desenvolver doenças do que outras. O que observamos na prática é que elas podem demorar de 10 até 20 anos para se manifestar. É importante entendemos que, a partir do momento que em o cigarro entra no organismo, imediatamente ele já começa a causar alterações perceptíveis, tais como: surgimento de rinite (inflamação na mucosa nasal), espirros e tosses. Já as doenças mais estabelecidas levam de 5 a 10 anos para surgir.

Quais são as doenças mais frequentes causadas por esse vício?
R.: As principais doenças ocasionadas pelo cigarro são as que estão diretamente relacionadas com a fumaça: rinite, bronquite, faringite e várias outras na área da garganta. Sem contar as alterações nas pregas vocais, na voz (onde as pessoas vão ficando roucas), aparecimento de nódulos nessa região, etc.
Existe ainda o aumento da incidência de doenças pulmonares, como o câncer de pulmão, doença pulmonar obstrutiva crônica e enfisemas; e as doenças venosas (já que o cigarro aumenta a viscosidade do sangue), como insuficiência venosa, arterial, aumento das chances de infarto e acidentes vasculares.

No Hospital de Amor, é possível encontrar muitos pacientes que desenvolveram câncer por conta do cigarro?
R.: Em relação aos pacientes atendidos pela equipe de pneumologia do hospital, nós temos uma estimativa de que aproximadamente 90% deles têm uma doença relacionada ao uso do cigarro, seja no passado ou no presente.

Ao inalarmos um cigarro, o que acontece com nosso organismo?
R.: Geralmente, a fumaça entra e as substâncias tóxicas são absorvidas. O grande problema é que existem vários compostos no tabaco, como por exemplo: o tolueno, benzeno, cádmio, níquel, fósforo, arsênio e várias outras substâncias que estão presentes em outros produtos, como: tintas, solventes, chumbo e tíner, que são altamente tóxicos para nosso organismo. Além disso, os gases e metais que compõem o cigarro, entram no organismo causando lesões, alterações nas células, irritações e inflamações, principalmente no trato respiratório. Apesar de serem consumidas doses pequenas, são doses diárias. Quando a célula é agredida, ela se regenera, mas, chega um ponto em que essa regeneração começa a ser defeituosa. Inicia-se a produção de células alteradas e o câncer é desenvolvido.

O fumante passivo também tem grandes chances de desenvolver doenças causadas pelo cigarro?
R.: O fumante passivo (aquele não-fumante que convive com fumantes em ambientes fechados, ficando assim, expostos aos componentes tóxicos) é tão prejudicado quanto o fumante ativo. Ao inalar essa fumaça, ele pode absorver uma quantidade maior do que o próprio fumante. Em alguns casos, dependendo do contato, o fumante passivo absorve 2/3 da carga que está sendo exalada. Por exemplo: se uma pessoa fumar 20 cigarros dentro de um quarto, o não-fumante que está ali tem uma absorção de 15 cigarros. É assustador!

Por que é tão fácil viciar-se no cigarro?
R.: A razão do cigarro ser tão atraente está numa substância chamada “nicotina”. A partir do momento em que a fumaça do tabaco é inalada, ela demora 7 segundos para chegar ao cérebro, e lá ela é absorvida. A explicação é simples: a nicotina chega e se liga aos receptores do cérebro que estão relacionados ao sentimento de prazer. Essa sensação (deliciosa para os fumantes) possui um grau de tolerância, ou seja, vai chegar um momento em que essa mesma quantidade de cigarro não proporciona o mesmo prazer, e aí é necessário aumentar o volume de tabaco. É onde nasce o vício.

Quantos cigarros são necessários para uma pessoa ficar viciada?
R.: Um único cigarro já é suficiente. Dependente muito da vulnerabilidade da pessoa, pois existem aquelas que tendem a se viciar muito rapidamente e outras que fazem isso em um grau menor. Mas, no geral, basta um cigarro.

É possível parar de fumar?
R.: Com certeza é possível parar de fumar, porém, não é uma tarefa fácil. As pessoas com maior nível de dependência, ou seja, as consideradas viciadas, possuem mais dificuldade, pois o prazer que elas sentem com o ato é maior. Quando tiramos a nicotina da rotina das pessoas, elas desenvolvem sintomas de abstinência – assim como acontece com outras drogas: dores de cabeça, suores, febre, tristeza, nervosismo intenso, depressão, entre outros. A dificuldade em parar está na dificuldade em se ver livre daquele círculo vicioso do prazer da nicotina.
É justamente por esse motivo, que consideramos o cigarro como uma das piores drogas que existem, pois, além da dependência da substância, há também a dependência de hábito (aquele prazer oral de colocar o cigarro na boca) e a dependência psicológica (momento que em a pessoa enxerga-o com um bom companheiro). Esses indivíduos veem o cigarro como um apoio, uma válvula de escape e, em uma situação de estresse, elas recorrem a ele como forma de se acalmar.

Existem tratamentos para acabar com esse vício?
R.: Uma das principais formas de tratamento está relacionada à tentativa de evitar esse prazer. Para isso, utilizamos duas medicações que atuam na tentativa de bloquear a ação da nicotina no cérebro, diminuindo ou até evitando a sensação prazerosa. Ao ingerir esses remédios, a pessoa passa a sentir um amargor ao fumar, ajudando na diminuição do consumo. Além disso, existe também uma terapia de reposição: tenta-se oferecer a nicotina em um período inicial (através de adesivos, gomas e pastilhas), para que o paciente não sinta tanta falta do cigarro, até ele ir se libertando do vício.
É claro que esses tratamentos não dão tanto prazer como o uso do cigarro. Isso significa que, mesmo usando as medicações, o fumante acaba passando por alguns sintomas da abstinência. Um tratamento completo é o medicamentoso e o psicológico. No HA, são realizados encontros em grupos para que o paciente veja que não está vivendo aquela fase difícil sozinho e encontre mais força para combater o vício.

Em quanto tempo o paciente começa a sentir os benefícios de largar o cigarro?
R.: Geralmente, em 24 horas, a pessoa já sente a diferença! Ela passa a respirar melhor; em 3 dias, a frequência e a pressão cardíacas já se normalizam; em 1 mês, a coloração da pele melhora e o paladar volta ao normal, aumentando o apetite. Em alguns casos, como a comida fica muito saborosa, a pessoa come mais ou acaba substituindo a ansiedade (antes depositada no uso do cigarro) para a comida. Dessa forma, é comum que essas pessoas engordem, em média, de 5 a 6 kg.

O ‘narguilé’ é tão perigoso quanto o cigarro?
R.: A maioria dos narguilés possui nicotina em sua essência. Consideramos que cada 1 hora de uso do narguilé equivale ao uso de 100 cigarros. O malefício é tão grande que o usuário pode passar mal, ter uma parada cardíaca, entre outras complicações, principalmente os que são muito jovens. Esse é o primeiro contato com a nicotina, ou seja, o cérebro começa a se familiarizar com aquela sensação de prazer e, em um segundo momento, o indivíduo vai procurar por uma dose maior daquele sentimento, acabando no cigarro. Isso sem contar outras questões que devemos levar em consideração: em um grupo, o usuário do narguilé passa o mesmo bocal para outra pessoa e acaba disseminando outras doenças infecciosas transmitidas pela saliva, como herpes, mononucleose (conhecida como a ‘doença do beijo’) e hepatites.

Como médica pneumologista, qual é o recado que você deixa para os fumantes nesta data de conscientização?
R.: O ideal seria nunca ter entrado nesse vício, mas, independente disso, não se deixe abater. Não diga frases como: “Eu já estou fumando há muitos anos. Não adianta parar agora, pois meu organismo não vai se recuperar”. Sabemos que existem compostos do cigarro que demoram até 30 anos para sair do organismo, porém, trata-se de uma dose acumulativa, ou seja, a partir do primeiro momento em que você inala o cigarro, aquela dose vai se acumulando. Independentemente da idade, o ideal é parar de fumar, pois é importante não acumular essas substâncias tóxicas dentro do seu organismo.

Foto: Pexels.

Publicado em 29 de ago de 2018   |   Artigos, Destaques, Prevenção